O deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo defendeu hoje que Dias Loureiro deve demitir-se do Conselho de Estado e considerou que nunca deveria ter sido convidado pelo Presidente da República para aquele órgão.
Segundo o deputado do BE, "não era necessário haver nenhuma comissão de inquérito ao BPN para se saber que o dr. Dias Loureiro integrou um grupo financeiro que anos após anos viveu da fraude e de operações irregulares" e "nada recomendaria o convite" para conselheiro de Estado.
De acordo com João Semedo, na comissão parlamentar de inquérito sobre o BPN Dias Loureiro "não disse tudo o que sabia e faltou à verdade" e as "muito contradições entre o seu depoimento e o que os documentos revelam" levam o BE a querer que seja novamente ouvido.
"Não nos resta qualquer dúvida de que não disse tudo o que sabia e de que, perante as perguntas que lhe fizemos, faltou à verdade", reforçou.
Em declarações à agência Lusa, João Semedo recordou que questionou Dias Loureiro na comissão parlamentar de inquérito sobre a sua condição de conselheiro de Estado e que este "respondeu que se sentisse que a situação incomodava o Presidente da República tiraria daí as consequências".
"Se é esse o critério, creio que dificilmente o Presidente da República não estará incomodado", acrescentou o deputado do BE, para quem "é inaceitável, inadmissível que permaneça como membro do Conselho de Estado".
"As inverdades, os esquecimentos confirmam que é isso insustentável. O dr. Dias Loureiro nunca deveria ter sido convidado, nunca deveria ter aceite e há bastante tempo já deveria ter tomado a iniciativa de se demitir do Conselho de Estado", considerou.
Para o deputado do BE, o ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva "continua como se tudo lhe fosse permitido".
"A continuação no Conselho de Estado é a confirmação da tese de que tudo lhe é permitido. É preciso fazer valer as regras democráticas, a transparência, o rigor, a seriedade", declarou.
Interrogado sobre porque defende que Cavaco Silva nunca deveria ter convidado Dias Loureiro para conselheiro de Estado, João Semedo respondeu que "existiam demasiados indícios de práticas irregulares em relação ao BPN/SLN".
"Isso não teve outra evidência e divulgação porque a actividade bancária em Portugal goza de uma certa protecção e de uma certa impunidade", sustentou o deputado do BE, concluindo que "nada recomendaria o convite" para o órgão político consultivo do Presidente da República.