A comissão de trabalhadores (CT) do BCP enviou aos trabalhadores do banco um comunicado onde diz que, apesar de compreender a "solidariedade institucional do conselho de administração e do conselho geral e de supervisão para com Armando Vara", não pode haver "dois pesos e duas medidas quando poderão estar em causa e em crise a violação de regras de conduta deontológica e que desde sempre foram consideradas no BCP como traves mestras da sua imagem e actividade, pelo que os superiores interesses da instituição têm que se sobrepor, sempre, a laços de solidariedade sejam institucionais, sejam pessoais".
Os representantes dos trabalhadores, neste documento enviado na quarta-feira, deixam subentendido que deveria ter sido o banco a suspender Armando Vara da vice-presidência do BCP.
Isto porque "quando um trabalhador é acusado de ter praticado uma irregularidade que coloca em causa ou se presume que tenha violado qualquer uma das regras de conduta e deveres estipulados no Código Deontológico e no Acordo Colectivo de Trabalho, é prática corrente do Conselho de Administração Executivo suspender preventivamente esse trabalhador", embora muitas vezes "venha depois a concluir-se que afinal, a irregularidade cometida não é passível de despedimento".
A CT considera também que apesar da declaração de inocência de Armando Vara a sua continuidade no cargo "seria institucionalmente contraproducente e penalizadora para a imagem e actividade do banco".
Suspensão foi decisão acertada
Diz também que "a suspensão das funções de Armando Vara ainda que tardia foi no mínimo uma decisão acertada e necessária".
Já quanto à manutenção da sua remuneração durante o período de suspensão, entende que a decisão "deve ser a que melhor sirva os interesses da instituição, já que é completamente alheia às razões que estão na origem da acusação", ainda que o banco tenha "já sofrido danos na sua imagem que poderão ser irreparáveis". Esta posição foi, no entanto, tomada antes de se saber a decisão de manter a remuneração de Vara apesar de estar suspenso.
Por fim, a CT adverte ainda para o facto de que "poderia ser muito mau para o funcionamento interno da instituição, se os trabalhadores continuassem a ver num dos mais importantes elementos da administração da sua empresa, um vice-presidente com atitudes de auto favorecimento ou de paternalismo e proteccionismo por parte dos referidos órgãos de administração, que acabariam por fragilizar e colocar em séria e destrutiva crise os elementares pressupostos de autoridade moral, responsabilidade, disciplina, verticalidade, coerência, seriedade, respeito, fidelidade, idoneidade e confiança, que são absolutamente imprescindíveis à relação do trabalho e de hierarquia entre um vice-presidente do conselho de administração e os trabalhadores".
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