O fundador do PSD e presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, afirmou hoje que o programa do Governo tem "muitos aspetos positivos" e agora é preciso executá-lo "de forma transparente".
Portugal, sublinhou o empresário, tem de mostrar que não é como a Grécia e o novo Executivo tem de aplicar eficazmente o programa acordado recentemente entre o país e a 'troika' internacional.
Balsemão falava à margem de uma conferência sobre "media" em Lisboa e organizada pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC).
No que refere à intenção do novo Executivo de privatizar um dos canais da RTP, o presidente do grupo Impresa sublinhou que o mercado da televisão aberta em Portugal não tem condições para a entrada em cena de um novo 'player' privado.
Tal cenário, disse, deve-se à queda do mercado publicitário nos últimos anos. No entanto, e comentando a intenção do novo Governo, Balsemão elogiou a aplicação do termo "momento oportuno" no programa do novo Executivo no que refere à privatização de um canal da RTP, sinal de que houve prudência ao abordar o assunto.
Pais do Amaral diz que privatização da RTP
O presidente não executivo da Media Capital, Miguel Pais do Amaral, disse hoje que uma eventual privatização da RTP diminuirá os orçamentos das restantes televisões de sinal aberto e a qualidade dos conteúdos emitidos.
Falando como "observador do setor" e não como responsável da Media Capital, que detém a TVI, o gestor disse que ainda que a "abertura do mercado de televisão irá acelerar a morte dos jornais e irá apressar a liquidação das rádios".
A diminuição dos ganhos com a publicidade é o motivo apontado para a diminuição das televisões privadas e da qualidade dos conteúdos que Pais do Amaral disse que irá suceder com a privatização de um canal da RTP.
O programa do novo Governo, divulgado na terça-feira, prevê que a RTP seja reestruturada para obter "uma forte contenção de custos operacionais" em 2012, tendo em vista a privatização de um dos canais em momento oportuno.
Miguel Pais do Amaral disse ainda aos jornalistas que irá transmitir a sua "opinião institucional" sobre o assunto "a quem de direito", nomeadamente ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e ao ministro com a tutela da Comunicação Social, Miguel Relvas.