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Avaliação da ministra

8:00 Segunda feira, 3 de março de 2008
Se a ministra da Educação deixasse hoje o Governo, alguns dos seus maiores críticos talvez viessem dizer amanhã o mesmo que certos adversários de Correia de Campos disseram dele um dia depois de ter saído: que, afinal, era um bom ministro. No caso de Maria de Lurdes Rodrigues não haveria sequer um 'mas' a acrescentar quanto à sua capacidade de explicar as políticas e de as comunicar ao país. Explica-as com desarmante serenidade no meio da gritaria à sua volta, como se viu no 'Prós e Contras' desta semana, perante uma senhora do PSD que confunde frontalidade com má-educação, perante um jovem revoltado, decerto consigo mesmo, perante supostos dirigentes que parecem usar o microfone só para tratarem dos seus casos pessoais, perante sindicalistas apostados numa guerra política que já tem pouco a ver com os temas em debate. Perante todos, a ministra respondeu com a segurança de quem age segundo a sua consciência e convicta da correcção das decisões que toma.

Se Maria de Lurdes Rodrigues saísse do cargo também se diria, como se disse de Correia de Campos, que acabavam as reformas, agora no Ensino. E que, despedindo-a - algo que, além de improvável, seria indesejável porque o país não pode dar-se ao luxo de eliminar todos os que têm a coragem de tentar mudar o que está mal - Sócrates estaria apenas a comprar a paz com os professores e com aquela parte do seu partido que gosta de estar sempre do lado de quem protesta. Dir-se-ia também que deixava de governar, pondo a conveniência eleitoral à frente das políticas com que se comprometeu.

A actual ministra nunca prometeu uma grande reforma do Ensino, ao contrário do que fizeram alguns dos seus antecessores. Contudo, passados estes três anos, pode-se dizer que o conjunto de iniciativas que tomou, certamente discutíveis como todas, são mais do que uma reforma. São uma revolução no modo de encarar o trabalho na escola, rotineiro quanto aos métodos, injusto por não distinguir o mérito, funesto se avaliado pelos resultados. Maria de Lurdes Rodrigues é muito mais do que 'a ministra da avaliação', segundo a "gaffe" de Sócrates nas jornadas parlamentares do PS: ela rompeu com uma paz podre de 30 anos comprada com abandono e insucesso escolares por governos de todas as cores. Não admira que provoque tantas resistências nem que certas figuras do próprio PS que contribuíram bastante para acelerar o colapso da escola, como a célebre Ana Benavente, ainda se permitam a desfaçatez de vir a público criticar a ministra.

Algumas dessas resistências eram previsíveis. Ao afrontar o enorme poder dos sindicatos no sector do ensino, Maria de Lurdes Rodrigues só podia contar com fogo de barragem. Mas a multiplicidade de decisões que foi tomando, muitas vezes de forma atabalhoada ou à pressa e à força, como se escreveu aqui a propósito da avaliação dos docentes, fizeram o descontentamento alastrar, inclusive aos professores que aplaudiram, ou pelo menos compreenderam e aceitaram as primeiras medidas.

Do ponto de vista político, a situação não é fácil para a ministra. Mas o país não pode ser sujeito a mais um recuo global num sector precisado das reformas em curso, pelo que só há uma saída. E essa é a de a própria responsável pela Educação reconhecer que o lançamento do processo de avaliação correu mal e retirar daí todas as consequências, começando pela de que não deve ser aplicado a qualquer custo e a meio do ano lectivo. Mais vale perder uns meses do que deitar tudo a perder. E é isto que acontecerá se a avaliação for imposta em termos tais que dê motivo a qualquer futuro ministro para a anular logo que chegue.

Promessas à medida

Luís Filipe Menezes teve a sua primeira semana de glória mediática desde que chegou à liderança do PSD. Conseguiu ser notícia quase todos os dias, ora porque apresentou propostas, ora porque teve de esclarecer melhor as propostas que apresentou, ora porque essas propostas foram contestadas por membros do seu próprio partido. Na terça-feira, foi dizer à SIC-Notícias que acabará com os anúncios na RTP para que os concessionários privados possam disputar entre si todo o bolo publicitário, que é pequeno para três canais generalistas e talvez não chegue para quatro. Na quarta-feira apareceu ao lado dos dirigentes da Fenprof a contestar o sistema de avaliação de desempenho que o Governo quer aplicar aos professores. Na quinta voltou à SIC para explicar a promessa de terça e foi a um hospital privado proclamar que todos os médicos deviam poder optar entre o público e o privado.

Não há como dizer em cada lugar e a cada audiência as coisas simpáticas que ela quer ouvir. Assim, nada como ir a uma televisão privada prometer que esta pode vir a ganhar mais dinheiro com as políticas que o entrevistado defende. Nada como apanhar a onda de contestação a uma ministra quando ela está no auge e todo o trabalho já foi feito por outros, mesmo que estes estejam nos antípodas do PSD. Nada como dizer num hospital particular que todos os médicos deviam poder optar livremente pelo serviço público ou pelo privado, mesmo que isso significasse o fim do serviço nacional de saúde, como observou o bastonário dos médicos.

Há duas semanas, comentou-se aqui que o presidente do PSD andara desaparecido e que talvez pensasse que lhe bastava ficar sentado na cadeira de líder para chegar a primeiro-ministro em 2009. A avaliar pelo ritmo de promessas desta semana, é de crer que Luís Filipe Menezes tenha mudado de táctica. E que talvez pense agora que a melhor maneira de ganhar as eleições é dizer 'sim, com certeza', a todas as exigências de cada uma das corporações ou dos poderes da sociedade. Alguém deve informá-lo de que, por um lado, uma soma de promessas avulsas e à medida não faz um programa político digno desse nome. Além disso, na ânsia, tão patente e pronunciada, de agradar a toda a gente, corre o sério risco de não agradar a ninguém.

Fernando Madrinha

Palavras-chave  opinião, PSD
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05 março 2008

A abominável avaliação dos professores

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Nunca Ninguem fez tanto pelo ensino em Portugal
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:24 | Terça feira, 4 de março de 2008
Considero este seu artigo brilhante, embora não concorde que a ministra deve atrasar o processo de avaliação dos professores. É que eles não querem agora e não vão querer nunca.

Não querem ser avaliados por dois motivos:Chegar livremente ao topo, e por outro lado, o medo para não dizer o pavor de serem avaliados.
Querem ter a garantia de chegar ao topo, mesmo que sejam mediocres, e muitos são-no; todos fomos estudantes, provavelmente tivemos 5% de professores excelentes, 20% de professores bons, 40% de professores assim-assim e 35% de professores maus ou muito maus. Este números resultaram de uma avaliação pessoal dos meus professores do ensino primário e secundáro (lembro-me perfeitamente de todos eles) entre 1962 e 1973.
Como podemos admitir que os nossos filhos tenham professores maus ou muito maus? Nem sequer podemos admitir que tenham professores sofríveis. Como podemos admitir que professores maus ou muito maus e professores tipo deixa andar, sejam classificados de excelentes?
  O critério da Antiguidade não pode servir para classificar os professores, um profissional com 30 anos de serviço pode ser mau e outro com 3 anos de actividade pode ser excelente!

Por isso a avaliação dos professores é tão importante, tem que ser rigorosa e não pode esperar; dela espero que resulte um corpo docente preparado e compente, e que nestas condições deve de ser bem pago.

Esta e outras medidas, como o encerramento das escolas com menos de 10 alunos, o prolongamento dos horários, para o período da trde, as aulas de substituição, a introdução do ingês a partir do terceiro ano, e muitas outras levam-me a concluir que nunca ninguem fez tanto pelo ensino em Portugal como a actual Ministra da Educação, a senhora Ana Benavente só tem que estar calada e devia ter vergonha do trabaho que fez enquanto esteve no ME.

O aparecimento de professores mal-educados em diverso de tipos de manifestações, levam-me a concluir que a percentagem de professores maus ou muito maus, poderá ser actualmente bem superior aos meus 35%. Esta é a verdadeira razão porque temos tantos analfabetos funcionais.

M. Barreira - Porto

 
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    Re: Nunca Ninguem fez tanto pelo ensino em Portuga    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:33 | Terça feira, 4 de março de 2008
    Re: Nunca Ninguem fez tanto pelo ensino em Portuga    Ver comentário
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 17:13 | Domingo, 6 de abril de 2008
A avaliação dos professores
MariaComenta (seguir utilizador), 1 ponto , 13:26 | Quarta feira, 5 de março de 2008
Há que lembrar que a avaliação dos professores a ocorrer este ano será, única e exclusivamente, aplicada aos professores contratados e não à classe efectiva.

Actualmente os parâmetros da avaliação são, ou podem ser, ajustados à necessidade de cada escola, no entanto, assiste-se em algumas, apenas conheço a situação de 4 escolas, que a equipa encarregue de realizar o ajuste dos parâmetros, na realidade, limitou-se a ler o que algumas escolas já tinham feito, os tais bons CE que existem espalhados felizmente por este país fora, e o resultado é um copy-past sem pés nem cabeça.

Por isso a meu ver a avaliação dos professores precisa ser urgentemente revista e deverá ser aplicada apenas no próximo ano lectivo, a toda classe profissional.
 
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É tão óbvio
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:30 | Quinta feira, 6 de março de 2008
É dito, redito e demonstrado que a situação que hoje desgraçadamente vivemos é em boa medida resultado da instrução e da educação que temos tido ao longo de muitos anos.
Ora os professores também tiveram esse tipo de instrução, acanhada, anquilosada, mediocre e desactualizada.
Portanto, não temos que nos admirar com a resistência feroz que essa classe está a fazer a uma reforma que sem ser drástica vai atingir muito imobilismo e bastantes interesses instalados.
Esta reacção desabrida da classe que está a atingir um grau elevado de clamor emocional prova bem, creio eu, que os professores afinal não têm aquele grau de serenidade e razão objectiva e criteriosa que a sua condição deveria exigir. Fazem muito ruído, mas o sumo é pouco ou quase nenhum. Teria a ministra contado com este "contratempo" crucial? Parece bem que não. E agora? Que irá sair daqui, já que não é possível mandar os professores de novo para a escola?
Nuno Costa
user 178221

 
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Oxalá não se desiluda, após tanta admiração!
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 17:01 | Domingo, 6 de abril de 2008

Vive-se, hoje, um clima nas escolas portuguesas,como em trinta e tal anos nunca vi.

As escolas tem têm de ser espaços sadios, de sonho, de aposta, de alegria, de trabalho, de esforço, de sucesso, de vida...

Não estão a ser...

Temo o pior...
 
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