As autoridades chinesas no Tibete declararam uma "guerra popular" aos autores dos actos de violência em Lassa, que Pequim acusa de serem separatistas a soldo do Dalai Lama, informa a imprensa oficial.
Segundo o diário do Tibete, os responsáveis locais mantiveram uma reunião de crise no sábado, sob direcção do secretário regional do Partido Comunista, Zhang Qingli.
"A reunião sublinhou que é preciso (...) iniciar uma guerra popular contra a divisão e para proteger a estabilidade", escreve o diário do Tibete.
O jornal afirma que é preciso "contra-atacar firmemente" e "abater a fúria arrogante das forças hostis".
As circunstâncias exactas dos tumultos de sexta-feira em Lassa, que oficialmente provocaram dez mortos, são desconhecidas.
As autoridades regionais reiteraram as acusações oficiais de complôt fomentado pelos fiéis do Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos, que vive no exílio.
"Os factos mostram claramente uma orquestração minuciosa das forças separatistas e reaccionárias do interior e do estrangeiro", segundo o relato da reunião feito pelo jornal.
"O seu objectivo é a independência", segundo a mesma fonte.
"É preciso denunciar e criticar os actos criminosos e fazer luz sobre a face odiosa do grupo do Dalai Lama", afirma o jornal.
Os tibetanos no exílio consideram as acusações "sem fundamento" e calculam que já morreram 30 pessoas.
Condoleezza Rice apela à contenção chinesa
A secretária de estado norte-americana, Condoleezza Rice, apelou hoje ao governo chinês para dar "provas de contenção" na sua reacção às manifestações anti-chinesas no Tibete.
"Apelamos ao governo chinês para que dê mostras de contenção na sua reacção a essas manifestações, e apelamos firmemente a todas as partes para não recorrerem à violência", declarou Rice, citada num comunicado do Departamento de Estado.
"Apelamos à China para respeitar o direito fundamental e universalmente respeitado de todos os cidadãos poderem exprimir pacificamente os seus pontos de vista políticos e religiosos", sublinhou Rice.
"Apelamos à China para libertar todos os monges e outras pessoas que foram encarceradas unicamente por terem exprimido a sua opinião", acrescentou.