Independentemente do que consideremos acerca dos submarinos, a verdade é que uma saída da NATO, tal como o Bloco de Esquerda defendeu na sua manifestaçãozinha no Chiado, seria um retrocesso civilizacional tremendo. São organizações como a NATO, a União Europeia e a ONU, que em si contém todas as outras sub-organizações como o FMI e a OMC, que permitem que Portugal, uma promessa de paraíso comunista nunca concretizada, se mantenha no acertado trilho da democracia liberal. Mais do que servir de defesa a ameaças exteriores, o que não é, de todo em todo, pouco, dada a nossa estrutural fraqueza militar, a NATO é a ponte entre a nossa recente democracia e um mundo que não sabe viver de outra forma. Abandoná-la, mais do que um risco militar, seria um risco político, seria a capitulação do ideal democrático em Portugal. A seguir a tal saída, continuaríamos com a nossa proverbial "Diplomacia Económica", estranhamente associada a ditaduras socialistas, e o sonho dos cunhais desta vida teria asas para voar.
Esta proposta já constava no programa eleitoral do Bloco de Esquerda. Naquele programa secundado por 10% da população portuguesa, que seguramente vê no Bloco de Esquerda essa força inspiradora, essa revolução de casa de banho, essa organização guiada por gente brilhante a quem parecem ter sido dados cérebros arrancados de sepulcros franceses e russos. A juventude, qualidade que não é apenas própria dos que têm poucos anos de vida, vai atrás, claro. Acreditam que a proposta é "pacifista" e não estratégica. Enganam-se. Redondamente. O Bloco quer sair da NATO não pelo pacifismo, mas por a saber um freio tremendo à sua febre estatizante. Se houvesse por aí um Pacto de Varsóvia, Louçã e companhia não pensariam segunda vez. Mas isso, claro, fica fora dos cartazes, que a droga tem de ser aumentada em doses pequenas, para não criar má reacção.