13/02/2012 atualizado às 8:20
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As quatro crises que vieram para ficar

8:00 Segunda feira, 26 de maio de 2008
No Governo, os políticos são optimistas profissionais; na oposição, pessimistas encartados. Não admira, portanto, que o Presidente da República e o primeiro-ministro tentem desdramatizar a situação difícil que estamos a atravessar, passando a mensagem que mais ano menos ano a economia vai recuperar e as coisas vão melhorar, como aconteceu invariavelmente no passado.

A grande questão, contudo, é que desta vez os factores conjunturais da crise (ou das várias crises) são poucos e os factores estruturais muitos, pelo que a crise não vai passar e sim aprofundar-se e obrigar-nos a todos a mudar os nossos hábitos e padrões de vida.

Com efeito, primeira tendência, o aumento do preço dos combustíveis fósseis não é conjuntural - é estrutural. Há cinco anos ninguém consideraria que o preço do barril do petróleo pudesse ultrapassar os 100 dólares. Hoje já se coloca a hipótese de um dia destes termos o barril acima dos 200 dólares. Preparem-se, portanto: o transporte privado vai diminuir dramaticamente, as viagens de avião vão tornar-se um luxo.

Segunda tendência: o aumento do preço da electricidade nas nossas casas também vai passar a ser constante, devido à subida de todos os factores que contribuem para a sua produção. Recorrer a produção própria por via solar vai tornar-se inevitável.

Terceira tendência: a água vai ser mais escassa, logo o seu preço também vai subir exponencialmente. Esqueçam as piscinas privadas, fontes públicas, campos de golfe e banhos de imersão e comecemos a habituar-nos a cortes sistemáticos nos fornecimentos de água aos domicílios e a multas pesadas para quem desperdiçar o precioso líquido.

Quarta tendência: o preço dos bens alimentares explodiu e não volta para trás, mesmo com o aumento da produção, porque há milhões de pessoas que passaram a ter acesso a esses produtos.

Ou seja, acabou a comida barata, a energia barata, os combustíveis baratos ou a água barata. Por outras palavras: bens democráticos, a que a generalidade dos cidadãos tinha acesso, como a água, pão, electricidade, gasolina ou gasóleo estão a tornar-se bens de luxo ou quase, a que cada vez terão mais dificuldade de acesso as classes médias e de menores rendimentos.

As razões são várias, mas a mais decisiva é que a subida vertiginosa dos preços do petróleo e a ascensão de milhões de cidadãos dos países emergentes a níveis de vida que nunca tiveram antes está a produzir uma enorme transferência planetária de riqueza, estimada anualmente em três biliões de dólares, da Europa e Estados Unidos para a Ásia, África e América Latina.

As consequências também serão várias - e todas elas potencialmente explosivas, porque a fome, a sede e a miséria não são boas conselheiras. A primeira é que a possibilidade de violentas convulsões sociais, com impactos fortíssimos a nível político e mesmo riscos para os sistemas democráticos é fortíssima. A segunda é que, à luz da História, situações destas acabam por resolver-se através de conflitos bélicos mundiais, que dizimam milhões de pessoas e reequilibram as condições de vida no planeta. 210 anos depois, Thomas Malthus volta a estar na moda.

O sucesso da EDP Renováveis

Quando, num quadro de absoluta incerteza, uma empresa decide abrir o seu capital em bolsa e a procura multiplica por muito a oferta disponível; quando a empresa em causa está a entrar numa área de negócio nova, o mínimo que se pode dizer é que se trata de um grande sucesso e de um enorme voto de confiança do mercado e dos investidores na estratégia que a EDP está a seguir e que já a tornou a quarta maior empresa de energias renováveis no mundo.

A Falácia da Galp

Ferreira de Oliveira, presidente da Galp, defende a descida da carga fiscal sobre o gasóleo e a gasolina. O recado é claro: se os preços estão caros é por causa dos impostos. É verdade, mas não toda. Com efeito, analisando a evolução dos preços dos combustíveis entre 2000 e 2008, o gasóleo em Portugal subiu 100% contra 52% na UE-15 e a gasolina 61% contra 31%. Além disso, quando em 2004 e 2005 houve alguns meses de baixa do crude, os preços ao consumidor não caíram. E também não é por causa dos impostos que as receitas de refinação e distribuição da Galp cresceram no primeiro trimestre deste ano dez vezes mais que no último trimestre de 2007...

Nicolau Santos

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PRINCIPIO DO FI MOU RECOMEÇO?
sex&binho&rock'nroll (seguir utilizador), 1 ponto , 9:16 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
Uma coisa ficou clara, a crise é só para o zé povinho.

Mesmo em Portugal, um país de brandos costumes, o povo já se alevanta em protesto contra os aumentos.

Claro está que os Sr.s da Galp estão a tentar tapar o sol com a peneira. E se com aquela conversa de xaxa conseguirem manter os lucros altos, porque não? Eu fazia o mesmo. É mesmo o povo que tem que pôr mão nisto. Taxas fixas para a GALP e em vez dos impostos, porque, assim, até eu descia o IVA.

Mas o problema é bem mais extenso, como frisa o Nicolau, com a sua clareza quase assustadora. Os recursos estão a escassear. Vamos passar um mau bocado, mas esperemos que a história nos tenha ensinado a ultrapassar estes problemas de forma pacifica.

E, como sempre, depois da tempestade vem a bonança, embora esta se esteja a adiar de ano para ano.

Chega agora a era das energias renováveis. Já não se trata de um investimento num futuro melhor. É o presente. E os países que apostaram nelas no devido tempo, agora colherão os frutos (bom auguro para o Brasil que pode exportar alcool e alimentos). é também o tempo em que os homens voltarão aos campos abandonados. ser lavrador volta a ser uma profissão compensatória. Os recursos hídricos terão a atenção que à muito se reclama e, provavelmente, até as velha azenhas voltarão a funcionar, porque não podemos desperdiçar a energia gerada por estas.

Penso que temos que rever o acordo ortográfico e inserir uma chinesice, onde crise=oportunidade.
 
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    Re: PRINCIPIO DO FI MOU RECOMEÇO?    Ver comentário
Fala francês (seguir utilizador), 1 ponto , 13:53 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
    O brasil está de parabéns...    Ver comentário
sex&binho&rock'nroll (seguir utilizador), 1 ponto , 17:05 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
É o fim do mundo!
blues_man (seguir utilizador), 1 ponto , 15:06 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
Desde sempre houve uma caracteristica em alguns Homens ( Damas e Cavalheiros) que me deixa a pensar... a caracteristica é o discurso apocaliptico!
Claro que estamos numa crise, claro que é mundial, mas não é o fim do mundo, mas sim uma excelente oportunidade para renovar.
Ainda bem que os nossos campos vão voltar a ser plantados, significa que alguem os vai trabalhar, alguem os vai colher, distribuir e vender.
Isto significa tambem que vão ser precisas maquinas para trabalhar, colher e transportar os produtos vindos dos nossos campos.
Por sua vez as maquinas, produtos e trabalhadores vão precisar de seguros, assitencia medica, formação, orientação e colaboração.
Por sua vez alguem vai ter que os formar, orientar e dar assistencia
Preciso de continuar o ciclo? ACHO QUE SE CHAMA SOCIADADE...
Já imaginaram o que representa para nação que "fuja" ao dominio do petroleo?
Chamo a isto evolução, mudança e crescimento... vamos (re)viver o sec.xx?Não! Vamos seguir em frente.
Não tenho medo da crise, e discursos apocalipticos... servem para o que servem... agora soluções, pesquisas, novos caminhos isso é da maior importancia!
Vamos seguir em frente?
 
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Esclarecimentos...
Pseudo... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:52 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
Seria bem mais interessante explicar o funcionamento do mercado dos derivados... e a especulação associada ao mesmo no contributo para a fixação dos preços da energia e matérias...
Seria igualmente interessante mostrar os montantes da circulação de moeda decorrente do processo produtivo, do processo comercial e das transacções financeiras e monetárias...
Talvez o interesse não diminua em sabermos a origem dessas transacções... uma vez que é difícil identificar a quinta de pessoas que influencia os restantes 6 biliões...
... mas isto só é possível com esta globalização desregulamentada... em função destes interesses...
porque os processos burocráticos e a vigilância tem crescido de forma exponencial para os restantes cidadãos...
Para nós... bastaria analisar pormenorizadamente o estudo Portugal 2010... e retirar daí as ilações necessárias sobre as medidas de correcção tomadas para inverter o processo...
mas a conivência do poder económico, político e comunicação social dificilmente permitirão esclarecer convenientemente tal situação...
... ou mesmo a origem das mentes que nos governam... basta analisar tais escritórios... e os seus proveitos nas consultorias,..., realizadas decorrentes de decisões tomadas pelos governos (concursos, privatizações, obras públicas,...)...
Não quer esclarecer o comum dos cidadãos sobre as temáticas... ou os tentáculos são demasido grandes?
 
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A EDP renováveis...
Purga (seguir utilizador), 1 ponto , 16:04 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
É já para sacar a massa enquanto podem. Isto vai piorar. Ao contrário do "ministro" santos eu sei que ainda não batemos no fundo, nós e os outros...
 
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Crónica de uma morte anunciada,..
Caparica Red Neck (seguir utilizador), 1 ponto , 17:06 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
a do modelo económico do último século!

Que governo permite à populaçao entender uma aposta a 20 anos?

 
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Preocupante, Nicolau!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 18:06 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
O artigo apresenta uma sintomatologia preocupante.
Embora esteja longe de explicar as causas.
Mas há mais tempestades no horizonte.
O excesso de população, o envelhecimento da população, a incapacidade de resposta dos sistemas de segurança social.
O cenário de crescimento económico a que nos habituámos nos últimos 50 anos posto para já em causa.
O país gerido por ilusionistas impreparados para perceberem o que vem aí.
 
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O que fazer ?
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 18:41 | Segunda feira, 26 de maio de 2008
Os políticos são falsos mas os jornalistas também são. Falsidade é falsidade. Chamar "optimismo" e "pessimismo" às mentiras dos políticos também é uma falsidade. A verdade é simples, mas como mete medo as pessoas preferem a mentira e procuram abrigo nas ilusões que constroem com palavras. Uma mãe com 10 filhos que só tem condição (dinheiro não é condição, é ilusão) para alimentar 1, ou sacrifica 9 e salva 1 ou distrbui ilusões pelos 10 e nenhum escapa. Os recursos da "mãe" Terra não chegam para a filharada que já tem, e o número aumenta a cada segundo que passa. Que fazer?
 
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Re: As quatro crises que vieram para ficar
Caparica Red Neck (seguir utilizador), 1 ponto , 23:29 | Sábado, 31 de maio de 2008
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