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As obras verdes

8:00 Segunda feira, 30 de junho de 2008
O fim da era do petróleo barato está a forçar as sociedades ocidentais à mais dolorosa reconversão das últimas décadas. Os governos têm duas possibilidades: prolongar a agonia do doente com subsídios que adiam a reconversão ou usar os poucos recursos disponíveis para estimular a reconversão e proporcionar ajudas pessoais aos mais atingidos por esta crise.

A escolha está entre o "corporate welfare" e a ajuda social aos que têm mais dificuldades na adaptação.

As obras públicas são o outro lado da questão. Em geral, querem dizer estradas, pontes e túneis. A questão das acessibilidades - como costumam dizem solenemente os senhores autarcas.

Já as temos, e quanto à sua capacidade para fazer crescer a economia estamos conversados. Parece haver mesmo uma relação inversa entre o número de quilómetros de auto-estradas e o crescimento do produto interno bruto.

Na economia pós-petróleo barato, obras públicas só podem ser formas públicas de ajudar a reconversão da economia. Principalmente ajuda às energias renováveis. Se e se for possível fazê-lo bem e não forem criados elefantes brancos com umas manchas verdes.

Estão aí - nas energias renováveis - as únicas boas notícias.

O sol do Sul de Portugal - a zona da Europa com mais sol - não serve só para atrair turistas. As notícias animadoras sobre a explosão das centrais solares e a constante baixa de preço da sua produção mostram que temos tantos recursos a médio e longo prazo como se tivéssemos petróleo.

Seria desejável que as autoridades públicas - tão eficientes a criar deveres e encargos que embaraçam a iniciativa privada e não têm qualquer justificação - pelo menos não impedissem que isto aconteça. Como no caso da central solar que estava com dificuldade em aumentar o espaço de construção por faltar a licença de utilização de uma reserva agrícola.

A posição do Governo não é fácil, a sua responsabilidade enorme. Os pescadores, os camionistas e os agricultores só querem uma coisa: subsídios que adiem a sua adaptação às novas condições. As construtoras querem empreitadas.

Obras, podemos e devemos ter: transportes de massa confortáveis e rápidos para os grandes centros urbanos que lhes permitam funcionar. Comboios de razoável velocidade que liguem o interior ao litoral (agora, com os espanhóis a fazer contas, é melhor esquecer de vez o TGV) e mais, muito mais linhas para o transporte de mercadorias. Barragens também, mais auto-estradas não.

Obras públicas verdes em vez de simples acumuladoras de betão.

As reivindicações de ajuda por empresas que vêem na cornucópia de subsídios a sua única salvação é a grande tentação do Governo e o grande perigo para a economia: os agricultores são o melhor exemplo. Falam dos pagamentos devidos pelo Governo e do seu aumento com a tranquilidade e a boa consciência do funcionário que trabalha para o Estado e vive do salário que este lhe paga.

Em vez de procurar formas de produção que reduzam a factura do petróleo, um subsídio maior para o gasóleo agrícola. A cultura dos subsídios perpetua-se e multiplica-se.

Adenda: As palavras irresponsáveis do ministro da Agricultura que indispuseram gravemente a CAP podiam ter criado um sério problema. O Governo correu o risco ficar nas mãos com milhões e milhões de subsídios que não iria conseguir distribuir.

Fiscalista

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As obras verdes
Haviador (seguir utilizador), 1 ponto , 17:12 | Quinta feira, 3 de julho de 2008
O SR. Dr. diz que é melhor esquecer o TGV? mas o TGV não é um transporte verde? não é o TGV que irá substtituir o avião nas linhas continentais? Sabe quantas toneladas de CO2 lança na atmosfera um avião com 200 passageiros? e quantas toneladas de oxigénio necessário à nossa vida ele consome? Só o grande lobbie das companhias de aviação e o turismo, estão a calar este poluidor, mas virá o dia em que um protocolo dum qualquer Kiotto irá reduzir o numero de viagens de avião, se nessa altura não houver transporte alternativo, vai ser uma grande confusão. Os fazedores de opinião deste País já deviam ter explicado isto aos cidadãos, em vez de dizer que um transporte ecologico e rápido é para esquecer.
Já agora gostava de saber porque ainda não estão a funcionar as fabricas de biodiesel? Talvez o Sr. Dr. saiba, li na nossa imprensa que Portugal já tem 5 fabricas de biodiesel, e uma planta especial já em produção no distrito de Castelo Branco para as alimentar, será que ainda não é rentável, ou estão a estudar o imposto para lhe aplicar?
 
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