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As novas regras do jogo

Portugal não está habituado a uma democracia parlamentar genuína. Nesta legislatura todos terão que interiorizar as novas regras do jogo.

Vasco Campilho
17:40 Quarta feira, 14 de outubro de 2009

O nosso regime semi-presidencial teve muito poucos períodos de verdadeiro pendor parlamentar. Até 1982, o poder presidencial e militar limitava a esfera de influência do poder civil democrático. Entre 1983 e 1987, o Parlamento tornou-se mais central na vida política portuguesa, mas a instabilidade que vinha do período anterior manteve-se.

As maiorias absolutas do PSD acentuaram o papel das eleições legislativas como eleições para Primeiro-Ministro e remeteram o Parlamento para um papel secundário na definição das políticas públicas. Regressado ao poder em 1995, o PS não alterou a preponderância governamental no sistema político.

Mas a despolarização do actual quadro parlamentar obriga a essa alteração: o poder de decidir as grandes orientações nacionais vai regressar às bancadas do Parlamento, porque não há uma bancada maioritária disposta a cedê-lo ao Governo. O primeiro-ministro, habituado a ser um grande timoneiro, vai ter de passar a ser um grande negociador.

A questão que se coloca é como alterar um modo de governação que durou mais de vinte anos sem regressar à instabilidade que o antecedeu? Na ausência de ajustes de cariz institucional - e recorde-se que a legislatura que agora se inicia tem poderes constituintes - teremos de esperar que as forças políticas ajustem os seus comportamentos às novas regras do jogo.

Não sejamos ingénuos: não há partido, no Governo ou na oposição, que se "porte bem" se tal não corresponder ao seu interesse. Aquilo que se espera é que os nossos líderes políticos tenham uma visão um pouco mais abrangente desse mesmo interesse. Que defendam a reputação cada vez mais desgastada do regime democrático e dos seus agentes. Que compreendam que não serve a ninguém herdar um país em escombros. Que temam a severidade dos portugueses perante quem não demonstrar que para além do seu nariz, vê o País.

Se esta visão do interesse próprio prevalecer, poderemos contar com uma legislatura que dê resultados ao País. Mas se prevalecerem as vistas curtas do tacticismo, venha o Presidente e dissolva. O mais depressa possível.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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os poderes constituintes da assembleia
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 0:42 | Quinta feira, 15 de outubro de 2009
É curioso que durante a campanha ninguém se tenha referido aos poderes constituintes da assembleia. Ela o é, somente agora, ou será de todas as assembleias legislativas seguintes até à primeira que conseguir fazer uma revisão constitucional?
 
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    Re: os poderes constituintes da assembleia    Ver comentário
Vasco Campilho (seguir utilizador), 2 pontos , 10:28 | Quinta feira, 15 de outubro de 2009
    Re: os poderes constituintes da assembleia    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 10:52 | Quinta feira, 15 de outubro de 2009
Os poderes constituintes da ssembleia
O Ladario (seguir utilizador), 1 ponto , 18:36 | Sábado, 17 de outubro de 2009
Concordo inteiramente com a descrição de Vasco Campilho. Assim o que se torna necessário é que no meio de tudo isto haja bom senso.
Os nossos politicos não têm sentido de estado, são paus madados dos partido e, agora pior, atendendo que MAIORIAS NESTES TEMPOS MAIS PRÓXIMOS, JAMAIS... COITADO DO JAMAIS LÁ SE FOI, QUAL É O TACHO QUE VAI TER?
 
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