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As estradas sem automóveis

J. L. Saldanha Sanches*
8:00 Quarta feira, 8 de abril de 2009

Há sempre boas razões para um fim-de-semana no interior: uma delas, agora, é observar in loco o estranho espectáculo das novas estradas, largas, bem construídas e vazias.

Estradas sem carros, museus sem visitantes, a demonstração do peso dos grupos de pressão na decisão pública. Pode não haver carros, mas tem de haver obra. Formas pouco imaginativas de desbaratar recursos públicos.
No centro, o nosso modelo de Estado.

Por exemplo, serão mesmo precisos os parlamentos regionais? Não seria bastante a existência de um governo em cada uma das regiões? Não será um excesso de caciques para tão poucos índios? E as assembleias municipais? O país parava se elas fossem extintas? As vereações não chegam?

E aquelas inspecções que nos ministérios controlam os ministérios? Tirando a Inspecção-Geral de Finanças, que deveria ser muito importante, servirão para alguma coisa?

O plano de emagrecimento do Estado português a que temos assistido, além de insuficiente, lembra uma dieta em que alguém decide reduzir - de forma igualitária - 10% o peso de cada um dos seus órgãos.

Para uma redução racional e efectiva da despesa pública - que ainda não aconteceu - a única hipótese é uma distinção implacável entre as despesas públicas que são indispensáveis e as que existem por tradição, por inércia, por imposição de poderosos grupos de pressão e interesses especiais e que são um peso que afunda a economia portuguesa.

Supressões deste tipo só podem acontecer mediante pressão externa, e vamos sentir essa. Serão a principal consequência do insustentável défice nas contas com o exterior que não nasceu com a crise e se vai agravar.
Como há pouco recordava Silva Lopes o euro não pode permitir que um dos seus membros abra falência: mas os auxílios externos são sempre condicionados. Condicionados à adopção de medidas que reduzam as despesas públicas e por isso a questão central é saber onde é que vai haver reduções.

A sua origem longínqua é a dificuldade que temos revelado de conseguir flutuar no espaço europeu. Em Espanha foi um modelo de crescimento insustentável, com um desequilíbrio externo excessivo, demasiadas casas e muito poucas exportações, que conduziu à derrocada. Em Portugal a questão é outra: um enorme défice externo juntamente com uma absoluta incapacidade de conseguir um mínimo de crescimento.

Em ambos os países, tem de haver mudanças radicais. Em Portugal uma delas terá de ser uma redução efectiva das despesas públicas porque a carga fiscal não pode aumentar mais.

Não basta congelar os aumentos da função pública. É o nosso modelo de Estado que está em causa; não o Estado social enquanto tal, mas o Estado político: aquela massa enorme de gente que à volta do sector público - Estado central, regiões, municípios - e com carta de corso partidária negoceia, trafica e rouba.

Os poucos sectores dinâmicos e eficientes da economia portuguesa, mesmo se não tivessem sido atingidos pela crise, não podem suportar uma carga tão pesada.

*Fiscalista

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Pais maravilhoso
ccabgy (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 9:43 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
Grande país este nosso Portugal. Tem tudo a sua medida certa. Belezas naturais, história, tradições, cultura, que encantam quem as conhece. Só me desagrada um pequeno pormenor aliás muito pequeno: a mentes pequenas.
 
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DEIXEM AS AUTOESTRADAS EM PAZ
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 10:16 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
Autoestradas sem carros? Que bom, deviam ser todas assim, para se poder andar bem. E os comboios? Pasmo qd vejo comboios circularem vazios. Por exemplo, a linha das Caldas, que ainda anda a gasóleo e ninguém dá por isso. Por vezes dou por mim a entrar numa carruagem da 1ª classe, sozinho, e lá vou até às Caldas, senhor daquele espaço todo só meu, com ar condicionado a cheirar a vacas, que me retempera. Quem usa esse comboio? Os deserdados. Os velhos que vão á feira da Malveira. Ua ou outra professora desterrada. E no entanto o comboio, apesar de antiquado e de a paisegem ser feia, é agradável, respira-se tranquilidade, pode-se ler, por exemplo.
Aqui vão-se fazendo as obras ao sabor das eleições.
Agora tudo o que é Câmara está a fazer «obras de requalificação»: passeiozinhos e arruamentos arranjados, um jardinzito, anda tudo á volta disso.
O que intreressa é ter uma extensa clientela política local, deixem estar como está, não mexam, isto anda na mesma, Angola vai injectar mais dinheiro e são cada vez maiores as remessas de divisas de emigrantes nessa ex-colónia.
Tudo tranquilo, deixem as autoestradas sem tráfego em paz e, se estiverem incomodados, peguem na vossa associação ecológica e vão para lá plantar árvores.
 
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    carissimo, eu explico-lhe devagarinho para que    Ver comentário
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 11:01 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
    Re: carissimo, eu explico-lhe devagarinho para que    Ver comentário
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 12:46 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
    vivo intrigado com uma coisinha aqui no Expresso    Ver comentário
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 13:09 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
    Re: vivo intrigado com uma coisinha aqui no Expres    Ver comentário
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 15:32 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
    falta de observacao nao E com toda a certeza    Ver comentário
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 19:59 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
    Classifique-se a si mesmo    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Quinta feira, 9 de abril de 2009
    Permita-me meter a foice em seara alheia    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 1 ponto , 23:35 | Quinta feira, 9 de abril de 2009
    Re: Permita-me meter a foice em seara alheia    Ver comentário
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 9:54 | Sexta feira, 10 de abril de 2009
    Re: Permita-me meter a foice em seara alheia    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 23:57 | Domingo, 12 de abril de 2009
    Re: Permita-me meter a foice em seara alheia    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 1 ponto , 0:21 | Segunda feira, 13 de abril de 2009
    Re: Permita-me meter a foice em seara alheia    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 11:32 | Segunda feira, 13 de abril de 2009
    Re: Permita-me meter a foice em seara alheia    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 1 ponto , 12:29 | Segunda feira, 13 de abril de 2009
Emprenhar pelos ouvidos...
vasil (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:12 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
Emprenhar pelos ouvidos ou pela leitura em diagonal, eis o nome que se dava quando alguém não refletia minimamente naquilo que ouvia ou lia...
É o caso do articulista, leu um artigo sobre as autoestradas e generalizou sem refletir. Curiosamente depois de eu ter feito um comentário a esse artigo ele desapareceu do 'Expresso', ao contrário do que é habitual!
Não há carros nas autoestradas porque não há dinheiro para pagar portagens nem para a gasolina!
As autoestradas, como os comboios fazem falta, em especial para as mercadorias e serviços, e os seus custos com as portagens, fazem com que os portugueses as paguem de outro modo mais vil. Todos os portugueses as pagam quando os transportes de mercadorias e de serviços têm de recorrer às estradas normais, levando muito mais tempo (Tempo é Dinheiro) e encarecendo assim os produtos e serviços, ou, o que é o mesmo, transitando nas autoestradas pagando as altas portagens, para enriquecer os senhorios medievais, e assim encarecendo os produtos e serviços que nós vamos pagar... Quanta água circula nos canais? Pois abram-se as comportas e mais água há de circular...

Comparar estradas, a estádios de futebol ou museus concelhios, ou à imensidão de inuteis cargos políticos é um crime contra a inteligência... Se há coisa importante são as vias de transporte (v.Romanos!), em especial mercadorias!
Isto não justifica o TGV Lisboa-Porto-Vigo, mas justificaria, o de Sines-Madrid com uma só paragem entre Évora-Moura-Badajoz, c/ ligação a Lisboa
 
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CENTROS COMERCIAIS
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 22:06 | Quinta feira, 9 de abril de 2009
Saldanha, tu não mereces alguns dos comentários que por aqui andam, há sempre quem baixe o nível e queira desestabilizar. Mas seguimos em frente como sempre.
Já agora deixo aqui uma sugestão: construam Centros Comerciais nessas autoestradas e verão o tráfego...
Rui Ramos
 
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a analise E correcta o problema E eterno
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 9:09 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
sao demasiados a "comer" do estado. Estar agora a emagrece lo significava por muitos, mas mesmos muitos de lA para fora e isso ninguem tem coragem.

Custaria muitos votos, demasiados favores perdidos e ainda mais milhoes desperdicados no circuito da corrupcao offshore.
 
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ninguém quer saber...
corta bushos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:04 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
este país é para ser extreminado! depois os da nota emigram para países ditos chiques.
 
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Despesa do Estado
Toni 2 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:22 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
Sem duvida nenhuma que tem razão. Aliás não é preciso ser muito inteligente,nem esperto,nem necessário passar pelos bancos da Universidade de Coimbra para aperceber que algo vai mal neste Reino de Sua Magestade. A mentalidade do funcionalismo público é que depois de o ser,já há emprego para toda a vida,com bom ordenado e muitas regalias. O sector privado,que se esfalfe a trabalhar,que ganhe mal,que não tenham regalias,porque são os servos da glebe,se não mesmo os escravos. Foi com esta mentalidade que surgiu em tempos que já lá vão,mas que não estão assim tão longe de voltar, a ditadura. Os tempos são outros,pois já temos guarda-chuva,mas as soluções nunca são muito diferentes. Perante tal cenário seria de bom senso para qualquer mortal,no minímo um entendimento nestas matérias,dos partidos que ocupam o poder.
 
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Estradas sem automóveis
Toni 2 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:26 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
Este é um problema sempre complicado de comentar. Se para mim a Auto Estrada para Bragança,Vizeu, Vila Real,Beja ou Évora não faz falta e acho uma inutilidade o mesmo não acontece com a opinião daqueles que vivem nessas Zonas isoladas e que têm os mesmos direitos,que os que vivem com todos estes confortos. A Pátria quando da guerra no Ultramar,não esqueceu os jovens que viviam nas aldeias isoladas,sem água, electricidade,estradas etc. Mais grave ainda foram esses a quem a Pátria tinha desprezado,aqueles que mais morreram,pois sem cunhas foram os que piores especialidades tiveram e os que foram mobilizados para os piores cenários de guerra. São também estas populações que não têm nada que contribuiem para outros terem tudo. É uma obrigação de solidariedade e equilibrio territorial.
 
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Auto-estradas
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Quarta feira, 8 de abril de 2009
Pois eu já viajei muitas vezes, a trabalho, nessa auto-estrada para Bragança, passando por Mirandela, e acredite, preferia mil vez um comboio rápido. E assim como eu, outras pessoas com quem falei no período de tempo em que lá vivi, preferiam ter um comboio rápido para o Porto do que uma auto-estrada, numa região predominantemente de emigrantes, onde quem vive são pessoas de idade que têm de pedir ao filho ou aos sobrinhos que os levem de carro às consultas no Porto!!!

Em Portugal, há quem use e abuse da má-fé quando os argumentos que enfrentam já não lhes deixam espaço de manobra. A QUESTÃO NÃO È ABRIR ESTRADAS (ESTRADAS!) PARA O INTERIOR QUE A SUA PÁTRIA PORTUGUESA ABANDONOU, MAS SIM APOSTAR EM SISTEMAS DE TRANSPORTE MAIS EFICAZES E QUE SE COADUNEM MELHOR COM UM PAÍS QUE NÃO PRODUZ PETRÓLEO MAS TEM DE IMPORTAR TODO À AMADA ANGOLA ...
 
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Estradas inúteis
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:46 | Quinta feira, 9 de abril de 2009
Este governo tem uma particularidade: Anunciar e efectuar obras sem qualquer utilidade!
É este o caso das "Estradas sem automóveis", de que fala o frontal Saldanha Sanches!
 
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arrogância lisboeta!
ratajana (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Sexta feira, 10 de abril de 2009
Se prefere as estradas engarrafadas é lá consigo, agora que é necessário revitalizar o interior, votado ao abandono nas últimas décadas com todos os prejuízos económico-sociais daí inerentes, disso não tenha dúvida.
Este é o preço a pagar pela negligência com que se tratou estas populações, e se é alto que seja, porque de lisboa e das grandes obras em lisboa, e das suas pontes e ccb's estamos todos fartos, e mais fartos da arrogância com que depois tratam o resto dos portugueses!
 
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Que giro!
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 15:41 | Sexta feira, 10 de abril de 2009
Há por aqui quem seja "tu cá, tu lá" com gente do Poder e ainda se julgue paternalista o suficiente para pensar que sabe mais do que os outros ...

O mais curioso é que são sempre defendidos pelas mesmas pessoas que, curiosamente, parece não pertencerem ao mesmo "quadrante político". Há quem diga que os "opostos atraem-se", mas eu penso que é tudo uma questão de falta de transparência, bastante típica em Portugal, e que dá azo às mais variadas cabalas e campanhas negras ...
 
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DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO OU COM HIPER-INFLAÇÃO?
J.B.DLEGS (seguir utilizador), 1 ponto , 1:49 | Sábado, 11 de abril de 2009
NESTE PRECISO MOMENTO OS GOVERNOS ESTÃO A FAZER AS ESCOLHAS MAIS INSENSATAS, MAIS EGOÍSTAS
E DE MAIS ALTO RISCO DA HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO !!! No seu zelo para evitar o inevitável ciclo de Depressão, muitas das nações G-20 (acompanhadas pelos seus seguidores cegos ou oportunistas por motivos de subsistência política pessoal ou grupal inconsciente) estão a conduzir-nos para o padrão da destruição.
Esperemos que a VERDADE sobre a 1ª Depressão Global seja reconhecida rapidamente como evidente em Portugal e que quem de facto pode fazê-lo que trate de QUERER providenciar as DECISÕES e as ACÇÕES DE EMERGÊNCIA NACIONAL necessárias pelas quais uma larguíssima maioria de Portugueses crescentemente anseia, embora não saiba, não possa ou ainda não queira formulá-las .
Pede-se CORAGEM PARA MUDAR A ROTA surrealista em que todos nos vemos forçados a navegar, com TRANSPARÊNCIA, HONESTIDADE, VERDADE e com HUMILDADE DEMOCRÁTICA sinceras.
Cada euro de ajudas financeiras “salvíficas” ou de investimentos surrealistas irresponsáveis representa não 1 mas 2 euros de Injustiça Social diferencial: 1€ para premiar os Culposos mais/menos 1€ p/castigar as Vítimas das actividades culposas, sejam elas quais forem e de onde vierem. Ficou claro? É que será esta mais uma raiz - quiçá a mais importante e definitiva - de um Crime Político continuado de que, mais tarde ou mais cedo e imprevisivelmente, serão pedidas responsabilidades. Por acção e por omissão.
in http://tinyurl.com/cmpmgo
 
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