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As escolas do crime

Não se trata de os funcionários serem honestos ou desonestos, trata-se da tolerância institucionalizada da corrupção.

J.L. Saldanha Sanches
8:00 Quarta feira, 29 de julho de 2009

Os partidos que são os esteio da democracia portuguesa - PS, PSD, PP - convivem sem dificuldade com práticas que dão origem a carreiras que desembocam no crime. São escolas do crime e devem ser considerados responsáveis pelos crimes praticados pelos seus altos dirigentes.
A tese é de Pacheco Pereira, numa das suas colunas habituais, e deveria ter provocado uma onda de manchetes e aberturas de telejornais. Ninguém ligou, ninguém se indignou, ninguém o ameaçou com um processo por difamação. As ditas escolas do crime mantiveram-se imperturbáveis.

Como se estas afirmações fossem meras banalidades, mais ou menos consensuais que não vale a pena discutir - um típico assunto de Verão.

Já anteriormente Pacheco Pereira tinha proposto que a corrupção - um dos principais problemas do sistema político português - fosse um dos temas principais das próximas campanhas.

Deveria sê-lo. Estamos à espera do que a dra. Manuela Ferreira Leite tem a dizer. A política que o actual Governo seguiu a este respeito é uma daquelas que ela deveria rasgar em bocadinhos muito pequeninos, mas não vemos grande entusiasmo para esses lados. Nem sobre o dr. Dias Loureiro conseguiu tomar uma posição que se percebesse.

Ora a produção em série de Dias Loureiros pelos partidos dominantes (ou o controlo dos Dias Loureiros sobre os partidos) é precisamente o tema de Pacheco Pereira.

As carreiras criminosas começam nas jotas: são o primeiro passo para os grandes negócios escuros, depois do tirocínio num lugar de assessor ou vereador numa Câmara ou nos outros lugares (empresas públicas municipais ou estaduais) que os partidos do poder consideram seus. Também se descreve com muita precisão como as ferozes lutas dentro dos partidos são uma luta por poder e por lugares e como isso envenena toda a gestão da coisa pública.

No PS ou no PSD ou, em menor escala, no CDS/PP. O resultado são os Freeports. Ou o BPN, onde de repente o saque se tornou quase sem limites com base num sentimento de impunidade que parecia inteiramente justificado. O debate sobre a corrupção é por isso o mais importante dos debates que podemos ter em Portugal.

Porque existe? Estará a crescer ou mostra uma tendência para a estabilidade? Até que ponto impede ou prejudica o crescimento da economia? Que medidas podem ser tomadas?

Que é importante, é.

Como se demonstra no relatório do Conselho de Prevenção da Corrupção, os maus hábitos instalaram-se na função pública. Não se trata dos funcionários serem honestos ou desonestos, trata-se da tolerância institucionalizada e generalizada da corrupção. Corrupção em cima com os grandes negócios, corrupção em baixo com as pequenas traficâncias.

Tudo isto tem uma importância decisiva para o modo como funcionam as empresas e a economia em Portugal. Ajuda a explicar o inexplicável.

O motivo pelo qual a chegada dos fundos estruturais e outras ajudas comunitárias não chegaram para qualquer crescimento da economia portuguesa. As razões da sua estagnação persistente que é anterior à crise actual.

O que não quer dizer que se consiga discutir seja o que for: os interesses instalados à volta da corrupção (e as suas agências de comunicação) não podem impedir que de vez em quando os clamores contra a corrupção encham os órgãos de comunicação. Mas mostram uma grande eficácia em transformar estas ondas de indignação em fogachos que duram pouco e em limitar o seu espaço na comunicação social.

O silêncio com que foram recebidas estas acusações de Pacheco Pereira é a melhor prova dessa eficácia.

*Fiscalista

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Tolerância,Provas, Presunções, perversões
impertinente (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:21 | Quarta feira, 29 de julho de 2009
Estão cheios de razão P.Pereira e S. Sanches. Mas são vozes de intelectuais clamando no deserto. E a cultura da corrupção ( lato sensu) está instalada a todos os níveis. O cum cidadão português não só aceita como exalta aqueles que são suspeitos de desonestidade. As razões são fundas e vêm de muito longe. Mas, em termos gerais, sociais, alguns factores contribuiram e contribuem para esta geral aceitação. Entre estes não é de somenos o da jurisdicionalização de tudo. Entender a vida social e política como se fosse um tribunal e mais, comportar-se em relação ás personalidades públicas como se estivéssemos sempre num julgamento penal. Mal digo ( ou escrevo aqui, por exemplo)que não tenho confiança na honestidade do político A ou B, logo me caem em cima: "Tem PROVAS? Isso ainda não está PROVADO" ou então, pior: "Isso já prescreveu". Ou, mais em geral e tolamente "Ainda não foi condenado, goza da PRESUNÇÃO DE iNOCENCIA, portanto está inocente."
COMO SE É socialmente INOCENTE ATÉ TRANSITAR EM JULGADO A ÚLTIMA SENTENÇA DO ÚLTIMO TRIBUNAL, isso leva muitos anos e os suspeitos se mantêm nos lugares que ocupam durante todo o tempo, tudo se passa, de facto, como se fossem honestos.
Não só todos se comportam como se andássemos todos em julgamento penal como pervertemos e aplicamos parvamente os princípio deste. Como será que as pessoas entendem que no processo penal se prendam preventivamente os presumidos inocentes? Que horror!

Nada a fazer...

 
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As escolas do crime
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:09 | Quarta feira, 29 de julho de 2009
Eles falam, falam, mas eu não os vejo a fazer nada. Não há pela certa interesse daqueles que têm a responsabilidade e a possibilidade de modificar este estado de coisas. A Justiça não funciona ou no mínimo já não se acredita nela e deixou de ser respeitada e só é temida por alguns que não tendo dinheiro para um bom advogado, são os que pagam as custas de toda esta embrulhada. Estamos a viver um período muito identico à I Républica antes do aparecimento do Estado Novo. No entanto parece não termos aprendido nada com 48 anos de ditadura. Há 36 anos na euforia da revolução era difícil acreditar que íamos chegar a esta estado. Muitos dos politicos que hoje se encontram na ribalta erguiam na época o punho cerrado e gritavam a plenos pulmões frases que hoje são capaz de os fazer corar de vergonha. Não fui eu que disse que o poder corrompe.
 
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Pois...O Pacheco...pois...
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 20:03 | Quarta feira, 29 de julho de 2009
Sabem há quantos anos vejo estes artigos nos jornais?
Pois... anos demais!
Será possível que alguém prove alguma coisa e condene quem tem de ser condenado antes de mais!
Ainda não estão fartos de linchamentos na praça pública?
Vamos ver se nos entendemos!
Sou contra todo o tipo de corrupção, mas a justiça não acha que antes destas acusações tem que saber exactamente o que aconteceu com Fátima Galante e Hernâni Patuleia?
O que aconteceu com a secretaria de Cunha Rodrigues?
O que aconteceu com os processos de pedofilia que desapareceram do tribunal de Cascais de Jorge Rito?
A sistemática violação do segredo de Justiça em que Fernando Negrão acabou deputado do PSD, ou a director da PJ que tem amigos jornalistas que gravam conversas que nem em mesa de café se devem ter…
Bem… a lista nunca mais tem fim e eu só tenho 1500 caracteres.
Este é o problema das pedras e dos telhados de vidro, só dão trabalho a vidraceiros nada mais!

PS. Não pensem que não acredito na corrupção dentro desses e doutros partidos, quem vive no conselho de Almada ou Seixal conhece o PCP de ginjeira, o problema é que todas estas figuras repetem o mesmo faz décadas e o resultado vem já a seguir…
Parece que a corrupção existe para que eles tenham alguma coisa para escrever nos jornais e arranjarem a vidinha e se algum dia existir um real combate… Aí, Jesus sobre o que é que eu vou escrever para a semana na minha crónica…
  Como acabou o Alfredo Pequito versus Bayer …pois…
 
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    Re: Pois...O Pacheco...pois...    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 12:46 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
Antes de atacar a corrupção...
Kurrusivo (seguir utilizador), 1 ponto , 16:18 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
...é absolutamente necessário tratar da justiça (que também é uma valente corrupta).
É inaceitavel que um juiz de ordem de prisão preventiva a um cidadão (no casa a sra Fatima Felgueiras), suspeito dos mais variados crimes e no fim este seja absolvido. Afinal quais foram os indícios que levaram um juiz a decidir pela prisão preventiva? Onde está a responsabilidade e a parcimonia dos juizes?
Depois há as "coincidencias": Quando está o PSD no poder, os militantes do PS são todos pedófilos (até o PR!), os autarcas corruptos, etc. Quando está o PS, é o Dias Loureiro, o abate dos sobreiros e as casas de ferias na arrabida dos dirigentes do CDS, etc.
No final, faz-se os processos durar o tempo suficiente por forma a mudar o cor do governos e todos serem ilibados.
Alguém ainda tem duvidas que no caso casa pia o unico condenado vai ser o "Bibi" (que por "coincidencia" é o unico que não é um "notavel" da sociedade Portuguesa)?
O nosso sistema judicial está tão (ou mais) infestado de corruptos como o político. Depois admiram-se de serem desprezados pela gente de bem. Estamos a precisar de um (outro) Marinho Pinto como PGR, para limpar o ministério publico.
Só com o minstério publico (e os tribunais) livres dessa gente e não susceptiveis a pressões, poderemos então começar a tratar da corrupção, condenando a anos de prisão alguns figurões da nossa praça e se perca a CERTEZA DA IMPUNIDADE que hoje existe.

Kurrusivo
 
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Ó meu amigo...
archie (seguir utilizador), 1 ponto , 19:04 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
Claro que as figuras públicas, dizem e escrevem aquilo que o povinho gosta de ler e ouvir. Na prática todos os que vão para a politica é mais pelo dinheiro fácil que pela idealogia. O senhor sabe isso muito BEM. Basta ver a troca de partidos que essa gentinha, sem pudor, se sujeita. Ultimamente até o BE está a gerar novos "alunos do crime" que se mudam para não perder mordomias.Também os magistrados se tornaram umas verdadeiras estrelas do pequeno ecran. E porquê? É que neste caso já mexe com ambições na carreira e quem sabe, num bom futuro politico.NÃO É senhor doutor?
 
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Não há pachorra
NãoHáInocentes (seguir utilizador), 1 ponto , 16:21 | Sexta feira, 31 de julho de 2009
O cronista escandaliza-se que o que escreve o Dr Pacheco Pereira seja olímpicamente ignorado pelos portugueses. Ora eu, que sou um português médio, não só ignoro tudo o que o Dr Pacheco Pereira escreve como já, sensatamente, deixei de o ler. Incomoda-me a indignação com que o Dr Pacheco Pereira escreve acerca de tudo o que se mexa, com a suspeita excepção de alguns dirigentes do PSD. Deprime-me o pessimismo que borrifa por todo o lado, como um regador automático. Irrita-me o seu pretensiosismo, que começa logo com a citação que coloca no início das suas crónicas em que invoca desde logo, dois bichos repelentes como a lagartixa e o jacaré. E aflige-me a enorme importância que atribui a esse gigantesco e colectivo exercício de masturbação intelectual que é a blogosfera.
O Dr Saldanha Sanches é apenas um pouco mais arisco e menos mofento. Mas também parte de preposições não fundamentadas para conclusões que pretende irrefutáveis. Ninguém, com o mínimo de inteligência e bom-senso, o pode levar a sério. Há políticos desonestos? Duuhh... São todos? São formados pela partidocracia para o serem? Ok, sim, vai falando... Há corrupção? Duuhhh... Portugal é um país de corruptos? Tá bem, vou ali e já venho.
PS: Portugal, na verdade, está classificado pelo organismo internacional que mede os índices de corrupção no Mundo, em 28º lugar dos países menos corruptos do planeta, à frente, por exemplo, da Itália e muito próximo dos EUA. Mas isso, para o PP e o SS, não interessa para nada!
 
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    Re: Não há pachorra    Ver comentário
Nanquim (seguir utilizador), 1 ponto , 5:23 | Sábado, 1 de agosto de 2009
novidade
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:37 | Sexta feira, 31 de julho de 2009
Exmo sr dr Saldanha Sanches acha isto uma novidade.
Novidade era alguem por tudo isto nos eixos.
 
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