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As eólicas e o mau tempo

Luís Mira Amaral (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 6 de fevereiro de 2010

Noticiava o Expresso que estávamos a dar a preço zero electricidade a Espanha. A culpa seria do mau tempo e do Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL). A história está mal contada.

Existe uma elevada correlação entre vento (que produz electricidade eólica) e chuva (que enche as albufeiras), tal como entre secas e ausência de vento. No fundo, água e vento têm o mesmo combustível: as depressões atmosféricas... Tudo isto tem explicado o prof. Pinto de Sá do IST no seu magnífico blogue http://a-ciência-nao-e-neutra.blogspot.com.

Tivemos, numa convergência normal, muito vento e também muita chuva, a qual, enchendo as albufeiras, não permitiu que estas fossem utilizadas para armazenar a água que seria puxada para elas por bombagem alimentada por essa electricidade eólica em excesso. É essa água que é normalmente descarregada produzindo electricidade nas horas de maior consumo. A água é assim a forma de acumular habitualmente a electricidade em excesso.

Nós portugueses pagamos a electricidade eólica aos produtores, em contratos leoninos a preços entre 60 e 93Mwh, precisemos ou não dela, através dos custos gerais do sistema, suportados pelos consumidores. Como não precisámos da energia e não a conseguimos armazenar, tivemos que a passar para Espanha durante treze dias de Dezembro a preço zero durante as horas de menor consumo e a 30-40€/Mwh nas outras horas! Como o 'camarada' Zapatero professa a mesma ideologia eco-utópica, também teve o mesmo tipo de problemas e por isso não precisava muito dela. Por outro lado, a França que tem no nuclear a sua energia 'verde' também não necessitava da nossa electricidade. Assim sendo, a culpa não é do MIBEL. Se bem que ele esteja longe de ser um verdadeiro mercado, aqui até funcionou bem no jogo da oferta e procura que ditou o preço da nossa exportação!

Tudo isto resulta do excesso da eólica que já temos cá. Nos países que têm eólicas e que fazem planeamento a sério (caso da Dinamarca que só tem 20% de eólica) tal teria sido acautelado. Por cá, o resultado está à vista! Tal, além de nos levar quer a preços elevados contribuindo para o défice tarifário, que é uma bola de neve crescente, quer à instabilidade da rede que nos conduzirá a apagões, não se resolve só com o reforço das barragens existentes ou com as novas albufeiras em construção. Precisaríamos para acumular toda essa água nesses períodos críticos de albufeiras de grande dimensão, o que é inviável num país pequeno.

A propósito ainda do mau tempo, um grande especialista de ventania mediática desapareceu durante os temporais no Oeste, deixando os engenheiros da EDP a tentar explicar a falta de investimento nas redes de distribuição e a resposta muito lenta da empresa ao temporal, mas reapareceu como treinador de futebol num jogo a favor do Haiti. Realmente isto de haver redes físicas nas utilities (em vez de apenas realidade virtual) é uma grande maçada...

Luís Mira Amaral  

Texto publicado na edição do Expresso de 30 de Janeiro de 2010

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sou a rosa e não estou a gostar nada disto
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 2 pontos , 22:03 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
também o senhor engenheiro a bater no senhor engenheiro e assim é demais e que o senhor engenheiro fale alto nos restaurantes tudo bem e agora também mandou fazer aquelas ventoínhas da electricidade a mais e isso digo eu já é demais e até porque ele costuma pôr a menos e veja-se o deficite e ainda por cima ele agora coitadinho anda tão preocupado com a pelintrice que se me saír o euromilhões mando pagar aquilo da madeira e acaba-se o problema e já agora o senhor engenheiro pode por favor mandar substituir a fotografia até porque o senhor é mais bonito que o outro senhor que se diz todo bom
 
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As fotos trocadas deve ser para baralhar
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos , 22:13 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
Já estou como a Rosa Engeitada o Expresso não acerta
mesmo, quando escreve o Amaral a fotografia é do Todo Bom e vice ou versa.
 
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A histórica continua a estar mal contada...
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 15:10 | Domingo, 7 de março de 2010
...ainda que este artigo do Eng. Mira Amaral a conte melhor do que os jornais. O problema é que culpar o excesso de eólica pelo sucedido também não é contá-la muito bem: se o país quer um fornecimento razoável e estável de energia eléctrica por via eólica nos tempos normais então tem que sobre-dimensionar ligeiramente a potência da mesma para acautelar os períodos em que os regimes de vento são desfavoráveis... o que naturalmente conduz à produção em excesso quando os regimes forem muito bons. A maneira correcta de contar a história é portanto desdramatizar a venda de energia por preço zero como Mira Amaral fez, o que também implica que não há culpas a distribuir.

O que precisa de ser melhor contado é a história dos contratos leoninos. Este foram criados para fomentar o rápido desenvolvimento da energia eólica, mas isso não significa que não tenha havido reflexão nos mesmos. Não é qualquer produtor que pode fornecer energia eléctrica, eles têm que ganhar uma concessão, por mais pequena que seja, sujeita a condições do cliente REN. Mira Amaral parece implicar que toda e qualquer electricidade produzida por estes meios tem que ser sempre comprada mesmo que não necessária. As minhas dúvidas de leigo sobre se isto é mesmo assim, exigem saber mais: quais foram os pressupostos que fundamentaram estas práticas, e porque é que eles falharam?

PS.: Noto a referência positiva ao blog de pintosa,... que por sua vez já tinha defendido MA, aquando da "falácia dos 43%" :-)
 
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