|
|
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
18:33 Quinta feira, 19 de janeiro de 2012
|
Todos os dias os portugueses são assaltados (literalmente) com notícias desmotivadoras e dececionantes como escândalos de corrupção e compadrio, aumento de impostos, interesses de grupos a dominar o Estado, cortes salariais e de subsídios, aumento do custo de transportes públicos, entre outros. Enfim, os muito ricos continuam muito ricos (ou até mais) e o resto das classes sociais descem, pelo menos, um andar, cada vez mais anoréticos apesar da fome, cada vez mais esganados e sem perspetivas de um balão de ar fresco.
Assim, começamos um novo ano sem grandes expectativas. Contudo, temos duas opções extremas: ou nos deixamos cair em depressão profunda que só nos leva à ociosidade, ou atuamos e nos automotivamos, porque, se não o fizermos, ninguém o vai fazer por nós.
Em situação de crise descobrimos que a nossa capacidade de nos reinventarmos e de superarmos momentos agoniantes vai além do que imaginávamos. Muitas vezes até descobrimos vantagens competitivas que nem sabíamos que tínhamos. Apesar de ser cliché, a criatividade e a proatividade são fundamentais para sobrevivermos e, quem supera uma crise, torna-se mais forte.
A busca de soluções criativas não é uma opção, é uma obrigação. Foi o que fez o Grupo Natura IMB Hotels que, com a aplicação de portagens nas SCUT, resolveu compensar as desvantagens recentemente criadas aos seus clientes, criando valor para ambas as partes. Desta forma, pagam as portagens aos turistas que escolhem a Serra da Estrela como destino durante todo o ano. O reembolso do valor das portagens é feito à chegada, através de um cheque oferta a descontar em futuras estadias.
Se a palavra do ano é "austeridade", a palavra "empreendedorismo" não lhe pode ficar atrás.
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
10:53 Segunda feira, 9 de janeiro de 2012
|
A apresentação do Programa Braga 2012: Capital Europeia da Juventude, ocorreu no dia 7 de janeiro, no GeNeRation, antigo quartel da GNR, na cidade de Braga.
O Fórum Europeu da Juventude atribui anualmente o título Capital Europeia da Juventude a uma cidade europeia. Para 2012 foi selecionada a "cidade dos arcebispos" que durante este ano vai ter a oportunidade de mostrar a vida e desenvolvimentos culturais, sociais, políticos e económicos inerentes aos jovens.
Depois de uma pequena encenação teatral e animação, o vereador Hugo Pires responsável pelos pelouros da juventude, gestão urbanística e renovação urbana da Câmara de Braga, também ele presidente da Fundação Bracara Augusta, entidade gestora da Capital Europeia da Juventude, deu inicio à apresentação do programa em causa.
O Programa da Capital Europeia da Juventude assenta em três eixos: desenvolvimento integral do jovem, em que se aposta nas suas qualificações, dando-lhe mais ferramentas para enfrentar o mercado de trabalho, através da inovação, empreendedorismo, emprego, indústrias criativas e educação; reflexão dos jovens sobre o futuro das cidades, sobre a sua qualidade de vida e inclusão social; dimensão europeia e internacional do evento que integra questões ligadas ao multiculturalismo, ao património, às políticas europeias da juventude, à mobilidade dos jovens, à educação não-formal, entre outros.
Para o vereador é um "momento que presta homenagem ao futuro da Europa e tem como prioridade sensibilizar toda a sociedade para o contributo que os jovens trazem e podem trazer à comunidade local, nacional e europeia". Sendo o mote do programa a juventude, Hugo Pires não deixou de considerar que "estamos perante a geração mais escolarizada, tecnologicamente mais avançada e mais cosmopolita" mas que esta mesma geração também é uma "geração desencantada, individualista, onde o espírito de sobrevivência se impôs por força das circunstâncias". Desta forma, para o vereador é essencial dar esperança aos jovens portugueses e apresentou Braga 2012 como a "oportunidade para afirmarmos a garra e a criatividade dos nossos jovens".
Assim começa o novo ano a cidade de Braga que, apesar de contar com mais de dois mil anos de história, é a Capital Europeia da Juventude 2012. Inicia o ano com um projeto rico, proativo, inovador, empreendedor e, acima de tudo, com muita esperança.
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
16:20 Quinta feira, 5 de janeiro de 2012
|
Sempre associei a marca Coca-Cola a boa disposição, diversão, defesa dos direitos humanos, apoio a causas sociais, otimismo e motivação. Pelo menos, é desta forma que a sua publicidade e marketing se manifestam.
Acontece que alguns ativistas defensores dos direitos humanos se insurgiram contra a Coca-Cola pelo facto de apoiar o ditador da Suazilândia, Mswati III, o último monarca absoluto de África. Esta manifestação aconteceu quando a marca convidou o ditador a visitar a sede da Coca-Cola em Atlanta, nos Estados Unidos. Este mesmo ditador permite comportamentos violentos no seu país, em que os seus opositores são presos e torturados. A Amnistia Internacional já denunciou casos de tortura extrema por parte da polícia. Apesar do ditador ter uma fortuna avaliada em 100 milhões de dólares, a fome é uma realidade deste país e tem uma das taxas mais elevadas de infeção pelo HIV. A Coca-Cola em sua defesa alega que não controla a forma de emprego do dinheiro que paga em impostos ao Rei.
Os consumidores conseguem perceber isso, só não conseguem dissociar os factos. A verdade é que os fins não justificam os meios e que os valores humanos - felizmente - continuam a prevalecer.
Será por isso que nos faz uma certa confusão que a Three Gorges tenha comprado 21,35% da EDP? Pelo facto da China ser um país de partido único cujos direitos humanos são constantemente violados? Será um medo (in)consciente que deste acordo se percam alguns dos nossos valores ou que de certa forma estamos a compactuar com os seus valores e com o desacato dos direitos humanos? Como é que eticamente conseguimos gerir esta incongruência?
Para Portugal desejo uma defesa possante dos nossos tão bons valores. Estamos numa posição adversa relativamente à crise, mas no que toca à defesa dos direitos humanos somos um país desenvolvido. Ah, também desejo que se fale a língua portuguesa em Portugal quando recebemos individualidades estrangeiras!
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
19:11 Sábado, 17 de dezembro de 2011
|
O Secretário de Estado do Empreendedorismo , Carlos Oliveira, afirmou que este Governo não acredita que deve ser o Estado a financiar as empresas, até porque não tem crédito para tal, na conferência "Dia da Competitividade em Portugal", organizada pela AIP (Associação Industrial Portuguesa), AEP (Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria), e pela CIP (Confederação Empresarial de Portugal). Mas as empresas não contribuem para a economia do país, com postos de trabalho, impostos e, indiretamente, para a diminuição de problemas sociais? Não é através do investimento, seja ele qual for, que se obtém retorno?
Posto isto, não há outra solução para as micro, pequenas e médias empresas senão procurarem investidores, como já o fazem. Sem dúvida que as associações, centros tecnológicos e de formação, e instituições vocacionadas para a inovação e empreendedorismo têm tido um papel crucial na vida de muitas empresas. É através destes que os empresários obtêm informações, formação e qualificações que de outra forma não conseguiam, assim como o acesso a programas de financiamento.
Falando especificamente nas start-up, as nossas empresas bebés, ligadas normalmente à investigação e desenvolvimento, que contribuem com ideias boas e inovadoras, precisam que lhes depositem confiança, isto é, que invistam nelas, porque podem vir a contribuir em muito para o nosso país. É certo que há um risco envolvido, mas também possuem, normalmente, uma expectativa de crescimento muito grande quando correm bem.
Se é verdade que existem alguns programas de financiamento, feiras de empreendedorismo onde os empresários fazem o pitch - termo da moda - para potenciais investidores, será que é verdade que há um interesse e uma procura inversa? Esta é uma realidade mais americana, em que investidores e famílias milionárias apoiam determinadas empresas.
Mas como estamos no mês em que se fala às almas mais generosas e os corações se tornam mais moles, porque não apelar ao investimento em empresas recém-nascidas, que têm muito para dar e só precisam de uma oportunidade?
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
10:12 Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
|
A consultora Ernst&Young através do trabalho "E&Y Portuguese Attractiveness Survey 2011", constatou que a captação de Investimento Direto Estrangeiro caiu 46% em 2010, relativamente ao período homólogo, e foi o pior dos últimos seis anos. As justificações de Portugal para este desempenho podem ser a ausência de crescimento económico, o aumento de impostos e os níveis elevados da dívida pública.
Por outro lado, incentiva-se a internacionalização das empresas como uma das soluções para a economia portuguesa. Há várias formas para as empresas se internacionalizarem, como a criação de subsidiárias - normalmente envolve um risco e investimento muito elevados - a colaboração com outras empresas - que envolve um risco intermédio - como o franchising, as joint ventures, os consórcios, a subcontratação e as licenças de exploração.
O modo mais direto da internacionalização e que, em princípio, envolve um risco mais controlado, é a exportação. As exportações têm como vantagens melhorar a competitividade no mercado interno, aumento de vendas e dos lucros, diminuição da dependência do mercado interno, melhoria no escoamento da capacidade ociosa e menor impacto da sazonalidade, possibilidade de contacto com novas tecnologias e aumento da quota de mercado. São apontadas como desvantagens: o retorno poder ser apenas a longo prazo, necessidade de adaptação dos produtos, necessidade de uma equipa especializada e obstáculos burocráticos.
Contudo, nem todas as empresas estão preparadas para a internacionalização, porque é um processo que envolve competências internas da empresa e um investimento para que se concretize. Por outro lado, também se tem verificado um abrandamento económico nos países para os quais Portugal exporta. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, entre julho e setembro, as exportações portuguesas de bens avançaram 13%, sendo inferior às taxas acima dos 17% verificadas nos dois trimestres anteriores. Isto acontece porque os países desenvolvidos estão a perder quota de exportação para os países emergentes, como a China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia.
A internacionalização das empresas é, sem dúvida, fundamental para a economia do país e não só. Contudo, não nos devemos esquecer e valorizar as empresas que, apesar de não contribuírem para as exportações do país de uma forma direta, contribuem para a diminuição do volume de importações de Portugal.
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
9:04 Segunda feira, 21 de novembro de 2011
|
A mulher portuguesa foi dando lentamente passos determinantes ao longo da nossa história. Direitos que agora temos como naturalmente adquiridos e nem nos passa pela cabeça ser de outra forma, foram nunca sonhados pelas nossas antecessoras. Luta após luta, décadas após décadas, até chegarmos aos dias de hoje e, mesmo assim, ainda há muito a fazer. Nem tudo o que está imparcialmente e equitativamente escrito no papel passou para os comportamentos, mentalidades e oportunidades.
Realço anos marcantes como 1890, em que foi regulamentada a lei que autorizava o Governo a criar escolas femininas do ensino secundário; em 1906 cria-se o primeiro liceu feminino que iria servir de modelo aos futuros liceus femininos, o Liceu Maria Pia; em 1920 as raparigas são autorizadas a frequentar liceus masculinos; em 1926 as mulheres passam a poder lecionar em liceus masculinos; em 1931 há o reconhecimento do direito de voto às mulheres diplomadas com cursos superiores ou secundários enquanto que aos homens continuou a exigir-se apenas que saibam ler e escrever.
Em 1966 é aprovada para ratificação a Convenção nº 100 da OIT (Organização Internacional de Trabalho), relativa à igualdade de remuneração entre mão de obra feminina e masculina para trabalho de igual valor; em 1968 dá-se a declaração da lei que proclama a igualdade de direitos políticos do homem e da mulher, seja qual for o seu estado civil. Contudo, em relação às eleições locais permanecem as desigualdades, sendo apenas eleitores das Juntas de Freguesia os "chefes de família".
Em 1974 três diplomas abrem o acesso das mulheres a todos os cargos da carreira administrativa, à carreira diplomática e à magistratura, e são abolidas todas as restrições baseadas no sexo quanto à capacidade eleitoral dos cidadãos; em 1976 há a entrada em vigor da nova Constituição, que estabelece a igualdade entre homens e mulheres em todos os domínios; em 1978 a mulher deixa de precisar da autorização do marido para ser comerciante; em 1979 há a entrada em vigor da lei que visa garantir às mulheres a igualdade com os homens em oportunidades e tratamento no trabalho e no emprego, e há a nomeação da primeira mulher para o cargo de Primeiro-Ministro, a Eng. Maria Lourdes Pintasilgo.
Hoje, já temos algumas mulheres a mostrarem o seu valor como administradoras de empresas em áreas predominantemente lideradas por homens, como empresas tecnológicas, industriais e da construção civil.
É inevitável não nos questionarmos, como seria o nosso país, a Europa e o mundo se desde sempre as mulheres tivessem tido os mesmos direitos e oportunidades que os homens?
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
9:49 Sexta feira, 11 de novembro de 2011
|
Já passaram praticamente 10 anos desde que adotamos o Euro ou, como preferirem, que o Euro nos adotou. Quem não se lembra de ir ao banco trocar Escudos por Pesetas para um passeio no país vizinho? E do período de transação em que uns faziam contas rápidas de cabeça enquanto que outros delegavam essa tarefa para pequenas máquinas conversoras?
Quem não tem em casa uma pequena coleção de notas e moedas em Escudos como recordação?
São apontadas várias vantagens ao Euro como: os salários, poupanças e reformas são mais estáveis visto o Euro ser mais estável; torna a Europa mais competitiva no comércio internacional; facilita o comércio o que contribui para o desenvolvimento de todas as atividades e aumento de oportunidades de emprego; torna a economia de cada país mais estável; eliminação de flutuações das taxas de câmbio; os empresários têm maior facilidade em planear as suas decisões de investimentos; eliminação de vários custos de transação: operações nos mercados cambiais, operações de cobertura, pagamentos transacionais, contabilidade plurimonetária; transparência nos preços; maior concorrência devido à facilidade de comparação de preços; maiores oportunidades para os consumidores na facilidade de viajar sem necessidade de câmbio de moeda e custos inerentes, conjugados com os progressos do comércio eletrónico; oportunidades mais atraentes para investidores estrangeiros; o Euro contribui para a criação de um mercado único para os operadores financeiros, como bancos e seguradoras, e por outro lado, passa-se de mercados nacionais de capital pequeno e fragmentado para mercados financeiros mais vastos e fluidos; estabilidade dos preços; finanças públicas sólidas; taxas de juro baixas; e é uma fator aglutinador e de paz pois aproxima pessoas e nações.
São referidas algumas desvantagens ao Euro como a perda de soberania sobre a taxa de câmbio e a taxa de juro; aumento da concorrência entre as empresas e os setores; e a grande interdependência dos mercados da União Europeia aumentando o risco sistémico porque em caso de recessão os efeitos da sua propagação são maiores. Já ultrapassamos grande parte das desvantagens do Euro numa fase inicial, que estavam associadas ao período de adaptação, que implicou um grande investimento.
As desvantagens desta fase de adaptação ao Euro seriam as mesmas que teríamos de fazer agora se quiséssemos fazer um retrocesso. Contudo, neste momento não faz grande sentido pensarmos nisto visto termos a obrigação de pagar a elevada dívida externa e os respetivos juros do nosso país. Primeiro temos de honrar os nossos compromissos de pagamento da dívida e tornarmo-nos independentes financeiramente. O objetivo é olharmos para a frente e não para trás.
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
16:19 Quinta feira, 3 de novembro de 2011
|
Há pouco ouvia uma mãe a queixar-se que o filho de seis anos não come fruta nem legumes porque não gosta e não adianta insistir porque faz logo uma birra. Esta atitude leviana é confortável de forma a obter uma convivência serena com a pequena peste, mas não vai ser bom para o seu futuro.
Isto fez-me lembrar alguns conflitos atuais entre partidos, que de alguma maneira tentam eriçar ainda mais as pessoas já insatisfeitas e desmotivadas com a situação atual do país, apelando de alguma forma a manifestações de rua. Parece-me que manifestações de rua e democracia não combinam. Explico-me.
Antes de mais é verdade e legítimo que em democracia temos o direito de liberdade de expressão e a manifestação de rua é uma forma de o fazer. Por outro lado, foi-nos dada a oportunidade de nos manifestarmos através do voto, como determina a nossa Constituição.
O Governo que toma decisões, quer sejam do nosso agrado ou não, foi legitimamente eleito pela maioria e não é obrigado a seguir as vontades de quem o elegeu, porque governar implica ter a perspetiva de um futuro a longo prazo. Caso contrário parece a mãe que referi em cima. O Governo tem de ter a coragem de fazer escolhas difíceis quando é o melhor para o país e não desejar a popularidade fácil e imediata.
Os governos não podem ceder às manifestações de rua. Somos civilizados, refletimos e temos ideias. Um grupo de manifestantes de rua - quase sempre em número reduzido - com cartazes e frases feitas não é construtivo. Além disso, há quase sempre desacatos e confrontos o que tira automaticamente credibilidade e respeito a quem participa.
Uma manifestação de ideias em papel, bem estruturada e transmitida já parece ser produtivo, ordeiro e útil para o Governo. Qualquer governo precisa de tempo para semear para depois chegar a altura de colher. Temos de nos unir, confiar e contribuir para a estabilidade do país.
Henrique Granadeiro, chairman da PT, em entrevista ao Jornal de Negócios, disse que aquilo que define o sistema político português é a "instabilidade, a conflitualidade e a ineficácia". Para o gestor "há uma correlação direta entre a duração dos ciclos políticos e a capacidade de organizar o desenvolvimento". Observa que quanto mais duram os governos, maior é o crescimento real do PIB.
Cavaco Silva quando Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995 conseguiu uma taxa de crescimento média anual do PIB de 4,5%, enquanto Mário Soares como Primeiro-Ministro entre 1983 e 1985 obteve um crescimento negativo do PIB de -1,5%, o que demonstra que, de facto, há uma correlação positiva entre a estabilidade do Governo e o crescimento económico do país.
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
11:12 Quarta feira, 19 de outubro de 2011
|
No dia 18 de outubro deram-se as II Jornadas AEP (Associação Empresarial de Portugal) no Auditório da Fundação de Serralves, no Porto. O tema destas Jornadas consistiu na reindustrialização do país.
Relativamente às sessões "Que industria em Portugal?", as ideias principais que ficaram patentes foram a necessidade de: internacionalização; diferenciação, busca de novos mercados e clientes; inovação através de recursos externos e internos; parcerias com universidades ou centros de investigação nacionais e internacionais; atingir patamares elevados de excelência como chave do sucesso; e envolver os colaboradores no plano estratégico das empresas de forma a atingirem níveis elevados de motivação e a reterem os recursos humanos.
O Eng. José Manuel Fernandes, da Frezite, salientou a importância da indústria no país e referiu que não se pode sustentar a base terciária da economia se não há uma base industrial forte. Acrescentou que houve sempre "tecnocratas que dizem o que se deve ou não fazer, quando são as empresas que devem criar os seus programas de desenvolvimento". Para este as empresas têm de gerar "um perfil de customização" (ferramenta referida várias vezes durante as jornadas) de forma a terem "maior resistência à má qualidade de quem nos governa".
A Prof. Doutora Purificação Tavares, da CGC Genetics, referiu que os portugueses têm a vantagem competitiva de facilmente se adaptarem a diferentes mercados. Confidenciou que, por vezes, o facto da localização de empresas altamente tecnológicas ser em Portugal se torna uma barreira por mero preconceito.
As Jornadas AEP foram encerradas pelo carismático Eng. Belmiro de Azevedo que cada frase sua tem peso nos ouvidos de quem o escuta porque, concordando ou não com o que diz, merece reflexão das suas palavras. Disse que a economia portuguesa desindustrializou-se a partir da década de 80 e que o crescimento económico deu-se "de uma forma rastejante" na última década. Para o engenheiro discutir a industrialização é importante desde que "não se resvale na nostalgia".
Referiu a necessidade de se tirar vantagens dos recursos naturais do país, como o clima, o Sol, a paisagem, as praias, o mar, a floresta, e a mão de obra menos qualificada que está massivamente desempregada e que "há décadas que tem sido esquecida". Relativamente às indústrias tradicionais refere que, para que sejam altamente competitivas, têm de ser inovadoras e investirem em novas tecnologias.
Para o empresário Portugal tem condições para ser um campeão da competitividade, mas sem crédito não há crescimento, muito menos crescimento sustentado, indispensável para a reindustrialização. Para este são fundamentais três aspetos: reequilibrar as finanças públicas - e com as contas públicas certas e auditadas, mantermo-nos no euro e responsabilizar os altos governantes nos casos de corrupção.
Para o empresário aumentar os impostos não é o caminho mas sim uma forma de garantir que a despesa pública possa ser alimentada no presente e no futuro. Para o final salientou a importância de haver comunicação com os contribuintes por parte do governo, para não haver surpresas como agora, e haver um compromisso do governo em manter o rating de triplo A.
|
|
|
|
Ana Campos (www.expresso.pt)
|
9:00 Quarta feira, 5 de outubro de 2011
|
Este é o 101º aniversário da Implementação da República que se deu no dia 5 de Outubro de 1910. Neste dia, através de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano, aboliu-se a Monarquia e institui-se a República.
Foram vários os motivos que contribuíram para que a revolução republicana acontecesse, como a incapacidade do país em evoluir e se modernizar. De facto, era contraditório Portugal ser um país rico devido às vendas de especiarias, do ouro, dos diamantes, do café e do cacau, por exemplo, e não conseguir acompanhar o crescimento de outros países europeus. O que acontecia é que este dinheiro era gasto de uma maneira que não contribuía para o desenvolvimento económico do país: construção de palácios, igrejas, mosteiros e fortes.
Por outro lado a burguesia portuguesa, ao contrário da burguesia de países como a Bélgica e a Holanda que aproveitaram a colonização para se fortalecerem, não se impôs. A nossa burguesia não era suficientemente forte para modernizar o país porque estava bastante dependente do Estado. Nunca foi independente nem liderou. A burguesia foi uma classe bastante empreendedora e importantíssima na Idade Média como força motora para a economia ao introduzir o conceito de capital.
Os lucros que a burguesia obtinha (comerciantes e prestadores de serviços) eram usados para aumentar os rendimentos, através da compra de mais mercadoria ou investimento em equipamentos, de forma a aumentarem a capacidade de produção, empregarem pessoas, produzirem mais bens com o objetivo de multiplicarem o capital. Talvez esta dependência da burguesia relativamente ao Estado português se devesse à nossa ideologia, à propagação da religião cristã e ao alargamento do império e nunca a busca do lucro. Será por isso, que ainda hoje algumas pessoas atribuem uma conotação pejorativa relativamente às palavras "burguês" e "capitalista"?
Mas foi esta conotação e as suas consequências que contribuíram para o atraso do país.
A monarquia caiu mas os problemas permaneceram, tal e qual quando se dá a mudança no governo. Isto significa que os problemas estão nas estruturas, na sociedade, na base da nossa pirâmide que é onde deve estar o motor que faz crescer a nossa economia. Se a sociedade não é informada, responsável, ativa e independente, o Estado concentra os poderes. Por outro lado, é o Estado que tem de proporcionar as bases para que a sociedade disponha das ferramentas necessárias para a sua independência. É um ciclo vicioso. Contudo, este ciclo vicioso pode e deve ser positivo se cada uma das partes cumprir com os seus deveres com responsabilidade, honestidade e vontade em criar riqueza e progresso de forma a mover a economia.
Será que o objetivo da abolição da Monarquia se cumpriu relativamente à evolução e à modernização? Provavelmente não há sequer uma relação. Os países mais desenvolvidos como os países do norte da Europa não aboliram a monarquia, por isso, a implementação da república no que toca ao desenvolvimento da sociedade e da economia não parece ter tido qualquer influência.
|
|
|
|
|
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
|
|
|