Eduardo Capinha Lopes, o arquitecto do centro comercial Freeport, em Alcochete - e cujo ateliê foi alvo de buscas em Janeiro pela polícia -, tem um crédito de €8,3 milhões concedido pelo BPN Cayman, o banco detido pelo BPN no paraíso fiscal das Ilhas Caimão, nas Caraíbas. O crédito de que o arquitecto é o beneficiário não tem qualquer tipo de garantia e está parqueado numa empresa offshore, a Cisco Internacional LLC.
Confrontado pelo Expresso, Capinha Lopes afirma não saber do que se trata. "Não sei que uso andaram a dar ao meu nome". A ligação ao grupo BPN nunca foi escondida. Capinha Lopes chegou a ser o arquitecto preferido por José Oliveira Costa (fundador do grupo e actualmente em prisão preventiva) no que toca a grandes investimentos e projectos, segundo administradores da SLN, antiga detendora do BPN, embora o próprio negue esse estatuto. "Não é verdade e não tenho, de resto, relações com o grupo há pelo menos quatro anos".
No documento a que o Expresso teve acesso, o volume de créditos concedidos sem quaisquer garantias - pelo BPN Cayman e BPN IFI, em Cabo Verde - a offshores ascende a €97 milhões, quase um terço do capital social do BPN.
Da lista de 35 offshores consta ainda o empresário libanês El-Assir - que chegou ao grupo SLN pela mão do actual conselheiro de Estado, Dias Loureiro -, com €8,2 milhões de crédito parqueado em três empresas. Também o empresário Aprígio Santos, presidente do clube Naval 1º de Maio e accionista da SLN, aparece com um crédito sem garantias de €1,8 milhões. Contactado por diversas vezes, o empresário não respondeu ao Expresso. Já Albano Oliveira, antigo colaborador de Oliveira Costa e que consta da lista com €5,6 milhões, diz que não pode falar. "Há um processo e está tudo em segredo de justiça". A maior fasquia - €40 milhões - está em sete offshores cujos beneficiários terão recebido dinheiro para intermediar a venda de 82 quadros de Miró, e que foram parar ao grupo como garantia de um empréstimo.
A informação com as 35 offshores foi enviada a 28 de Dezembro de 2007 ao Banco de Portugal por Francisco Sanches, administrador da SLN, um dos homens de confiança de Oliveira Costa. Sanches declarou na passada semana no Parlamento, onde foi ouvido, que não se lembra de ter enviado o documento.
Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Março de 2009