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Árbitro e jogador?

É do interesse da nossa economia, mas também da nossa democracia, que o maior banco nacional não possa ser transformado em veículo de corrupção ou de favorecimento de interesses particulares. Estado árbitro e jogador? Não obrigado.

Vasco Campilho
9:47 Segunda-feira, 9 de Nov de 2009
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O caso Face Oculta trouxe para o centro do debate público a promiscuidade entre política e interesses privados na gestão de empresas públicas. Logicamente, a ideia de proteger a Caixa Geral de Depósitos do arbitrário governamental regressa também ela à discussão. Que um banco com uma quota de mercado de 30% esteja à disposição de um poder político permeável a interesses particulares é pura e simplesmente aterrador.

Que o Governo - ou alguém por ele - possa escolher quem enriquece e quem se arruína - recordemo-nos do caso Fino - ou sequer influenciar a estrutura accionista de empresas privadas - um exemplo ao acaso, o BCP - deveria ser considerado uma séria ameaça à qualidade da nossa democracia. Este é, afinal, o mais poderoso vector da claustrofobia democrática. Como podemos ter uma sociedade civil independente se o sucesso económico depende da boa-vontade do poder político? E como podemos ter verdadeiro pluralismo político com uma sociedade civil domesticada? E como podemos ter uma democracia funcional com um pluralismo limitado?

Não podemos. E torna-se cada vez mais claro que não temos. Urge, por isso, encontrar formas de desgovernamentalizar a Caixa Geral de Depósitos. A crise financeira tornou a privatização inviável no futuro mais próximo, como o reconheceu o próprio Pedro Passos Coelho, que anteriormente a propôs. Mas a lottizzazione partidária a que o banco tem sido votado também já deu bastas provas de incapacidade em garantir a imparcialidade da sua administração.

Qualquer que seja a forma encontrada para o fazer, isolar a Caixa do poder político é um primeiro passo fundamental para remeter o Estado ao seu papel de árbitro na economia, e dessa forma iniciar a reconstrução de alguma da confiança desbaratada pela classe política. Mas sabemos que isso nunca acontecerá com Sócrates no poder. Afinal, árbitro e jogador é a sua posição favorita em campo.

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Mais democracia para quê?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 12:17 | Segunda-feira, 9 de Nov de 2009
Só não vê quem não quer que a democracia portuguesa peca por excessiva em relação à riqueza de Portugal. Se continuarmos a aumentar o regabofe democrático com com a cada vez maior escassez de recursos para distribuir, aceleraremos a falência do Estado português. Niguém tenha a menor dúvida que a democracia só faz falta na medida em que haja riqueza para distribuir. Para distribuir a miséria que estamos a criar, o que vai fazer falta é menos democracia.
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