Filipe Anacoreta Correia, em nome do movimento Alternativa e Responsabilidade (AR), deixou críticas bem vincadas à liderança, ao estilo e à estratégia de Paulo Portas. E foi bastante aplaudido por isso. Ou apesar disso.
Num congresso onde não está em causa a liderança, depois de umas directas onde Portas recolheu 95%, não deixa de ser surpreendente a boa reacção dos congressistas ao discurso de Filipe Anacoreta, que alertou para o risco de o partido se confundir com o seu líder.
Comparou o CDS a uma família que um pai cheio de qualidades e com projectos sucessivos, que muda de terra em terra e leva a família atrás. Esta, segue-o, primeiro com entusiasmo, mas no fim com resignação, e acaba por ser uma família desestruturada e desenraizada. A metáfora foi bem percebida e bem recebida pela sala. "Temos que pôr um travão à ansiedade permanente e à constante mudança", frisou o congressista, lembrando que, apesar de toda a agitação e mediatismo, por vezes nada fica da acção de Portas. E lembrou, para o exemplificar, o último congresso, marcado pela novidade das tendências internas (que depois ficaram pelo caminho), e do anúncio de Telmo Correia como candidato a Lisboa (que foi copiosamente derrotado).
Considerando que o CDS é reconhecido pelo seu trabalho e criatividade, Filipe Anacoreta notou que o partido não é reconhecido pela credibilidade. "A credibilidade não se impõe, conquista-se", disse, defendendo um regresso do partido aos valores fundadores. "O nosso modelo é Adelino Amaro da Costa", afirmou, recolhendo mais aplausos dos congressistas.
O peso interno do AR só se medirá amanhã, na votação das moções, mas já ninguém lhes tira o estatuto de oposição interna mais estruturada e melhor recebida no congresso. Mas não descuram a votação de amanhã. A prova do seu empenhamento em ter um bom resultado é que à porta do centro de congressos há um cartaz com o símbolo e o slogan deste movimento - "Ar novo no CDS" - com apelo ao voto na sua proposta de orientação.
E também não faltaram, no discurso de Filipe Anacoreta, as piscadelas de olho às bases, denunciando a renovação "imposta por cima", ao sabor do "mais recente entusiasmo" do líder. "As estruturas não servem só para colar cartazes e encher salas", lembrou o dirigente do AR, o que, naturalmente, caiu bem na sala