César das Neves salientou, entre vários outras questões, o grave problema demográfico que o país vive, considerando os portugueses um povo em extinção por ser Portugal o país que tem a taxa de fecundidade mais baixa da Europa Ocidental e José Seguro, numa intervenção que focou a crise mundial que obriga a discutir no futuro uma moeda única mundial.
"O desemprego em Portugal regista actualmente a taxa mais alta da sua História", afirmou o economista César das Neves, que sublinhou o problema da precariedade do trabalho. Há muita gente desempregada e outros que trabalham, mas que não se pode dizer que têm um emprego.
Se é certo que nos últimos anos houve um aumento de 180 mil desempregados, no mesmo período foram criados 240 mil empregos. Na década anterior a 2008 é preciso ter em conta que entraram em Portugal 400 mil pessoas, ou seja, quando a economia portuguesa estava a gerar empregos "tinham que vir estrangeiros para fazer aquilo que os portugueses não queriam".
O economista desmistificou alguns lugares comuns sobre o emprego e o desemprego. Disse que dos 150 mil novos desempregados, apenas 4% é que são licenciados e apenas 1% não têm sequer o ensino primário. Por outro lado, 70% dos que perderam o emprego têm o secundário ou menos. São pessoas com uma formação média, ou seja, "os mais afectados são os da classe média baixa que estavam a sair da pobreza e na qual muitos voltaram a cair".
César das Neves referiu que não vale a pena culpar as questões de fundo como a Educação, a Saúde ou a Politica pois estas antes da crise "não estavam melhores" e porque, apesar de tudo, sempre há "diferenças entre os governos de Vasco Gonçalves e de José Sócrates".
Segundo o economista "Portugal é hoje um país rico e esta é a sua primeira crise". Explica que o país está hoje ao mesmo nível que a Inglaterra estava há 20 anos e que é essencialmente um país de serviços pois neles trabalha 60% da sua população activa.
Outro dos pontos centrais da sua intervenção foi contra os grupos de pressão e de interesses políticos que minam o funcionamento da governação: "Não é possível pagar a todos os interessados, a todos os que acham que têm direitos e aos que fazem pressão. E esse é o problema grave e a origem dos problemas que a economia portuguesa possui".
Entre outras considerações sobre a crise, até comparando a situação a um filme policial com culpados, criminosos e pistas falsas, César das Neves salientou que Portugal vive um outro tipo de crise em simultâneo que é a demográfica. "Temos a taxa de fertilidade mais baixa da Europa Ocidental e como tal somos uma raça em vias de extinção". A decadência é tal que a taxa de reposição das gerações em termos normais é de 2,1 filhos por mulher em idade fértil e em Portugal é presentemente de apenas 1,3. Em níveis similares estão grandes países como a Rússia e o Japão e estes não têm tantos filhos de imigrantes como acontece, felizmente, em Portugal.
"Temos a quinta mais baixa taxa de casamentos e a décima mais alta de divórcios", disse o economista que acha que actualmente se está a desmantelar o conceito de família.
"É preciso conciliar politicas de austeridade com estímulos à economia"
António José Seguro preferiu abordar várias questões relacionadas com a crise internacional e afirmou que "é um erro o confronto entre as políticas de austeridade e as políticas de estimulo à economia, defendo a execução controlada de ambas para pôr fim à crise". E deu o exemplo das medidas impostas pela Alemanha e dos estímulos que o Presidente Obama tem dado à economia norte-americana. Na sua opinião, é no meio que está a virtude pois a economia necessita simultaneamente de "controlo das contas públicas, que entre outras coisas é gerador de confiança nos mercados, mas também de estímulos públicos para o crescimento económico". Por isso, diz, é chegado o momento de a Europa "debater o tema da clarificação do projecto europeu".
A intervenção de José Seguro abordou o início da crise internacional, a subida do preço da gasolina e a crise imobiliária nos EUA, afirmando que, após a desaceleração da economia, seguiu-se uma crise no sistema financeiro.
O deputado defendeu sempre o primado da política sobre os mercados pois, sem regulação, estes acabaram por pedir a intervenção dos Estados quando a crise se agravou.
O orador criticou a atitude da UE que acusa de falta de solidariedade para com a Grécia quando esta entrou em crise profunda. "Disseram-lhe que fosse ter com o FMI", afirmou. Os ataques à Grécia por parte dos países da Europa Central são extensíveis aos países do sul da Europa e também à Irlanda. O conjunto define-se pelos P.I.G.S. (Porcos - Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) o que é revelador da "elevada consideração" entre os países ricos e pobres de UE.
António José Seguro defende também como medidas para a saída da crise um crescimento económico justo, um único mercado e um sistema financeiro mundial. Acha que irá acontecer a curto prazo a discussão de uma moeda única a nível mundial, ideia que é defendida há vários anos por economistas de renome.
João Sá Nogueira, elemento da comunidade paroquial da Foz do Arelho, diz que a promoção deste debate se destinou "a formar cristãos conscientes sobre o que se passa à sua volta". A escolha recaiu sobre António José Seguro que vive nas Caldas da Rainha e César das Neves que tem familiares com casa na Foz do Arelho.