A revolução digital está na base do desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento.
As tecnologias digitais têm hoje impacto em todos os sectores de actividade. Das telecomunicações à saúde, a digitalização permitiu criar um conjunto de novos serviços, sem os quais seria já difícil viver nos dias de hoje.
A digitalização é o processo que permite transformar informação analógica em informação digital. A voz, os textos, as imagens, a música, os filmes, os dados, passam a ser representados por "bits" e "bytes", combinações de uns e zeros que podem ser armazenadas e processadas em computadores e transmitidas por satélites ou fibras ópticas.
Progressivamente, ao longo das últimas décadas, tudo o que era analógico foi sendo substituído por digital. Mas será que esta substituição é aconselhável e razoável em todas as situações?
Acompanhei, recentemente, um caso de convivência difícil entre o mundo analógico e o mundo digital: um serviço central da administração pública emitiu, indevidamente, uma nota para pagamento de uma quantia supostamente em falta.
Confirmado o erro pelo serviço local, o cidadão em causa dirigiu, ao respectivo responsável, um pedido de anulação. O serviço local informou, por carta assinada de forma analógica, que o pedido tinha sido deferido. O assunto estava aparentemente resolvido.
Contudo, algum tempo depois, surge uma nova nota, agora com juros incluídos, assinada pelo mesmo responsável.
Indignado, o cidadão reclamou e recebeu uma resposta surpreendente: por limitações do sistema informático, o processo, que corria centralmente, não tinha sido suspenso. Na nota tinha sido colocada, automaticamente, a assinatura digitalizada do responsável local.
Em que assinatura deve o cidadão acreditar? Na analógica ou na digitalizada? Nos serviços locais ou nos centrais?
Neste caso, a inovação no processo foi longe de mais. A responsabilidade não pode nem deve ser automatizada ou digitalizada. A digitalização tem limites!
Paulo Nordeste
, Engenheiro