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Ambiente esmiuçado

Eleições. Ainda não foi desta que nos vimos livres do concurso de 'misses' em que se tornou o circo eleitoral. Pouco se fala dos programas.

Luisa Schimdt (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 28 de setembro de 2009

Toda a campanha se distribui por três grandes sectores: as bacalhauzadas nas feiras; os cartazes, que todos estamos à espera de ver rapidamente desaparecer do horizonte e que são um autêntico assalto ao já saturado espaço público; e aquilo que passa na comunicação social. Não fosse o que dizem os jornais, televisões e rádios, as campanhas eleitorais arriscavam-se a ser uma perversa promoção de abstenção só pela antipatia que geram. Mas, mesmo nos media, não é fácil ter uma experiência de clareza que ajude a decidir o voto.

Agrava tudo isto a débil presença dos outros 10 "nano-mini-micro" partidos e que, independentemente das expectativas de votação e das considerações jurídicas sobre o direito de antena, podem contribuir para a revelação de muitas virtudes e defeitos das propostas dos partidos maiores.

Esmiuçados os programas, nas matérias genericamente ditas ambientais, não podemos dizer que os cidadãos estejam mal servidos em termos de propostas. Todos os partidos dão destaque às matérias de ambiente e ordenamento do território, incluindo energia, transportes, floresta, recursos naturais, etc. Ninguém pensa acabar com o ministério e até há quem proponha, como o CDS, multiplicá-lo por dois, criando também o Ministério do Clima e da Energia.

O problema não está aí. O problema está na responsabilidade, ou seja, na falta em todos os programas - sobretudo nos dois partidos da alternância (PS e PSD) - de uma garantia concreta sobre os mecanismos de cumprimento das promessas. Nenhum programa permite entender por que razão coisas que já deviam ter acontecido há inúmeros mandatos atrás, continuam a ser cronicamente re-apresentadas nos programas actuais.

Por exemplo, por que razão ainda é matéria de campanha o cadastro? Sem uma explicação cabal por parte dos partidos que têm governado dos factores que impediram a sua execução, não percebemos quanto vale a promessa hoje, quando ela já anda a ser feita há décadas. E, já agora, por que é que só em vésperas de eleições o Governo começou a legislar sobre o assunto?

Também se re-apresentam propostas para melhorar águas e saneamento básico, sem explicar as razões pelas quais há mais de 30 anos andam a ser prometidas e ainda estão por fazer? E porque nunca foi possível cumprir as eternas promessas sobre o reforço das persistentemente fragilizadas Áreas Protegidas?

E a mobilidade metropolitana que é desde há décadas uma dor de cabeça para a maior parte da sua população? O que impediu, ano após ano, de pôr cobro aos vícios crónicos que amarram o mau urbanismo ao trânsito automóvel e à poluição numa câmara de tortura diária para muita gente? Ou a reabilitação urbana sempre prometida e sempre adiada? Ou o reforço sério do transporte ferroviário?

Ou o litoral português, onde se apinha 4/5 da população e que há anos e anos acumula leis, organismos, alertas, recomendações, denúncias, calamidades, projectos urbanísticos e propostas de recuperação... O que é que impediu durante estes anos todos o nosso litoral de ver inexoravelmente agravada a sua condição?

Esmiuçando um pouco mais, há anos e anos que o país sofre autênticas feridas abertas ambientais - as minas abandonadas, os depósitos de resíduos tóxicos... Mais uma vez, os programas vêm prometer sarar essas feridas. Mas o que impediu que isso fosse feito antes, quando já estavam diagnosticadas e planeadas essas recuperações?

Falta-nos nestes programas a explicação para muitas das propostas... serem ainda propostas.

A nota positiva é que há objectivos consensuais sobre as alterações climáticas e energias - assumidas como prioridades em todos os programas. Claro, com o recente Plano de Relançamento da Economia Europeia por detrás, o qual tem uma exigente inspiração ambiental. Nele se estabelecem metas drásticas para "investimentos inteligentes" numa "economia de baixo carbono", ou seja, para a eficiência energética, tecnologias limpas e modos de transporte "favoráveis ao ambiente"; para a "adopção dos produtos e serviços ecológicos", para um reforço dos "eco-investimentos no desenvolvimento rural" redireccionando as verbas da PAC.

As políticas europeias continuam, pois, a ser uma garantia de sanidade da nossa política ambiental.

Fora disto, lendo comparativamente os programas dos vários partidos, uns mais secos, outros mais recheados, uns mais vagos, outros mais especificados, a sensação que fica é a do déjà vu em matéria de ambiente. A pergunta a que nenhum partido se lembra de responder continua a mesma: o que impediu a promessa ambiental de hoje, que já foi de ontem e de anteontem, de ser cumprida? O que há de novo que torna a promessa de hoje responsável?

CDS


Comecemos pelo CDS. Esqueçamos por instantes o pesadelo Portucale e olhemos essa delícia que é a dura crítica aos PIN. O presidente da agência que os promove é, aliás, do CDS. Mas que importa... tudo na vida é duplo e ambíguo e esta é a pequenina costela 'bloco' dos queques. Ironia à parte, trata-se de um bom programa, com diagnósticos certeiros e propostas valiosas: que as empresas com apoios comunitários disponibilizem informação online sobre o seu desempenho ambiental; ou reduzir a dependência das autarquias das receitas da construção... Evitemos pois borrar a pintura meditando sobre o que aconteceria se um governo do CDS tivesse que assumir algumas destas propostas - sobretudo ao nível dos interesses afectados. Lá estamos nós a pensar no Portucale...

PS


O programa do PS reforça o pacote das energias renováveis, preferindo apostar naquilo de que tem uma experiência recente de se sair bem. O problema é o resto dos problemas e eles são muitos e não são de agora: ao cabo de tantos anos de governação tão atlética, lá temos a velha ladainha dos esgotos, dos lixos, da requalificação dos rios (com um Polis!), do cadastro, da recuperação das minas, do abate das casas ilegais no litoral... Mas se tudo isso era tão importante há tantos programas, então porque não o fizeram ainda? Faz lembrar o Ramalho Ortigão sobre a ementa de alguns restaurantes de Lisboa do seu tempo. Escrevia ele n'"As Farpas" que o mesmo frango com ervilhas ia sendo servido ao longo de toda a semana em estatuto culinário decrescente até acabar, já negro de requentado, moído e servido como café...

CDU


A CDU claramente não dedicou tempo ao seu programa ambiental. É pena, porque não basta dar boleia ao PEV... As medidas em matéria ambiental e de território têm uma evidente dimensão social - basta pensar nas necessidades crescentes que as populações mais carenciadas irão sentir cada vez mais em termos de eficiência energética. Isto para não falar das inúmeras injustiças ambientais e do impacto desigual dos efeitos das alterações climáticas. Lá refere a recolha de lixo porta-a-porta e promete (tal como o PS) a reabertura de troços ferroviários. Mas claramente a CDU está a olhar para outro lado e parece que nem se lembra que leva o PEV a reboque - cujo manifesto nem vem incluído no 'site' do seu programa.

Bloco de Esquerda


Já o Bloco de Esquerda peca, imagine-se, por excesso... Com um programa opulento, pedindo meças ao 'mano' do CDS, o BE tem ideias sobre todos os temas - faltando-lhe, talvez, sentido das proporções. Entre uma autêntica Lei das Sesmarias Florestal, o abandono dos projectos de três barragens e a nacionalização dos sectores da água e energia - tudo matérias de grande envergadura -, surge depois a inscrição no programa de medidas de protecção às chinchilas... Digamos que estes desníveis não dão saúde ao documento no seu todo. Um programa não é só um programa de objectivos, mas também um programa de meios. E alguns contextos actuais como a nossa integração na UE, a célebre crise, o país que temos e as diferentes pessoas que cá vivem, exigem uma leitura cautelosa destas propostas.

PSD


O PSD, com bons antecedentes históricos no ambiente e algumas boas provas recentes a nível autárquico, não se pode dizer que se tenha esforçado. O seu programa tem semelhanças ao do PS - na nova Lei de Solos e revisão da Lei de Bases do Ambiente. Já os oceanos ficaram mais afundados. Fala-se no reforço das áreas marinhas e na pesca, mas o PSD esqueceu-se de que o país é mais líquido do que sólido e do importante cluster do mar. Positiva a proposta de actualizar multas e dar prioridade à investigação e punição dos crimes ambientais; ou a defesa da RAN e da REN. Fica-lhes bem... depois da sangria de desanexações que permitiram. Mas meditemos na reacção das bases e dos respectivos barões assinalados à aplicação de tão justas medidas...

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Passar à prática, se fazem favor.
3S (seguir utilizador), 1 ponto , 9:28 | Terça feira, 29 de setembro de 2009
A ideia que dá é que é preciso passar da teoria dos programas à prática dos mesmos: concordo consigo.
  E que não se esqueçam das PMEs tão citadas nos discursos de todos os partidos – não basta falar que as Pequenas e Médias Empresas são fundamentais para a economia do País - há que as deixar trabalhar, já agora sff.
Vejamos Maud Olofsson (Suécia) falando sobre ‘Economia Verde’ e ‘Turismo Sustentável’ – promete um aumento de 50% no orçamento do Turismo para 2010: http://www.travelmole.tv/...

Também: http://www.travelmole.tv/...

Aqui em Portugal propostas apresentadas são sistematicamente rejeitadas pelos organismos oficiais que embora ‘ particularmente sensível a estas questões (do ambiente) numa lógica de desenvolvimento sustentável do sector do turismo na região’ … ‘ficam no entanto a aguardar novos desenvolvimentos.’ Bonito, não é?
Cordialmente,
ML

 
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A lei da água, um exemplo de...atraso
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 16:20 | Segunda feira, 5 de outubro de 2009
Na qualidade de proprietário de um poço, tentei como muitos milhares de portugueses resolver a questão do respectivo registo tal como determinava o DL 226/A-2007.
A incompetência na aplicação desta lei por parte dos serviços implicados foi tal que o governo teve que recuar quase no fim do prazo, sendo que agora vai ter que tentar fazer esquecer o assunto antes de voltar a ele. Neste caso, até eu, como utente, sabia o que era preciso fazer para registar todos os poços de Portugal. O problema foi que se tentou utilizar nessa tarefa umas entidades especializadas em licenciar empreendimentos hidráulicos, chamadas ARHs, quando deviam tê-lo feito através da juntas de freguesia, com formulários simplificados e apenas coordenação da DRHs.
 
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recife de corais no Brasil
paulo.du (seguir utilizador), 1 ponto , 0:35 | Quarta feira, 23 de junho de 2010
É uma area que gosto mas no entanto pouco animadora do ponto de vista mundial. Poderão os recifes de corais junto à orla costeira estar em risco? Com o aquecimento global a aumentar e estabilizar a temperatura das águas superiores a 31ºc é inevitavel que daqui a alguns anos só os poderemos ver em cartões postais. A morte permatura das algas que dão a coloração espectacular ao seu hospedeiro incolor, têm ficado sem ajuda por parte das autoridades reguladoras do ambiente rejeitando sistemáticamente a adopção de programas no sentido de investigar tipos de algas que resistam a temperaturas adequadas à região. Ao falar da simbiose entre coral e alga não podemos esquecer as centenas de especíes de ilustres desconhecidos que convivem em harmonia, não fosse a carência de monitorização de temperaturas e da desflorestação indiscriminada levando à erosão de enormes áreas e por consequencia arrastam juntamente com outros sedimentos e detritos açoreando os recifes de coral. O protocolo de Kioto deve ser revisto e não deixar que os lucros que alguns países que não abrem mão atrasem as investigações nos sectores de : energia e tranportes, promover o uso de energias renováveis, limitar as emissões de metano e carbono demonstrando aqueles que colocam questões acerca de ser esta a verdade do aumento das temperaturas no Globo Terrestre levando ao Degelo, Efeito de Estufa e do aumento do buraco do Ozono.
 
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