Enquanto os consumidores e especialistas aguardam a chegada do iPad, cujo sucesso tem sido amplamente discutido na Comunicação Social, empresas como a Amazon têm de se preparar para enfrentar esta nova concorrência. Se por um lado o iPad não é tudo o que os rumores tinham feito esperar, a verdade é que ele vem pôr em causa dispositivos de funcionalidade única como o Kindle.
Tornar o Kindle multifuncional
O modelo Kindle 2 tem o preço de 299 dólares (€218), mais de metade do preço que vai ter a versão mais fraca do iPad. Por outro lado a única funcionalidade do Kindle é ser um leitor de e-book, e apesar de ser dos melhores dispositivos nessa funcionalidade não possui sequer um ecrã a cores. A Amazon já se apercebeu do perigo que seria não melhorar o Kindle e torná-lo mais apelativo aos consumidores.
A Amazon adquiriu recentemente a empresa nova-iorquina Touchco, um fabricante de ecrãs multitouch (ecrãs tácteis que reconhecem mais que um dedo simultaneamente), que integrou no seu Lab126, a divisão de hardware do Kindle. Anteriormente a Amazon já tinha anunciado que ia permitir que empresas de software desenvolvessem aplicações para o Kindle, outra forma de o aparelho ganhar algumas das funcionalidades que se esperam do iPad.
Um possível novo modelo
Robert Brunner é o fundador da companhia de design Ammunition e trabalhou com a Barnes & Noble no Nook, um dos maiores concorrentes do Kindle no mercado de leitores de e-books. Segundo ele, a linha Kindle terá de se dividir em duas, por um lado mantendo um modelo 'clássico' e por outro lançando um dispositivo a cores.
Não existem no entanto informações sobre que tipo específico de dispositivo a Amazon está a preparar. O 'Super Kindle', como tem sido chamado, poderá ser muito mais do que um simples leitor de e-books melhorado. Um dos elementos que a empresa tenciona introduzir no novo modelo é ligação de Internet sem fios (wi-fi), visto que o actual Kindle apenas funciona com 3G.
Um dos problemas que têm sido levantados a este novo aparelho é o sistema operativo. Se possuir tantas melhorias como é esperado, o novo Kindle vai precisar de um sistema aperfeiçoadp, mas melhorar este sistema pode ter muitos custos e poucos benefícios. Uma hipótese seria recorrer ao sistema operativo Android da Google, uma hipótese que poderia representar uma mais valia para a Amazon na batalha que se prepara para travar com a Apple.
Disputas com as editoras
Mas uma guerra de leitores de e-books assenta em mais do que nas funcionalidades dos aparelhos. A oferta de conteúdos jornalísticos e literários também será um factor crucial para o sucesso ou fracasso destes dispositivos.
Até aqui as grandes editoras não tinham alternativa a negociar com a Amazon, visto que seria uma má estratégia de negócio ignorar o líder do mercado de vendas de livros (físicos e digitais) na Internet. O director geral da Apple, Steve Jobs, disse no final de Janeiro ao "Wall Street Journal" que as editoras se recusavam a pôr certos livros na Amazon.com porque estavam descontentes com o gigante do retalho online. Agora, essas mesmas editoras podem negociar com Steve Jobs e possivelmente apostar que a Apple tome a liderança de vendas de e-books com o serviço iBooks, como já havia feito com a música graças ao iTunes.
Quando foi anunciado o lançamento do iPad, a editora Macmillan exigiu uma mudança de preços à Amazon, que até ai estabelecia preços baixos para os e-books independentemente das opiniões dos editores. A Amazon não cedeu imediatamente e preferiu retirar de venda os vários livros populares da Macmillan. Passada uma semana de negociações, a Amazon concordou com as exigências da Macmillan e os livros da editora voltaram a ser vendidos no site. A Amazon tem sido apontada como perdedora destas negociações, mas na verdade é incerto se a empresa terá obtido algum acordo favorável nesta área.
Por outro lado, o iPad e outros futuros tablets não são a única concorrência do Kindle, nem sequer a sua concorrência primária. O Kindle terá de competir também com o Sony Reader e com o Nook da Barnes & Noble, entre outros. O Nook vai ganhar uma vantagem interessante ao começar a ser vendido em lojas da Barnes & Noble nos Estados Unidos ainda esta semana.