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Alguns motivos de verdadeiro orgulho pátrio

Miguel Sousa Tavares
8:00 Segunda-feira, 19 de Out de 2009
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1  A portaria 1226/2009 acaba de frustrar o meu sonho de viver com um casuar, um manatim ou até um monstro-de-gila. A portaria, aliás, veda o meu direito constitucional a comprar numa loja uma baleia ou mesmo "outros cetáceos". Atenta ao bem-estar dos animais, a portaria até me proíbe de coabitar com centopeias compradas em loja - embora não proíba as que entram pelos canos e se tenha esquecido de estender a proibição a baratas, formigas e outros animais domésticos. Ah, e esqueceu-se de proibir os camelos e outros dromedários, os quais podem assim actuar nos circos - de onde ficarão banidos elefantes, leões, tigres e outros felinos, ursos, lobos, otárias (acho muito bem), hipopótamos, rinocerontes, pinguins, cobras várias, aligators e escorpiões. E varanos. Sim, varanos.

Mas a sábia portaria (resultado do lóbi da Associação Animal - a mesma que há uns anos fez apresentar no parlamento uma lei que visava controlar as 'condições psicológicas' em que viviam os animais domésticos, bem como o seu acesso aos transportes públicos, entre outros mimos do género), também proíbe a reprodução daqueles animais em cativeiro. Como bem nota o proprietário circense Miguel Chen, não estão porém disponíveis na praça preservativos para os tigres, o que vai implicar que o ministro, ou alguém que o represente dignamente, se afoite a fazer cumprir a lei, interpondo-se entre tigres e tigresas, em plena época de cio: vai ser um número a não perder, num circo próximo de si.

Eis mais um retumbante triunfo da cultura urbana, moderna e civilizada. Porque o fundo da questão está no que diz Victor Hugo Cardinali - um honrado nome de uma família que tem feito sonhar gerações e gerações de crianças, com os seus tigres, leões e elefantes, saídos da televisão e dos joguinhos de computador para a tenda do circo: "Eu também posso fazer algo como o Cirque du Soleil, para os intelectuais de Lisboa e do Porto. Mas experimentem levar isso a Portalegre e eles vão perguntar 'que porra é essa?'". É contra este Portugal da porra que em boa hora surgiu a portaria a defender as centopeias, os aligators e também, já me esquecia, os nandus e os crotalos.

Somos assim o primeiro país da Europa a proibir as espécies 'exóticas' ou 'selvagens' nos circos. É motivo de orgulho pátrio: em alguma coisa somos, afinal, os primeiros. Mesmo que estejamos a criar uma geração de criancinhas a quem ensinam que só os 'maus' dos caçadores é que matam animais e que julgam que todos os outros animais morrem de morte natural e que os bifes nascem na horta, junto com as alfaces e as salsichas, e que a galinha não tem filhinhos destinados ao churrasco, mas apenas produz ovos e já estrelados.

2  "O Instituto da Droga e Toxicodependência, tutelado pelo governo, vai começar a realizar testes de despiste de alcool no local de trabalho". A notícia, confirmada ao "Diário de Notícias" pelo presidente do dito Instituto, caiu-me do jornal, como se fosse uma banalidade. Segundo o senhor, isto pode vir a ser "feito voluntariamente pelas empresas, mas é possível que venham a surgir propostas legislativas destinadas a torná-la generalizada", ou seja, compulsiva.

Assim, está muito descansado no seu local de trabalho, e aparece-lhe o Instituto a mandá-lo soprar no balão para saber se bebeu ou consumiu drogas nas últimas 24 horas. Mesmo que não esteja a conduzir ou a fazer qualquer outra actividade potencialmente perigosa, que seja um trabalhador competente e um cidadão banal. Apenas porque o Estado se acha no direito de conhecer os seus vícios ocultos ou 'desviantes' e o seu patrão agradece a informação e a 'prevenção' - pois que, segundo estudos efectuados, isso pode fazer subir em 10% a produtividade laboral. A pergunta que se impõe é esta: e o que fará depois o Instituto com os resultados das suas rusgas ao local de trabalho e uma vez na posse de informações destas? Ameaça-o? Denuncia-o ao patrão ou aos colegas? À família, aos vizinhos? Obriga-o a internar-se para desintoxicação, sob pena de o denunciar? Ou apenas, como diz o senhor do Instituto, "é possível que se recorra a outros meios, como a avaliação psicológica"?!?

Declaração de interesses, como agora se diz: eu trabalho em casa, por conta própria; não tenho patrão nem empregados; não tenho vínculo laboral permanente, nem direito a subsídio de férias, 13º mês, baixa por doença, indemnização por despedimento ou reforma ao fim de 40 anos de trabalho. Em contrapartida, no meu local de trabalho, mando eu. Não tenho, pois, interesse directo na questão. Apenas fiquei preocupado em teoria, assim como fiquei preocupado por não poder um dia, em me apetecendo, viver com um casuar ou um monstro-de-gila). Se alguém mais quiser, que se preocupe. Faço, todavia, notar o seguinte: com o truque dos dispositivos nas matrículas dos carros, 'eles' vão passar a saber tudo sobre as nossas andanças. Agora, vão querer saber se bebemos ou fumamos charros. Quando será que quererão saber o resto?

3  No rescaldo das autárquicas, também li, logo no dia seguinte, que um entusiasmado presidente eleito da Câmara Municipal de Leiria declarou que Leiria tem de ficar ligada à rede europeia de alta velocidade. Leiria, também? Sim, Leiria, porque não? Aliás, o mesmo justo anseio já ocorreu às forças vivas da Régua e de Silves. Para já não falar do há muito aguardado Aeroporto Internacional de Odemira ou do Autódromo Internacional de Vinhais.

Segundo um estudo da Universidade Católica, o PIB vai diminuir este ano em 2,6% o que é uma 'boa' notícia, face à previsão anterior de uma queda de 3,2%. Em contrapartida, o défice das contas públicas passa de 2,8%, se a memória me não falha, para qualquer coisa como 6,7% do PIB. Ou seja, para reagir à crise e conseguir reduzir em 0,6% a queda da riqueza produzida no país em 2009, o Estado gastou quase 4% a mais dessa riqueza. A 'recuperação' alivia-nos agora, a conta paga-se depois. Que diferença faz um têgêvêzinho a mais ou a menos, um aeroporto aqui ou acolá? Quando não se paga, ou se imagina que não se paga, tudo é grátis e todas as ambições são possíveis.

4  Ditosa Pátria que tais filhos tens! Patriotas como alguns de nós não há outros: votam em massa, jamais metem baixas fraudulentas a pagar pela Segurança Social ou aldrabam nos subsídios recebidos para produzir coisas que se vejam. Jamais escondem um euro que seja do Fisco, choram quando ouvem o hino, penduram a bandeira à janela quando o Scolari pede, e saltam, como tigres, em defesa da honra pátria, prontos a ameaçar, a insultar, a apedrejar, a banir, quem ousa ofender-nos e quem ousa não se ofender. Salazar está morto, mas o espírito do 'maior português de sempre', continua vivo e passeia-se por aí, na net e disfarçado de 'democracia instantânea'. Ah, o que o querido santacombadense se não teria deliciado com o fabuloso mundo dos blogues e das redes sociais! Os incómodos e trabalhos a que não se teria poupado com um instrumento desses ao dispor!

A (des)propósito: um 'empresário' israelita tem-se dedicado ultimamente a trazer trabalhadores agrícolas para os campos alentejanos. Trouxe já mais de 450, que estão a fazer as delícias do patronato local: não se importam de viver aos oito em cada casa, não bebem nem precisam da visita do Instituto, 'raramente interrompem o trabalho, mantendo um ritmo constante ao longo do dia' e recebem 450 euros por mês. Presumo que sem direito a assistência médica, sem seguro, sem contrato de trabalho, sem nenhuma protecção legal. Mas, se calhar, presumo mal: "está tudo dentro da lei", diz o 'empresário'. Estes sim, serão sempre bem-vindos.

Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Outubro de 2009

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O intelectual
mmas (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 10:47 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Caro Sr. Tavares

Embora concorde com algumas opiniões relativas a diversas matérias por si abordadas. gostaria de lhe transmitir a minha opinião em relacção á questão do patriotismo.
O Sr. , na semana transacta, opinou, no contexto do video da Maite Proença, que nós, Portugueses, somos uns saloios e provincianos.
Em verdade, não lhe reconheço qualquer legitimidade para falar em nome de 10 milhoes de pessoas, tentando legitimar um insulto que nos foi feito de forma deliberada, através de outro insulto á sua propria pátria.
O Sr. afirma que não temos sentido de humor.
E quanto a si? Tem revelado muito , não é ?
Passa o tempo a rir-se de si próprio!!!
Não o considero mais do que qualquer outro compatriota, e nessa medida, abstenha-se de falar em nosso nome.
Fala em nome da sua familia.
Cumprimentos.
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    Re: O intelectual    Ver comentário
lineu (seguir utilizador), 1 ponto , 23:13 | Quarta-feira, 21 de Out de 2009
Terceira
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 11:44 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Há pessoas que lemos para nos informarmos melhor: uma nova pesrpectiva, um conteúdo desconhecido.

Outras lemos porque, embora discordando, apreciamos a inteligência do discurso, mesmo que seja para o desmontar.

Outras finalmente lemos pelo gozo do absurdo. O discurso está tão descentrado que não nos resta senão rir para dentro. Há pessoas que vão perdendo o pé na realidade e que passam a confiar apenas nos seus sentimentos. Há sempre uns loucos em todas as aldeias.

Em relação a MST, confesso que o meto na terceira categoria.
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    Re: Terceira    Ver comentário
Pedro Alves Ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 13:58 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Alguns motivos de verdade
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:45 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Isto esta semana não é mais nem menos que uma no cravo e outra na ferradura. Pelo andar da caruagem lá vão os meninos desenhar o frango depenado e embalado como se compra no Supermercado. Vão ver na televisão no comentario da Odisseia e noutros programas os animais a fazerem sexo e não ao vivo como acontecia há uns anos aos meninos das aldeias e isto era tão natural como de natural deve ser. Começou com ASAE, a proibição de poder desfrutar de sabores e prazeres, que só quem os experimentou sabe do que fala. Já o Camões nos dizia, que vale mais experimentá-lo que julgá-lo, mas julgue-o quem não poder experimentá-lo. Desta forma também há quem não falte por aí quem queira proíbir experimentar o prazer de apanhar o avião ou o TGV, só e pura e simplesmente porque lhe dá mais jeito tê-lo dentro de casa, ou porque não pensam servir-se dele. O egoísmo tem limites e transformá-lo numa obcessão doentia é caso clinico grave, ou então problema de romantismo, ou ainda distorção do progresso de quem nunca comeu pão que o diabo amassou.
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Miguel...isto deve ser da idade...
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 11:53 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Tanta amargura, raiva desprezo numa só pessoa...
Tanta falta de lucidez!

Mas você está a viver numa bolha, pairando acima dos seus conterrâneos?
Qual é a sua realidade?
Está na tropa a marchar e é o único que tem o passo certo?

Tanta arrogância faz-lhe mal e turva-lhe o raciocínio.
Não pode haver verdadeiro espírito crítico toldado pelo desprezo que manifesta pelos seus conterrâneos.

Sr. Miguel Sousa Tavares : Seremos todos estúpidos?
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(2) Parabens por denunciar Limitações à liberdade
vasil (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:40 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Os autores dos artigos não lêm os comentários, mas...

Ponto 1 - Uma lei que atira areia para os olhos... A questão que a portaria (lei) vem trazer é apenas a criação de mais um Senhorio... Vem limitar o comércio dos animais exóticos, aos senhores que dominam esse mercado. Anular toda a concorrência! Quem quiser ter um animal em casa tem de o comprar, licenciar, vacinar, e fazer acompanhar o animal pelos Senhores desse negócio, que assim ficaram protegidos pelo Estado, depois de os seus amigos no governo terem tratado do assunto a seu favor - os favorecidos com a lei - em detrimento de todos os outros deste país... Tudo o resto, em especial, o Circo, são danos colaterais...

Ponto 2 - Há muitos portugueses que gostam de andar com a canga e apoiam tais medidas, não se apercebem que a pouco e pouco se tornam apenas servidores, ou em alternativa, animais de estimação... Tanto os chips, como o controlo imposto do que fazemos ou deixamos de fazer, tel como a proibição do tabaco, são apenas ensaios para verificar os simptomas entre os animais cada vez menos racionais...

Ponto 3 - ADSL vendem-nos até 24MB, e dão-nos no máximo entre 4, e 6MB, de velocidade, que pagamos por 24 - quando falam em 100 e 200 será apenas para o pagarmos!

Ponto 4 - Essa escravatura de estrangeiros é apenas semelhante à dos indigenas, com a diferença que os indigenas têm de gastar tudo o que ganham, casa,luz,gás,água,transportes, etc..
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pilot (seguir utilizador), 1 ponto , 18:00 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Tanta parra, tão pouca uva...
Morg5 (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 15:27 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Sobre esta 'excelente' ´crónica apraz-me dizer:

Bela enumeração de animais 'exóticos', Bravo !!!

... e nada mais.

Cumprimentos

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Notas soltas
cjours (seguir utilizador), 2 pontos , 17:10 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
O último parágrafo do ponto 1 é hilariante, convenhamos!!!
No ponto 2, estou como o MST...
O último ponto resume bem o país. Excelentes leis a propósito de tudo e de nada! Excelentes, até para serem quotidiana e impunemente torneadas!...
Mas o legislador deve ficar contente e dar uma, nessa noite...
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Ursos por ursos...
Nevertheless (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 23:35 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
Bem, li o tratado de raspão. Algumas palavras detiveram-se aqui pelos miolos por um bocadinho, outras não chegaram sequer a entrar. Mas acho que percebi a ideia: vamos trocar os animais no circo por políticos, né?

Teremos ministros a saltar o arco de fogo a toque de chicote, secretários de estado a andar às voltas na roda à qual se atiram facas, directores-gerais no trapézio, e o resto da malta que merece nomeação política, por ser de confiança, nas restantes actividades, seja no canhão humano, na caixa que é serrada ao meio... e por daí a fora. Não mexam mais na portaria!

Ah… esperem lá… não dá para apimentar mais a coisa? Por cada decisão errada, tropegamente tomada ou corrupta, proponho que se tripliquem o número de arcos, se aumentem a velocidade da roda e a distância de arremesso das facas, se estreitem os baraços que suportam os paus dos trapézios, se carregue substancialmente na quantidade de pólvora no canhão, se multiplique por 5 ou 6 o número de serras que talharão a caixa ao mesmo tempo… yap, é isso!

O povo quer é ver ursos a mexerem-se. Dos de pêlo ou dos de fato e gravata ;-)
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Enfim...
Luís Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 10:45 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Eu cresci a ver o circo com animais selvagens. Acredito que em muitos circos a que assisti houvesse desrespeito pelas condições dos animais, o que não me espanta, visto se até pelo ser humano havia ( e continua a haver)! Mas agora, com esta lei, sim, somos um país civilizado. O que interessa a miséria social dos dias de hoje? Não podemos fazer nada, culpa do estado, etc., mas ao menos agora podemos dormir descansados, porque os animais selvagens estão a salvo.
Criar meios para uma fiscalização exigente sobre as condições de qualquer animal, não, isso dá muito trabalho. Proibe-se e pronto. É tão mais fácil!
Depois dos animais, o Instituto da droga com mais uma invenção. Enfim... Este é o país real em que vivemos, país governado por cretinos, às ordens de uns quantos cretinos (um bravo para os abstensionistas e os que lá mantêm esta cretinagem). Não podemos ir ao circo, beber, fumar, qualquer dia. se calhar, vamos ser proibidos de reproduzir? Já só falta essa, em nome, talvez, de uma sociedade sem pessoas politicamente incorrecatas, que gostam de circos, touradas, sardinhadas, fumar, beber, caça, pesca e outras barbaridades (não gosto de caça e pesca e as touradas são-me indiferentes).
Para os que vierem aqui criticar este ou outro comentário semelhante, respeito a vossa opinião, mas antes de proibir há que exigir uma fiscalização que respeite os direitos de todos.
Aos fundamentalistas dos direitos dos animais que não gostem, a minha declaração de interesses: vão à merda!
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    Re: Sorte a sua, que os animais não lêem    Ver comentário
JoseGab (seguir utilizador), 1 ponto , 11:02 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Ditosa Pátria, minha amada
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 10:47 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Somos o país do Mundo que se pode orgulhar de ter e manter uma legislação de ponta, ou seja, somos os uns inovadores, uns criativos no que respeita a esta maravilhosa arte de tudo regular, sem nexo. Pobre país, entregue a tais filhos que vivem do protagonismo que estas iniciativas lhe confere, sem serem responsabilizados pelo mal provocado aos seus concidadãos que os suportam. Admitir a existência de circos sem animais, é como comer o pão sem sal conforme determinaram os nossos legisladores, é como ir a Roma e não ver o Papa, enfim é acabar com um espectáculo que me encantou na meninice. Naquela idade desconhecia, o legislador da época não explicou, que os animais estavam sequestrados e eram torturados, pelos donos do Circo e os domadores. Afinal bastaram 35 anos de democracia e progresso para nos elucidar. Quanto à anunciada fiscalização anti-alcoólica a cometer ao IDT, não tardará que este serviço declare a Adega Cooperativa de Favaios como a sede do mais perigoso cartel do tráfico de tintol, com consequências mais perniciosas que aquele produto inócuo colocado no mercado por uns rapazes ligados à associação humanitária de Medelim. Estou a imaginar os fiscais do IDT, capitaneados pelo senhor Goulão, a entrarem na minha aldeia e a fazerem o teste aos trabalhadores agrícolas, que pela tardinha tem uns bons tintóis no bucho e após a sopradela ordenarem o seu internamento no Sobral Cid, por serem perigosos consumidores de pinguita. Não dá para falar no DEM e outras vigilâncias.
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Uma pequena resposta, se me permite
como é que diz que é (seguir utilizador), 1 ponto , 11:24 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
1.
- "só os 'maus' dos caçadores é que matam animais": normalmente o problema tem a ver com matar meramente por diversão
- "e que julgam que todos os outros animais morrem de morte natural": falsa questão; a ideia é que é errado matar quando ha' alternativa, e que ha' algo de assustador no acto assassino plenamente consciente das consequencias e das alternativas possiveis, como acontece no caso do homem
- "e que os bifes nascem na horta, junto com as alfaces e as salsichas, e que a galinha não tem filhinhos destinados ao churrasco, mas apenas produz ovos e já estrelados": tem razão; infelizmente ha' muita gente que pensa um pouco dessa forma. Ha' que fazer ver que os peru's decapitados e embalados dos supermercados ja' foram creaturas vivas.

2. Compreendo o seu pavor ao Estado que mete o bedelho em assuntos privados (é até uma pequena obsessão sua), e é certo que devemos estar sempre alerta de pequenos mas perigosos precedentes. Dito isto, o programa em questão parece-me ser legi'timo e ter sido elaborado com as melhores das intenções. Concordo consigo, contudo, que deve permanecer volunta'rio.

3. Gastar em tempo de vacas magras parece ser paradoxal - mas conservadorismo fiscal, aliado a medidas proteccionistas, é coisa do passado. Para gerar riqueza ha' que gerar emprego. O que é que recomenda, mais furos no cinto? Como é que isso ajuda os desempregados?
...
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Felizmente...
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 12:02 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Tambem trabalho em casa e sou o meu patrão... desde a lei do tabaco que noto isso... com agrado.
Parece que para realmente fazermos o que queremos temos de ser independentes da "sociedade"... vá lá... por enquanto ainda é possivel mas.. coitadas das gerações vindouras... mas... já o Orwell tinha previsto isto há muitos anos atras...
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    Re: Felizmente...    Ver comentário
pilot (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
    Re: Felizmente...    Ver comentário
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 19:33 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Um, dois, três e quatro
pilot (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
1. A defesa dos direitos dos animais deveria ser uma questão pacífica! Afinal parece que há muitos interesses em jogo. Mais grave que os constrangimentos causados aos donos dos circos é o coarctarem a MST o seu direito constitucional a comprar uma baleia e viver com ela...

2. MST e aparentemente a sociedade civil está mal informada no que aos testes de despiste de álcool e drogas concerne.

Há mais de 25 anos que sou controlado, por inerência de funções, bem como inúmeros técnicos, pilotos, controladores de tráfego aéreo dada a especificidade das questões atinentes... Nunca ninguém se queixou e deixem o Orwell em paz que não é para aqui chamado.

3. Não quer o TGV?... OK! Não quer um novo aeroporto...? Tudo bem! Podíamos, quiçá, fechar até o Aeroporto da Portela e íamos a Espanha de "coche" apanhar o "vuelo".
Nem imagina o que se poupava!

4. Não se meta a insultar os Portugueses do alto da sua pesporrência... Olhe o que aconteceu à sua amiguinha Maitê
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O Brasil né ?
ACSMEDIA (seguir utilizador), 1 ponto , 17:34 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
Só porque agora o Senhor de tal anda embeiçado pela escritora brasileira, os portugueses já passaram a saloios e coiso e tal ?
Como para mim MST não passa de uma qualquer marca de lubrificante automovel, faça um favor a si próprio e desapareça pró Brasil viu cara? Supéu légau né mêmo?
E o Expresso que eu julgava ser um jornal interessante.

Uma recomendação à Direcção do Jornal :

- Srs, encontram certamente no martim moniz pessoas com capacidade de escreverem coisas mais interessantes e menos aparvalhadas. Além disso lembrem-se da rentabilização de custos. Terão certamente um cachet mais curto e vão certamente desvendar enredos bem mais cativantes do que esta grande quantidade de tinteiro que gastaram. Vá-se embora homem. Gente como o Senhor não faz falta nenhuma a um País que quer evoluir. Vá curtir as suas capivaras lá pra outra margem do Oceano. Ah... boa viagem. Não lhe desejo mal. Só não o suporto. E já não é de agora. Lembra-se do que escreveu recentemente sobre as touradas ? Lembra-se pois. Mente suja não se limpa fácil.
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    Re: O Brasil né ?    Ver comentário
Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 22:21 | Sexta-feira, 23 de Out de 2009
O drama da vida
1963777 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:12 | Segunda-feira, 19 de Out de 2009
De facto, pelo teor de grande parte dos comentários ao seu texto da semana passada - de que eu gostei muito, apesar do mundo da caça me ser completamente alheio -, poderá concluir-se que há por aí muito boa gente (não apenas criancinhas) que gosta de acreditar, ou de fingir que acredita, que os bifes crescem na horta, assim prontinhos para entrar na frigideira.

Uma espécie de “faz de conta” confortável que permite varrer das mentes qualquer pensamento que conduza aos pobres animais nascidos e criados em cativeiro, tantas vezes em condições degradantes, e que diariamente são sacrificados ao nosso apetite voraz. Tudo culpa da produção industrial, que nos permite ter na bancada da cozinha carne pronta a consumir sem ter de “sujar as mãos” com o sangue dos bichos. E assim, enquanto alguns fazem o “trabalho sujo”, os outros nem têm que se incomodar a pensar no assunto.

Não será pois de estranhar que estas almas sensíveis fiquem horrorizadas quando são confrontadas com os actos “bárbaros” dos caçadores e que tal os leve a vestir a pele de "ambientalistas defensores dos animais" preocupados. Mas é preciso entender que uma coisa é preocuparmo-nos, muito justamente, com o equilíbrio ambiental e a extinção das espécies, outra muito diferente é acreditarmos que estamos acima da natureza e das suas leis. Esquecendo que, infelizmente, o drama da vida reside precisamente no facto de ela estar irremediavelmente ligada à própria morte.

Conceição Pereira

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    Re: O drama da vida    Ver comentário
Morg5 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:14 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
    Re: O drama da vida    Ver comentário
1963777 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:59 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
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