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Alguém me explique, por favor

Absolver e usar pessoas em empresas onde o dinheiro corre em enxurradas quando há seca no país.

Clara Ferreira Alves (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 4 de março de 2010

Na segunda fui à SIC-Notícias comentar, juntamente com Eduardo Dâmaso, Luís Delgado, Ricardo Costa e Mário Crespo (a moderar) a entrevista de Sócrates a Miguel Sousa Tavares. Foi uma entrevista longa. Além dos casos da PT/TVI e do TagusPark/Figo, falou-se da situação económica nacional e internacional e das opções do Estado ou das decisões mal tomadas.

Quando olhei para o telemóvel tinha dezenas de mensagens e chamadas não atendidas. Um número raro. Conversei com uns, li os sms de outros. Havia de tudo: gente ligada a partidos, gente independente de centro, de direita e de esquerda. Uma pequena amostra sociológica da audiência e do eleitorado português numa classe média que consome informação qualificada. Profissionais, homens e mulheres. Nenhum jornalista. Tema único? As escutas.

Reparei que o tom era exaltado. Havia os que defendiam Sócrates e me atacavam dizendo que não se esperava que eu cometesse o erro de pensar que ele era aquilo que eu parecia implicar que ele era, baseada em escutas criminosas e que visavam a destruição do PS. Havia os que acusavam Sócrates de ser um aldrabão. Havia os que acusavam Miguel Sousa Tavares de ter facilitado a vida a Sócrates e de eu ter sido, com ele, uma das que mais contribuíram para a absolvição de Sócrates do caso Freeport. Havia os que, num encolher de ombros, profetizavam que ele ia ganhar e nada havia a fazer. Havia os que diziam que ele era indestrutível e que nós jornalistas não passávamos de imbecis que quanto mais o atacavam mais ajudavam. Havia psd's que diziam que o PSD não tem combatentes à altura. Havia ps's que diziam que não voltariam a votar no PS. E gente de direita que dizia que a direita era a responsável pela ascensão de Sócrates. Havia os que gritavam "Sócrates tem de cair" e os que gritavam "Sócrates vive". Um velho amigo acusou-me de ter sido injusta ao interpretar a frase de Marcos Perestrello como uma piada quando era um repúdio da negociata com Figo, dizendo o contrário: gastem o dinheiro em subsídios de desemprego.

O que é que o Sócrates tem? Provoca paixões exacerbadas que fazem perder a perspectiva e clareza que permitiriam destrinçar o que é, nas palavras do primeiro-ministro, a demonstração de uma realidade verdadeira ou uma falsidade. Estão criadas as condições, como estariam num tribunal, para um mau veredicto do júri.

A verdade é que Sócrates, com os seus spinners e conselheiros (e o talento político) é o produto do país que somos e da informação que produzimos e do modo como a produzimos. Ao substituir o jornalismo sério e de investigação, longo no tempo e minucioso nos pormenores, caro de manter e sujeito a uma edição sistemática das falácias, pelo imediatismo da denúncia e da reprodução de conversas de telemóvel, ao substituirmos a notícia seca pelo comentário da notícia, ao fazermos o nosso próprio spinning e montarmos o nosso próprio espectáculo, estamos a colaborar numa indústria de entretenimento que pouco tem a ver com o jornalismo como primeiro esboço da História de que falava Philip Graham, o fundador do "Washington Post". E isto não é culpa dos jornalistas, que perseguem o que podem com os fracos meios que têm, com as pressões que sofrem, mas da estratégia lucrativa dos grupos de media.

O que sobra é esta gritaria onde a verdade se afunda. O que sobra é a guerra entre uma corporação política, os socialistas, e uma profissional, os jornalistas. Com a guerra entre as corporações da justiça ao fundo. Guerra em que os dois lados se acusam e se acusam entre eles de corrupção e mentiras, de crimes e conluios, com o elenco de ressentimentos. É: ou estás connosco ou estás contra nós. Sócrates estabeleceu a zaragata. Fê-lo porque está convencido, como antes dele Tony Blair e agora Gordon Brown (que passou a semana a explicar-se das acusações de ser um bully), que não se ganham eleições sem controlar os media. Uma coisa é controlar os media por meios legítimos, utilizando o assessor, o blogue, a agência, o telefonema, o almoço, o convencimento, a informação privilegiada, o processo, a intimidação verbal, outra coisa é controlar os media utilizando homens e meios de empresas ou bancos onde o Estado ou os partidos têm homens de mão, uma participação e um poder. Ou utilizando dinheiros públicos. Uma coisa é defender a justa redistribuição de riqueza pelo Estado, outra é absolver e usar pessoas em instituições onde o dinheiro corre em enxurradas quando há seca no resto do país. Isto, Sócrates não explicou. E não é culpa dos jornalistas.

Texto publicado na edição da Única de 27 de Fevereiro de 2010

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Clara a ver-se ao espelho
Wooden (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 3:28 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Depois de ter insultado e difamado Socrates com uma baixeza sem limites,comeca a aperceber-se que se precipitou. E agora vem dizer que Socrates nao "explicou".O seu problema e que Socrates explicou que Rui Pedro Soares nao foi nomeado por ele para a PT. E Henrique Granadeiro e Zeinal Bava vao explicar isso muito em breve na Assembleia. Claro que depois disso vai arranjar outra desculpa qualquer. Porque a sua falta de caracter acabou por vir ao de cima. Como o azeite na agua.
 
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    Re: Clara a ver-se ao espelho    Ver comentário
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 10:27 | Quinta feira, 4 de março de 2010
    Re: Clara a ver-se ao espelho    Ver comentário
naif (seguir utilizador), 1 ponto , 11:03 | Quinta feira, 4 de março de 2010
    Você droga-se?!...ou é alucinado por natureza?    Ver comentário
aquitoueu (seguir utilizador), 1 ponto , 19:39 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Coporações, mentiras e media
L SKYWALKER (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 19:59 | Quinta feira, 4 de março de 2010
O que já se percebeu nesta triste novela que já vai longa:

  - O Poder do momento, numa postura pouco convencional, afrontou interesses no mundo dos media privados: a ameaça do 5º canal TV, a distribuição publicidade institucional, financiamentos, etc.

- Estes grupos retaliam, através dos seus Pivots mais disponíveis ou desesperados, ajudados por franco atiradores na área da justiça que se dispõem a descobrir um pouco o véu que cobre as sempre existentes misérias políticas das máquinas do poder;

  - A oposição (esquerda à direita) vê aqui uma oportunidade para cavar um pouco mais o terreno que sustenta o actual PM e cavalga esta a onda lançada pelos media.

No histerismo criado, há gente que não consegue manter o perfil coerente e equilibrado sempre recomendável nestes momentos.

 
 
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Perguntar não
lai gonçalves (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Quinta feira, 4 de março de 2010
ofende. Vi e ouvi esse debate, mas nem me pronuncio sobre o tema. A Clara é das poucas JORNALISTAS, que gosto. No entanto, não deixo de discordar, quando emprega o " JORNALISTAS " naquela mesa estavam Jornalistas e jornaleiros, quanto ao tema é lembrar quem
colocou Luis Delgado, à frente da Lusomundo Média,como, porquê.?Todos temos amigos, aqui, ali e acolá,no entanto
devemos separar as aguas mesmos que nos custe uma amisade.Para mim é impensavel sentar-me c/ MC, a moderador e noutro lugar, fazer ...............
 
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A explicação.
Bettencourt de Lima (seguir utilizador), 1 ponto , 18:08 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Por mais que queiram, o homem não desiste e isto só vai lá com eleições. Seja, lá terá que se pedir outra vez o voto ao povo (populares, como gostam as tv,s de de o designar) e esperar o resultado, sempre uma incógnita, e pimba ! Lá ganha outra vez José Sócrates. Um... melhor mesmo, é ver se desiste. Bom agora o desgaste vai continuar através da comissão de inquérito. O Bloco a tentar escavar na esquerda do PS ,o PSD a tentar impossibilitar o PM de ir a eleições desacreditando-o, o PC seguindo a política de terra queimada e o CDS, bom ao CDS qualquer lhe serve desde que chegue ao governo.Como se chama mesmo o forte do Paulo Portas ? São Julião da Barra ?
 
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A explicação.
Bettencourt de Lima (seguir utilizador), 1 ponto , 18:12 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Por mais que queiram, o homem não desiste e isto só vai lá com eleições. Seja, lá terá que se pedir outra vez o voto ao povo (populares, como gostam as tv,s de de o designar) e esperar o resultado, sempre uma incógnita, e pimba ! Lá ganha outra vez José Sócrates. Um... melhor mesmo, é ver se desiste. Bom agora o desgaste vai continuar através da comissão de inquérito. O Bloco a tentar escavar na esquerda do PS ,o PSD a tentar impossibilitar o PM de ir a eleições, desacreditando-o, o PC seguindo a política de terra queimada e o CDS, bom ao CDS qualquer lhe serve desde que chegue ao governo.Como se chama mesmo o forte do Paulo Portas ? São Julião da Barra ?
 
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Sim
BLRiopaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 0:37 | Terça feira, 9 de março de 2010
Pedidos de explicações mostram uma verdade que é: quem pergunta não sabe, mas quer saber. O interrogado não é obrigado a responder ou pode nem saber o que aconteceu. Quem sabe deve denunciar e mostrar provas. Investigar é trabalho para polícia e ministério público. Julgar é trabalho da justiça,.

Eu converso com os papo seco que os políticos e jornalistas não querem escutar. São os ignorados considerados incultos- como eu-. Eles podem não conhecer as regras que facilitam a comunicação, mas o que sabem é processado na àrea do surrealismo que dá o resultado que mostra o certo sem necessidade de perguntas.

Um mau hábito bastante conhecido de muitos dos incultos dá-lhes a certeza, de que, na arte de mentir e fofocar; cultos e incultos são iguais.

Até ao inicio da era eletrônica tínhamos o governo conhecido como legal e o paralelo oculto. Agora temos os mesmos mais os três poderes paralelos instalados no espaço da comunicação eletrônica com tendência ditatorial anarquizada.

No espaço dos ignorados, usuários da área do surrealismo, é possível saber que o bom senso não pode subsistir envolto em imaginações especulativas.

Vamos tentar moderar. Com moderação podemos ajudar as autoridades constituídas e os eleitos legalmente a combater a corrupção com a sensatez que não se coaduna com ânimos exaltados.
...
 
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