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Agora é a sério

António de Almeida (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 7 de outubro de 2009

Foram duas semanas de agitação. Pobres de conteúdo. Ricas de promessas. Arruadas. Jantaradas. Jogadas. Caçadas ao voto. Piadas de gatos fedorentos. Verdades. Meias verdades. E outras assim-assim.

O povo passou ao lado dos profissionais do agitar bandeiras. Serenamente, foi formando a sua decisão. O Zé tem consciência da situação em que o país se encontra. Sabe que a saída vai exigir suor, sacrifícios, lágrimas e será demorada. Não acredita nas varinhas mágicas da felicidade material exibidas durante a campanha. Por isso, revelando bom senso, no dia 27 deu a vitória ao PS. Como escrevi no último artigo, José Sócrates é, nesta fase da vida do país, o político com capacidade, vontade, energia, conhecimento e credibilidade para enfrentar as dificuldades. Acresce que o faz num ambiente de esperança e de motivação e não de derrotismo. Foi uma extraordinária vitória. Ganhar com 7,5 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo, o PSD, que andou convencido que, no dia 28, estaria com o problema de escolher entre os inúmeros candidatos a ministros, secretários de Estado, chefes de gabinete, assessores e profissões correlativas, é obra.

E não fica mal lembrar que a extraordinária vitória do PS foi conseguida num ambiente de gravíssima crise mundial económica, financeira e social. O PIB a diminuir. O défice a crescer. O endividamento a aumentar. O investimento parado. O desemprego em níveis anormalmente altos. O descontentamento dos professores por causa das quotas. As corporações agarradas a privilégios. As inventonas. A nojenta exploração do processo Freeport. As campanhas de alguma comunicação social. Ataques maciços e ferozes de toda a Oposição à pessoa do primeiro-ministro. Como não o conseguiram vencer, agarraram-se à tábua de salvação da perda da maioria absoluta. Ficaram todos felizes.

Agora é a sério. Há que governar. Sem o rufar dos bombos. Sem o agitar das bandeiras. Sem a demagogia da campanha. Os números são frios. O que nos espera é quente. Com maioria, a responsabilidade é apenas do governo. Sem maioria, é de todos os partidos e do Presidente da República. Os portugueses ficaram cansados de eleições e querem que José Sócrates governe. Se a Oposição enveredar pelo bota abaixo, impedir que se tomem medidas estruturais e se tiver como principal objectivo derrubar o governo, os portugueses não perdoarão. Lembrem-se do processo que levou Cavaco Silva à primeira maioria absoluta que o PSD tanto gabou e agora pede para a Câmara Municipal de Lisboa.

Texto publicado na edição do Expresso de 3 de Outubro de 2009

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Agora é a sério
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:06 | Quarta feira, 7 de outubro de 2009
Sem duvida que foi dos melhores comentários que vi nos últimos tempos. Nenhum português com cabeça tronco e membros pode deixar de concordar. Quando a cabeça não tem juizo o corpo é que paga, ou então quando os politicos não têm juizo o povo é que paga. No mínimo já lá vão 30 anos que andamos a gastar o que não temos e a viver acima das nossas possibilidades. Em termos colectivos continuamos a hipotecar o futuro dos nossos filhos e netos, pura e simplesmente para nós vivermos melhor, não para fazer obra como autoestradas, aeroporto, TGV etc. etc., porque essas ainda ficam. Sómente para alimentar um regabofe que muitos sabemos insustentavel enquanto não resolvermos de vez, os problemas estruturais que se põem à economia, à justiça e à educação. Os partidos sabem disso e em vez de convergir para a solução preferem antes enganar os mais incautos com promessas. Dois mil anos continua actualizada a frase de Julio César; que somos um povo que nem nos governamos nem nos deixamos governar. Não podemos continuar a gladiar-nos em assuntos que interessam a todos independente das ideologias de cada um. Foi num ambiente económico e politico semelhante que apareceu um homem tacanho e rural considerado o salvador e que deu o resultado que todos conhecemos.
 
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Agora é que é. Agora. Antes não, afinal.
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Quarta feira, 7 de outubro de 2009
"Sem maioria ( a responsabilidade) é de todos os partidos e do Presidente da República... Se a Oposição enveredar pelo bota abaixo, impedir que se tomem medidas estruturais e se tiver como principal objectivo derrubar o governo, os portugueses não perdoarão".

Outra vez. Sempre esta conversa?
É um afirma-lo assim como quem o pede.
Os portugueses não perdoarão!
Os apoiantes de Sócrates, como é obviamente o caso, só vêem o governo derrubado.
A ideia parece constituir um fascínio do qual não se libertam.
O governo derrubado. Por culpa da oposição claro.
É um sacudir de água do capote mesmo antes de ela começar a cair. Mesmo que não caia. Não interessa.
O que conta é mistificar já a coisa e orientar desde já a opinião pública.
O governo derrubado por irresponsabilidade da oposição.
Não haverá outras causas possíveis.
É o PS a demonstrar querer governar como em maioria absoluta, mesmo sem a ter.
Se não conseguir. Que não consegue, pois NÃO TEM MAIORIA ABSOLUTA.
A culpa será dos outros.
É uma esperteza saloia que já demonstrou dar bons frutos em Portugal, mas só em matéria de gincana política.
No que diz respeito a "realidades", venha mais do mesmo.
 
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A extraordinária vitória do PS
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 12:21 | Quinta feira, 8 de outubro de 2009
A extraordinária vitória do PS deve-se aos problemas do PSD. Mas quais são os problemas do PSD?
- O maior problema do PSD é Sócrates
- O segundo maior problema do PSD é Cavaco
- O terceiro maior problema do PSD foi terem pensado que a um lider sem empatia nem carisma, bastava dar-lhe um banho de seriedade e de competência para ganhar ao pior primeiro ministro.

Sócrates deu mostras de saber o que é que Portugal precisa e ainda fez algumas das coisas mais impopulares, só que quando devia aliviar uma pouco a impopularidade caiu-lhe uma crise internacional dos diabos em cima. Na verdade, ganhar eleições nestas condições, é mesmo extraordinário mas também significa que os portugueses não são tolos.
 
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Cuidado Gatos
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Quinta feira, 8 de outubro de 2009
Ponham-se a pau, esta concorrência é de gabarito.... este comediante é perigoso para voces pois diz destas coisas com um ar muito sério... tão serio que até dá vontade de rir.... LOL... Meus ricos Monty Python... até onde pode ir o "nonsense" ?
 
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