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Agarrem-me, se não eu bato-lhe

Nenhum partido quer eleições para já. Mas todos se comportam como se as quisessem já amanhã. O Governo não se adapta à nova realidade parlamentar e a oposição vinga-se dos anos que penou. Um jogo triste e inconsequente.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 17 de dezembro de 2009

O que mais assusta na actual deriva que se vive no Parlamento português é a absoluta falta de estratégia de todos os envolvidos. Toda a gente se comporta como se quisesse ter eleições amanhã, quando, na verdade, ninguém as quer. Nem amanhã nem nos próximos tempos.

É por isto que os partidos, todos, deviam ter a obrigação de nos explicar o que querem e que consequências esperam do que querem. Porque se levarem o jogo que estão a jogar até ao fim, chegará o dia em que o Parlamento cai. E enquanto esse dia não chega nada se faz em Portugal. Seremos governados por medidas avulsas, do Governo e da oposição, com uma única certeza: no fim, seremos nós a pagar a conta, com impostos directos e indirectos mais altos, piores serviços sociais e de saúde, pensões cada vez mais baixas e um buraco pela frente.

É verdade que não há maioria absoluta. Mas isso não pode permitir ao Governo e ao PS que desapareçam do mapa legislativo, como uma criança que faz birra quando nasce um irmão e deixa de ser o centro das atenções.

Se o Governo e o PS querem governar (e têm o direito e o dever de o fazer) têm que explicar o que lhes vai na cabeça, apresentar propostas e justificá-las. O PS está à espera de quê? Que os portugueses tenham pena do Governo? Mas como é que se pode ter pena de algo que as únicas duas coisas que se propõe fazer é um orçamento e legislar sobre o casamento homossexual? O orçamento é uma obrigação, um projecto de lei sobre o casamento homossexual é coisa que se faz em meia hora. No resto do tempo o Governo faz o quê?

Na oposição as coisas não estão melhores. O PSD prossegue uma rota calvinista, enquanto se imola numa fogueira colectiva. Anima-se com as desgraças do Governo e, assim, vai esquecendo as suas. Pelo caminho faz tangentes ao precipício, mas volta atrás no último minuto, porque Sócrates tem que ser cozido em lume brando e o prato ainda não está no ponto.

O PCP e o Bloco são mais coerentes. A estabilidade do Governo não lhes interessa grande coisa, têm agendas incompatíveis com Sócrates e sabem que o PS fará a maior parte dos acordos com o PSD e o CDS-PP.

Chegados aqui resta Paulo Portas, a única esperança do PS para um acordo parlamentar. Mas Sócrates não tem força para negociar isso. Além disso, Portas já comprou bilhetes para a primeira fila da queda do PS e para a fogueira do PSD, à espera que o líder que dali saia seja mais fraco e menos esperto do que ele, o que não é difícil. Até lá, o jogo triste e inconsequente continua: agarrem-me, se não eu bato-lhe.

Ricardo Costa

Texto publicado na edição do Expresso de 12 de Dezembro de 2009

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Em Rota Calvinista? Ganda Nóia!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 2:07 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
O PSD segue uma rota calvinista? O que será que isto quer dizer? Se em Portugal houvesse calvinistas isto era uma Suiça, a esta hora. Será isso que o nosso Costa quer dizer?
 
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SÓCRATES ESTÁ QUEIMADO
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 10:56 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
A GOVERNAÇÃO DOS ÚLTIMOS 5 ANOS

COM OS RESULTADOS AGORA BEM CONHECIDOS DE TODOS, MAIS 300.000 DESEMPREGADOS

UM ERRO ORÇAMENTAL DE 5.000.000.000€ , COISA POUCA , 500€ POR PORTUGUÊS, UM DEFICIT DE 9%

35% DE TRABALHO PRECÁRIO , COM A LEGALIZAÇÃO DOS IMORAIS RECIBOS VERDES

COM INCOMPETÊNCIAS SUCESSIVAS

MAGALHÃES , PROCESSO DA UE

BARRAGENS , CHUMBADAS PELA UE

AUTOESTRADAS , CONCURSOS ILEGAIS DIZ O TRI.CONTAS

DESPESA DE QUASE 1.000.000.000€ A AUMENTAR FUNCIONÁRIOS 3% NO ANO EM QUE OS PREÇOS DESCERAM 1,8%, POR RAZÕES ELEITORAIS

E QUE DIZER QUANTO À FORMA

ARROGÂNCIA

PROPAGANDA , A FAZER DE NÓS DE PARVOS

PÉROLAS COMO "O SR. DEPUTADO PORTAS , JUIZINHO DEIXE-SE DESSES GESTOS HISTÉRICOS "

ETC , ETC , SÃO TANTAS

E AS SUSPEITAS , ELE É O FREEPORT

A LICENCIATURA COMPRADA NUMA UNIVERSIDADE QUE O SEU PRÓPRIO MINISTRO FECHOU, AO SEU AMIGO MORAIS , QUE NÃO CONHECIA , MAS

O PROCESSO COVA DA BEIRA

O ATAQUE , VEREMOS SE CRIME , CONTRA A LIBERDADE DE IMPRENSA , COMPRAR A TVI VIA PT PARA CALAR A MANELA

ETC, ETC SÃO TANTAS...

ACHO QUE NEM PARA IR VER A BOLA E COMER UM PETISCO ALGUÉM ESCOLHERIA O SÓCRATES PARA COMPANHIA

COMO É QUE O PARTIDO SOCIALISTA QUER QUE ALGUM DIRIGENTE , DA ESQUERDA À DIREITA, TENHA CONFIANÇA NO SÓCRATES PARA TENTAR CHEGAR A ACORDO

PARA DEFINIR UMA POLITICA E GOVERNAR FINALMENTE PORTUGAL

SERÁ QUE O PS AINDA NÃO VIU QUE O SÓCRATES ESTÁ QUEIMADO, FORAM MENOS 500.000 VOTOS O COMEÇO DO FIM, NÃO SE ILUDAM

  ...
 
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    Re: SÓCRATES ESTÁ QUEIMADO    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 19:47 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
Ó Sr. Ricardo Costa
teoriadaconstipação (seguir utilizador), 1 ponto , 10:35 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
Com o respeito que merece,você não estará mais inflamado do que a oposição ou o governo. Que tal ir a votos, como o seu irmão e deixar-se de bocas com consequências como opinion maker que é?
"Parlamento português é a absoluta falta de estratégia de todos os envolvidos."
"O orçamento é uma obrigação, um projecto de lei sobre o casamento homossexual é coisa que se faz em meia hora. (talvez o Sr. possa fazer em 15 minutos quem sabe)No resto do tempo o Governo faz o quê?"
 
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Crispação incompreensível!!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:40 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
Denoto, incompreensivelmente, no Sr. Costa uma crispação bastante elevada com tudo o que se tem vindo a passar no Parlamento e nas guerrilhas partidárias!!!!

É claro que o comportamento da classe política nos últimos tempos não dignifica propriamente a Assembleia da República mas daí a exacerbar esses comportamentos vai um caminho muito longo!!!!

Julgo que estas atitudes são demasiado precipitadas antes do debate do orçamento para 2010!!!!!

Aí sim é necessária responsabilidade, seriedade, ética e coragem para apresentar propostas credíveis que se ajustem às necessidades do país!!!!! Todas as reformas e medidas estratégicas de mudança derivam do Orçamento de Estado e da sua discussão!!!!

Não digo que nos outros pontos extra-orçamento não seja necessário um comportamento ajustado à responsabilidade de ser deputado mas o ponto fulcral é a discussão do Orçamento!!!!!
 
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Ó DA GUARDA!!! AGARREM-ME....
NSant (seguir utilizador), 1 ponto , 19:51 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
OLÁ A TODOS!

ESTOU PLENAMENTE DE ACORDO CONSIGO RICARDO, MAIS UMA VEZ PELA SENSATEZ COM QUE ULTIMAMENTE VEM COMENTANDO!

EMBORA VC NÃO SEJA DE TODO DA MINHA ÁREA POLÍTICA, FAÇO MINHAS AS SUAS PALAVRAS DENTRO DO SEU CONTEXTO.

TODOS NÓS, INDEPENDENTEMENTE DE TUDO, PAGAREMOS BEM CARA A SITUAÇÃO ACTUAL.

TODAVIA, GOSTARIA DE LER ALGO SEU, ANTES DO FINAL DO ANO, SOBRE OS INDEFECTÍVEIS ""PATRIOTAS"" QUE DESCAMINHARAM DO PAÍS MAIS DE 7.000.000 (SETE MIL MILHÕES) DE EURO PARA AS ILHAS CAYMÃO SEM PAGAREM 1 CÊNTIMO SEQUER DE IMPOSTOS.

É CLARO QUE NÃO VI ESSE DINHEIRO NEM ASSISTI À SUA FUGA, COMO ALGUÉM JÁ EM TOM DE AMEAÇA JÁ AQUI ME SUGERIU.
O CERTO É QUE DESVELADAMENTE OU NÃO SÃO AS PRÓPRIAS ENTIDADES OFICIAIS E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS QUE O AFIRMAM.

SEJAM TODOS FELIZES.
 
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Aos críticos da actual situação
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
Aos tremendistas que não tem o nível do Medina Carreira, porque a este Senhor todos lhe põem, as câmaras de Tv e o microfone à frente e ele desembucha toda a sua frustração, por nunca ter conseguido alcançar um lugar de destaque politicamente, que tanto ambicionou no passado.
Deixem que se realizem novas eleições, daqui por 4 ou 5 meses e logo se verá, quem é que estará queimado !!!
Com o vosso cepticismo, não creio que ajude a que um salvador avance, antes pelo contrário.
Vocês passam por cima da crise, nunca vista nos últimos 80 anos, em todo o mundo, como se nada tivesse acontecido, como a ganância dos liberais da direita.
Já viram o que aconteceu com a Islândia, a bancarrota.
E a idolatrada Irlanda, exemplo sempre proposto no passado pela nossa direita (PSD/PP), que reduziu os salários da Função Pública em 10%, 15% até 50% nos de remunerações mais elevadas.
E a Grécia que está a ferro e fogo com uma divida externa tripla da nossa.
E os deficits da Alemanha, França, Espanha, Itália não lhes diz nada ?
A credibilidade do que dizem os comentadores neste espaço incl. RCosta, sobre o nosso país, é inversamente proporcional às omissões que escondem religiosamente do que acontece no mundo de que também fazemos parte.
Nenhum país é auto suficiente nas suas necessidades e quando estruturalmente tem deficits de toda a ordem, como é o nosso caso, desde sempre, é indispensável fazer critica sim, mas séria, para demagogia barata, já chega a que fazem os nossos políticos.
 
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Segurem-me ...
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 21:24 | Quinta feira, 17 de dezembro de 2009
Segurem-me se não eu fujo daqui para fora, ou melhor fugia se soubesse para onde e como, algo dificil de conseguir com as limitações de quem não tem dinheiro para comprar um bilhete para o comboio correio, de Santa Apolónia ao Porto. Aos portugueses não restam muitas soluções, incapazes e sem alternativa para afastar do poder e da oposição a classe política que a democracia gerou, só lhes resta emigrar, voltar à cultura da mala de cartão e seguir avante em direcção a Champigny, aos novos "bidonvilles" de má memória. Por cá continuamos a aturar estes e outros manhosos que se governam à nossa custa, que se recusam a dizer o que pretendem porque não lhes dá jeito, porque seria o fim dos seus reinados. Quanto a eleições podem ser já amanhã, ou dia sim dia não, conforme as conveniências, desde que os candidatos rodassem para todos ir-mos "comendo" qualquer coisinha, mesmo que fosse pouquinho, até não restar nada para ninguém. Isto é, para eles, para a classe politica, hoje reinante, deixaría-mos os ossos que, mesmo sem réstea de carne eles roeriam até ao tutano, habituados como estão a encher-se à nossa custa.
 
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As condições de governabilidade: Parte I
Fábio Faria (seguir utilizador), 1 ponto , 4:29 | Quarta feira, 23 de dezembro de 2009
Há um parlamento em que nenhum partido tem maioria absoluta e há um governo que assenta na maioria relativa. Portanto, o quadro político que resultou das últimas eleições exige enormes responsabilidades a todos os agentes políticos, e em particular às oposições.
Na última legislatura o PS governou com maioria absoluta, a sua primeira em democracia. Quando um partido governa com maioria absoluta, essa maioria é inteiramente responsável pela forma de governar e pela governabilidade do país. Todavia, quando a maioria deixa de existir, a responsabilidade é partilhada por todos os partidos, o do governo e os das oposições, e as oposições tem particular destaque na forma como o país é governado, pois todas juntas formam uma maioria absoluta na Assembleia da República e interferem e alteram o rumo e agenda política traçada pelo governo. É exigido, então, responsabilidade às oposições tal como ao governo. Esta é uma grande diferença entre a existência de maiorias absolutas e não existência.
Desta maneira, o governo para governar, tal é a sua função, deve através do diálogo procurar compromissos e entendimentos com as oposições. Após as eleições, o actual primeiro – ministro fez uma proposta às oposições para possíveis acordos parlamentares ou coligações, tendo como objectivo a estabilidade política, mas todos os partidos disseram não e rejeitaram qualquer entendimento com o Governo e com o PS.
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