Enquanto as economias desenvolvidas estrebucham para sair da mais grave crise económica dos últimos 80 anos, há países em vias de desenvolvimento, como a China ou o Brasil, que deverão crescer 10% e 4,7%, respectivamente, já este ano. É esta a tese de Nick Field, gestor do fundo Schroder Global Emerging Market Opportunities
, quando aconselha os investidores a investir nos mercados accionistas destes países. O gestor esteve em Portugal numa conferência da gestora de activos britânica Schroders e, em entrevista ao Dinheiro, disse que apesar da valorização registada em 2009, os mercados de acções dos países emergentes vão continuar a dar lucro aos investidores.
Será 2010 ainda um bom ano para investir em acções de mercados emergentes?
Actualmente os mercados emergentes têm perspectivas bastante razoáveis. Os seus rácios preço por lucro (P/L) estimado estão dentro da média histórica, mas já não estão ao nível de 2008. As acções não estão caras e verifica-se que a rendibilidade dos capitais próprios (RCP) tem obtido uma melhoria estrutural nos mercados emergentes, quando comparada com a dos mercados desenvolvidos, sendo que, nestes últimos, não se esperam melhorias. Se é a altura ideal para investir nos mercados emergentes? A altura perfeita teria sido no ano passado, mas ainda não é tarde. As perspectivas para o crescimento dos lucros a um ano são boas e as cotações não estão elevadas, embora existam algumas preocupações a curto prazo sobre as previsões relativas às taxas de juro.
Olhando para o leque de países elegíveis para o fundo, quais considera que irão registar as maiores rendibilidades?
Actualmente estamos com posições fortes na Coreia do Sul, Tailândia, Rússia, Turquia, Hungria, Israel e Indonésia. Gostamos destes países porque apresentam boas perspectivas de crescimento de lucros. O crescimento é sempre atractivo mas temos de estar cientes que ao adquirirmos acções que têm rácios P/L de 20x, já não deveremos obter muito rendimento, enquanto se adquirirmos acções com rácios P/L de 10x, iremos sempre beneficiar do crescimento económico do país e temos aí um bom investimento. Temos tido boas apreciações a nível da carteira dado que temos algumas empresas do ramo automóvel que têm beneficiado dos problemas que a Toyota tem apresentado.
O fundo tem quase 40 por cento da carteira alocada no sector de serviços financeiros. Este sector está de boa saúde nos mercados emergentes?
Em geral, o endividamento das famílias é bastante baixo nos países emergentes, e os bancos, na sua grande maioria, não estão muito alavancados e têm capacidade para conceder crédito. Além disso, estes países ainda têm mercados de crédito pouco desenvolvidos. Na maior parte dos países considerados emergentes, a concessão de crédito está a aumentar e as empresas que mais vão beneficiar com isso são os bancos.
Existem alguns países com problemas de endividamento. Há risco de deflagrar uma crise cambial em algum dos países considerados emergentes?
Nunca podemos ter a certeza, mas penso que a curto prazo não irá ocorrer alguma crise cambial. As contas correntes dos países emergentes estão em larga maioria positivas e as reservas de moeda estrangeira também se encontram em níveis elevados. Não existem razões para uma crise cambial, a mesma só surgiria caso o crescimento se deteriorasse ou se existissem problemas graves relativos aos défices orçamentais, dívida ou da balança de transacções correntes, situação que existiu nos anos 90 na Europa de Leste, mas que não existe na actualidade. Até pode haver uma crise cambial, mas no longo prazo. Actualmente não é algo que nos preocupe.
Num horizonte entre 3 e 5 anos, qual a rendibilidade anual que um investidor pode esperar ao aplicar dinheiro no fundo Schroder Global Emerging Market Opportunities
?
O objectivo do nosso fundo é atingir um crescimento anual de 15%, tendo por base um período de três anos. Obviamente que não é um valor garantido. É uma previsão. Desde que o fundo foi criado que obtivemos rendibilidades anuais próximas dos 11%. Se conseguimos fazer isto nos últimos três anos, 2008 inclusive, porque não haveremos de conseguir atingir os 15% anuais a cinco anos? Claro que se os mercados emergentes crescerem vinte e cinco por cento por ano, o fundo terá que obter uma rendibilidade maior. No caso dos mercados emergentes sofrerem uma quebra de vinte por cento, o fundo não irá conseguir atingir os quinze por cento no entanto irá certamente obter uma rendibilidade superior. Vai sempre depender do que acontecer nos países, mas acreditamos que a meta dos 15% é perfeitamente atingível.
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Rendibilidade a 1 ano |
Rendibilidade a 3 anos |
Rendibilidade a 5 anos |
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| BlackRock GF Emerging Markets E2 EUR |
74,17% |
2,36% |
9,16% |
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| BNY Mellon Global Emerging Markets Eq. Value A EUR |
72,16% |
3,68% |
8,84% |
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| Schroder Global Emerging Markets Opportunities B EUR |
66,94% |
6,13% |
N.A. |
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| UBS EF Emerging Markets P (Eur) |
72,86% |
1,45% |
8,07% |
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Fonte Bloomberg. Rendibilidades anualizadas em euros líquidas de impostos. N.A. - Não aplicável. Fundo com menos de 5 anos. 3 Março 2010
Rácio P/L
Preço da acção dividido pelo lucro por acção nos últimos 12 meses de exercício. Significa o número de anos necessários para recuperar o dinheiro investido, caso a empresa cotada distribuísse todos os lucros aos accionistas. Numa interpretação simples, quanto menor for, melhor é para o investidor .