Não é fácil fazer discursos brilhantes sobre o Afeganistão. Nem o Presidente Obama, o mestre da versão moderna da retórica, conseguiu alcançar o nível habitual quando falou aos alunos de West Point no mês passado
. Porquê? Porque não há escolhas fáceis, ou soluções rápidas. Esta é uma campanha de longa duração, para alcançar fins que dependem de muitos actores para além das forças armadas da ISAF
.
Porque a comunidade internacional, com mais de 40 nações envolvidas, continua a lutar no Afeganistão.
Porque vai Portugal enviar, nas próximas semanas, um grupo de militares sem restrições para se juntar às forças já presentes? Citei num post
, há alguns meses, as razões principais para a presença no Afeganistão. O melhor resumo destas razões ouvi-as recentemente de um General Britânico, Sir Peter Wall
, que disse que a luta no Afeganistão era uma luta sobre que forma de governação resultaria - a dos Talibãs, ou uma que ofereça à população local alternativas melhores. Alternativas como, por exemplo, ir à escola ou ter acesso a cuidados básicos de saúde. A comunidade internacional quer um Afeganistão estável e seguro, soberano em toda a extensão do seu território e capaz de dar ao seu povo um governo representativo e condições para a prosperidade económica.
Mas há uma segunda pergunta. Porque nos importa a forma de governação dum território tão distante e desconhecido? Há quase dois séculos que os meus compatriotas não estavam presentes naquela parte do mundo para melhorar a forma da democracia, ou os direitos dos locais. Mas houve uma profunda mudança desde essa altura. Hoje em dia, a forma de governação no Afeganistão tem um impacto directo sobre a segurança do Reino Unido, e não só. Não se pode dissociar uma da outra.
Por isso, Gordon Brown será anfitrião, juntamente com o Presidente Karzai e Ban Ki-moon, duma conferência em Londres no dia 28 de Janeiro sobre o futuro caminho do Afeganistão
. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado será um dos participantes. Os objectivos da reunião são claros; definir as condições para o Afeganistão controlar por completo a sua segurança e a forma como a comunidade internacional pode ajudar o Presidente Karzai a atingir as metas estabelecidas no seu discurso de tomada de posse nas áreas de:
· segurança;
· desenvolvimento e governação;
· enquadramento regional e internacional.
Os três elementos estão nitidamente ligados. Não há desenvolvimento sem segurança. Mas também não há segurança sem um quadro regional mais estável. Por isso se fala em 'Af/Pak'. Foi por isso que David Miliband visitou recentemente Paquistão
.
O espírito de Obama deve manter-se. Yes we can, mesmo no Afeganistão. Mas o 'we' desta frase são muitos, que devem trabalhar juntos. Daí a Conferência de Londres.