1. Apetece dizer que em terra de cego quem tem olho é defeituoso. Isto a propósito do suscitado quanto à decisão de compra da COSEC, tão consentânea com o direito à indignação de (alguma) função empresarial, face aos alegados atrasos e dificuldades no acesso aos seguros de créditos à exportação. Há quem entenda que essa compra deve ser reprovada. Admirável erro. O Estado somos todos nós. Quando o nós-público reage a uma actuação do nós-privado que se prova indiferente ao abatimento profundo da economia e à evolução fulgurante do desemprego, a mim, apetece mais perguntar, afinal, para que serve o que os agentes privados sabem fazer? ... é vazio de sentido o bom-gestor que escolhe ignorar a sociedade que o serve e que deveria servir.
2. Tenho à mão de semear os números da Turquia. Não apetece. Não guardei memória dos interesses empresariais, entraves no mercado ou sequer oportunidades de negócio. Mas retive Mustafa Kemal Atatürk, estadista revolucionário, fundador e primeiro Presidente da República da Turquia. Retive a visão de Atatürk para uma Turquia iluminada, democrática e secular, que queria ver inserida e reconhecida na Humanidade. Mas sobre Atatürk e o kemalismo (assim são chamados os princípios das suas reformas), na sua vertente que transformou súbditos em cidadãos, não sei, não devo, escrever. Procurem.
3. Apetece-me, isso sim, escrever as palavras que me saíram pela boca quando li um aviso de ALTERAÇÃO DE TAXA/SPREAD, seguido de uma mera indicação da TAEG, não discriminada, o que é o mesmo que dizer acção dissimulada, e quem responsável a merecer viver o resto dos dias à míngua. Apetece-me escrever sobre a proposta de alteração de financiamento de partidos, que é o mesmo que dizer, vergonha. Ou sobre o empregado de mesa, licenciado em História e mestre em História de Arte, impedido de ensinar em Portugal, que entre o café e a saída, ensina a minha filha sobre a minha cidade do Porto. Apetece-me escrever sobre os prémios a gestores, bons ou maus, pouco releva. Sobre reformas míseras após 65 anos de trabalho, e sobre outras, três e quatro, em acumulação, milionárias, nem sei como, nem preciso de saber porquê. Apetece-me escrever sobre programação televisiva. Sobre hábitos. Sobre cultura. Apetece-me escrever sobre Educação. Sobre revoluções. Não o faço.
E se isto não é Economia, admirável erro!, então, Economia é o quê?
Nota:
Muito Boas Notícias.
As Nações Unidas apresentaram a primeira universidade global online, gratuita, para facilitar o acesso à educação superior de estudantes de regiões menos desenvolvidas. Poderão informar-se neste site (http://www.uopeople.org/ ) e apresentarem desde já a vossa disponibilidade para algum tipo de participação, por exemplo com conteúdos ou interacção online) através de
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Nota
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