Da cabeça do 'bom gigante' saíram muitas bolas, às quais Eusébio respondia com golos do Benfica. E o altruísmo de José Torres no relvado tinha correspondência na boa disposição fora dele. (Veja vídeo SIC no final do texto)
13:40 Sexta feira, 3 de setembro de 2010
José Torres no dia da inauguração do novo estádio da Luz, em Lisboa
Estádio de Wembley, 27 de junho de 1966. De cabeça, o 'bom gigante' desfeiteou o mítico guardião soviético Lev Yashin, e deu a Portugal o 3.º lugar no Mundial de futebol. Longe dos tempos de glória, José Torres morreu hoje, aos 71 anos.
O seu 1,91 metros de altura e a bondade, reconhecida pelos companheiros, valeram-lhe a alcunha de 'bom gigante', numa carreira que durou 23 anos, que o tornou uma figura incontornável do "glorioso" Benfica da década de 60 e dos 'magriços' do Mundial de 1966.
Gorada a hipótese da presença na final, em Wembley, José Torres marcou o golo que consolou Portugal quando o encontro estava empatado 1-1, ainda com as lágrimas de Eusébio bem presentes na memória, após o afastamento da final, às mãos da anfitriã Inglaterra.
Melhor marcador em 1962/63
José Torres chegou ao Benfica com 20 anos, depois de se ter iniciado no futebol no clube da cidade onde nasceu, Torres Novas, a 8 de setembro de 1938. Na Luz, enfrentou a forte concorrência de José Águas, titular indiscutível do ataque 'encarnado', mas acabou por conseguir "saltar mais alto" e foi o melhor marcador da época de 1962/63, com 26 golos.
Da cabeça do 'bom gigante' saíram muitas bolas, às quais Eusébio respondia com remates para o fundo das redes. E o seu altruísmo no relvado tinha correspondência na boa disposição fora dele.
"Sonhava de noite para fazer dia", lembra José Augusto, seu habitual companheiro de quarto, cúmplice nas partidas arquitetadas para pregar aos colegas de equipa.
Fora dos títulos europeus
Apesar de já integrar o plantel do Benfica, José Torres não jogou nas competições europeias nas épocas de 1960/61 e 1961/1962, nas quais o Benfica se sagrou campeão europeu. Nas épocas de 1963, 1965 e 1968 teve um papel importante na presença dos 'encarnados' nas finais europeias, mas não conseguiu fazer a festa.
Para a história, fica também uma frase. "Deixem-me sonhar", disse José Torres quando poucos acreditavam no apuramento para o Mundial de 1986. Carlos Manuel fez a vontade ao então selecionador, com o famoso pontapé de Estugarda, que colocou Portugal no Mundial do México.
Ironia, ou não, o sonho acabou por se transformar no pesadelo de Saltillo, devido às convulsões no seio da equipa nacional que marcaram a presença lusa.
14 golos por Portugal
José Torres estreou-se na seleção portuguesa em 1963, numa derrota frente à Bulgária (0-1), e despediu-se 10 anos depois, precisamente frente à mesma equipa, que marcou também a despedida de Eusébio e Simões.
Ao serviço da equipa nacional apontou 14 golos, três dos quais na fase final do Mundial de Inglaterra em 1966, onde alinhou nos seis jogos da competição, na qual a seleção conseguiu a sua melhor classificação de sempre, o 3.º lugar.
O 'bom gigante' deixou o Benfica em 1971, rumo ao Vitória de Setúbal, onde esteve até 1975, ano em que rumou ao Estoril-Praia, clube no qual terminou a carreira, em 1980, então com 42 anos, com um saldo total de 217 golos em 384 jogos.
Fim de vida atribulado
Como treinador, função que chegou a acumular com a de jogador ainda no Estoril, orientou o Estrela da Amadora, o Varzim e o Boavista.
Apaixonado pela columbofilia (nos últimos tempos era Chalana quem ajudava a cuidar dos seus pombos), José Torres enfrentou um drama pessoal nos últimos anos de vida devido à doença de Alzheimer, à qual se juntaram problemas financeiros. Alvo de homenagens e festas de angariação de fundos, o 'bom gigante' viveu o fim de vida praticamente na miséria.
Não é por detestar o benfica que não presto a minha sincera homenagem a este Sr. Sempre admirei a sua forma de estar e o calor humano que transmitia em todas as suas intervenções públicas. Como jogador acho que foi impar. Como pessoa acho que era diferente para melhor. No anoitecer da sua vida consta que o seu clube de sempre, falhou. A doença que o afligiu foi severa e de uma violência extrema. Á degradação do homem o seu clube foi insensível. Acabo de falar com o meu cunhado que disse que vários foram os peditórios para ajudar Torres... tenho sincera pena em não poder ter tido conhecimento para ajudar. Paz á sua alma e que Deus o acolha no seu regaço com o amor que merecem os homens bons.
Como já o afirmei aqui por diversas vezes não sou um adepto fervoroso do futebol, embora não deixe de acompanhar o fenómeno. Hoje é um dia de tristeza para o desporto, para todos os portugueses e por conseguinte para o País. Penso interpretar o sentimento de todos e por isso não quero deixar de lhe agradecer tudo o que fez por levar bem longe o nome de Portugal. São exemplos destes que devem ser considerados e neste momento bem necessários são, tanto no desporto como na politica, porque este País não deve nem pode parar. Por mais que escreva, não consigo porque não tenho o engenho e arte de dizer o quanto devia ser dito e por isso resta-me terminar enviando condolências à família enlutada e paz à sua alma. Bem haja.
O esquecimento de alguns responsáveis que não estiveram presentes no funeral de José Torres, é revelador da falta de memória que, qual praga, atingiu os portugueses. Mais facilmente se manifestam ao lado daqueles que só são bons depois de mortos e José Torres, foi um HOMEM e um DESPORTISTA bom, era como se diz nas aldeias "GENTE BOA" e, isso num país de "manhosos" tem custos. Não sou benfiquista, faço parte das minorias, mas recordo Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões, como não esqueço do lado do SCP, Carvalho, Morais, José Carlos, Alexandre Baptista e Hilário. Para a famíla as minhas sentidas condolências. Por fim quero dizer que durante alguns anos privei com alguns columbófilos, residentes próximo de Torres Novas que o conheciam, ao lidar com estas pessoas percebe-se a paixão pelos pombos.
Que descanse em paz. Fico triste com a sua morte e muito
e especial, por saber que morreu na miséria. Como benfiquista sinto-me envergonhado por tal facto.E até custa a crer que o SLB se possa ter esquecido deste homem que tantas alegrias proporcionou aos benfiquistas e
aos portugueses ,em geral, quando representou a seleção.
Sentidas condolências aos seus familiares e amigos.
e urram com o voo da galinha, esqueceram quem no passado fez voar o Benfica mais alto que as águias. Deixaram morrer na miséria e no esquecimento um HOMEM que valia mil Mantorras e sustentam este porque o orelhas quer agradar à família Santos. Adeus amigo, pelas alegrias e pelo desportivismo e grandeza de atleta e de Homem que sempre demonstraste no campo e fora dele.
Até um dia.
Saudades e homenagem sincera de um Portista.
É incrivel esta noticia, fico pasmado de ver a insensibilidade com que o clube e a federação, trataram este homem.
Já todos esqueceram que ele foi um dos responsáveis pelos exitos e fama do Benfica nos anos 60.
Foi, igualmente um dos grandes do mundial de 66.
Mas, fora o Eusébio e o Simões, todos foram esquecidos.
O Benfica deve a fama que tem a esses homens e Torres incluido.
O que era para o aorçamento destas institições, uma subvenção mensal para este grande homem? Se o fazem com o Eusébio...
Hoje todos falam com saudade do mundial de 66 e graças a quem? Não foi só o Eusébio.
Mundo cão este, em que após tanto ter dado, nada se recebe, nem mesmo a gratidão do clube que ajudou a engrandecer. Talvez por isso, este seja agora apenas um clubeseco, que vive á sombra da gloria alcançada por este e outros grandes jogadores.
Não sou benfiquista, mas sei reconhecer quem teve valor e todos sabemos qual o de JOSÉ TORRES.
Paz á sua alma.
Primeiro entre iguais, em 66 tinha eu 11 anos deu-me uma grande alegria, fez-me sentir um grande orgulho em ser Português. Acabou sem glória e sem apoios, pobre povo que trata assim os que tanto lhe deram.Não o mereciamos.
PERDOA-NOS.