O primeiro-ministro José Sócrates anunciou hoje no final da 7.ª cimeira da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa que vai convocar uma reunião de ministros dos oito países da CPLP para se entenderem quanto à data da entrada em vigor do acordo ortográfico.
No início da reunião dos chefes de Estado e de Governo, hoje de manhã, o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad, havia anunciado que o seu país projecta dar esse passo em 2011 ou 2012.
O anúncio marcou os trabalhos da cimeira, realizada sem a presença dos presidentes de Moçambique e de Angola, e deu início à segunda presidência portuguesa da organização.
"Agora é connosco, agora somos nós que temos o dever de liderar a CPLP, que constitui a prioridade das prioridades da política externa portuguesa", afirmou José Sócrates, no final dos trabalhos, que decorreram no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Portugal definiu como ponto central da sua presidência o reforço e promoção da língua portuguesa, um tema que, segundo o Presidente Cavaco Silva, reúne o consenso de todos os membros: "Esta cimeira ficará como marco da afirmação do português na cena internacional".
Em 2010, Portugal cederá a presidência a Angola, que organizará então a próxima cimeira, segundo anunciou o Primeiro-ministro, Fernando da Piedade (Nandó).
O primeiro-ministro angolano revelou também que a ratificação do acordo ortográfico será uma tarefa prioritária para o novo Parlamento, que sair das eleições legislativas marcadas para 5 de Setembro.
A cimeira deu o seu aval ao programa apresentado por Portugal, que se centra em torno de quatro prioridades: a língua portuguesa, o estabelecimento de um estatuto de cidadão lusófono, o reforço da concertação político-diplomática nos fóruns internacionais e a cooperação nos sectores da educação, cultura, energia e segurança alimentar, esta última acrescentada por proposta de Cabo Verde e S.Tomé e Príncipe.
No domínio da energia, Sócrates anunciou que a presidência portuguesa irá convocar para breve uma reunião sectorial para debater o tema, mas que esse diálogo não implicará a concretização de nenhum acordo comercial.
A criação de uma rede de escolas e bibliotecas, bem como de uma televisão por Internet gerida em conjunto pelos oito membros da Comunidade são alguns dos objectivos previstos no programa da presidência portuguesa.
Entre as decisões da cimeira consta também a nomeação de um novo secretário-executivo da CPLP, o guineense Domingos Simões Pereira, e a aceitação do Senegal como observador associado da organização. Neste momento, já têm esse estatuto a Ilha Maurício e a Guiné-Equatorial, e Marrocos pediu oficialmente para o ser.
A Guiné-Equatorial, considerada um dos países mais repressivos de África, fez saber que pretende tornar-se membro pleno da organização, uma questão que, segundo afirmou o ministro Luís Amado aos jornalistas, não é pacífica entre a comunidade.