13/02/2012 atualizado às 1:11
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A vontade popular

Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 14 de janeiro de 2010

Se tudo correu conforme previsto, a Assembleia da República terá aprovado ontem a lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo - recusando simultaneamente a realização de um referendo sobre o assunto, conforme proposto à Assembleia por cerca de 90.000 cidadãos. Sou inteiramente a favor da legalização dos casamentos homossexuais, mas tenho as maiores dúvidas da legitimidade de o Parlamento recusar um referendo sobre esse tema. Sou a favor do casamento, primeiro que tudo porque ele põe fim a uma série de injustiças concretas que, a meu ver, só por preconceito são justificáveis, e, sobretudo, por uma razão de princípio: eu posso achar o casamento homossexual uma coisa natural ou antinatural, mas, seja o que for que eu ache, isso não afecta em nada os meus direitos ou os de outros, não directamente envolvidos. E detesto a ditadura das maiorias, que é regra nas sociedades de hoje, e que leva a proibir e interditar tudo aquilo de que uma maioria circunstancial não gosta ou não pratica. A razão por que defendo o direito de os homossexuais se casarem é a mesma razão por que defendo os direitos dos fumadores, dos caçadores, dos amantes de touradas ou dos praticantes de nudismo: se não incomodam os outros, porque hão-de os outros incomodá-los? A mim, o que me incomoda não é que as pessoas se queiram casar, seja qual for a sua orientação sexual: o que me incomoda é que as pessoas que não querem casar sejam casadas à força pelo Estado, como sucedeu com a recente e imbecil lei das uniões de facto.

Mas a recusa do referendo solicitado à Assembleia da República é outra história e põe em causa outro tipo de questões - talvez, até, bem mais importantes. Ou se aceita a existência de referendos num sistema de representação parlamentar puro ou não se aceita. Não sendo plebiscitário, o nosso sistema prevê, contudo, a realização de referendos, inclusive por iniciativa popular, se aprovados pelo Parlamento e reunida uma série de condições fixadas na lei. Acreditem que não é fácil a nenhum grupo de cidadãos, organizados ad hoc, recolher os milhares de assinaturas que a lei exige para o requerimento à Assembleia. Noventa mil assinaturas recolhidas merecem respeito, e o facto de os signatários se moverem na direcção oposta à da maioria parlamentar e política não pode ser motivo válido para a rejeição liminar de qualquer referendo. A maioria deles, aliás, visa quase sempre um fim oposto ao de uma maioria política de momento: é isso mesmo que os justifica. Como escreveu Helena Matos, no "Público", "podemos gostar ou não do que essas 90.000 assinaturas querem dizer, mas é no aceitar dos resultados desagradáveis que as democracias se distinguem das ditaduras". O referendo é um instrumento de contenção ou alteração da vontade política pela vontade popular, em assuntos específicos. E se a soberania da lei reside no povo, que delega a sua vontade em representantes, nada impede que em certos momentos o povo queira suspender essa delegação de poderes e chamar a si a resolução directa de determinado assunto. Para quem aceitar este princípio, fica até difícil rejeitar à partida qualquer referendo, excepto se o seu objecto for inútil, despiciendo ou contrariar directamente normas constitucionais.

O tema dá pano para mangas, mas eu não vi, até agora, qualquer argumento que me convencesse, que, no caso concreto, não deve haver lugar a referendo. O argumento de que não se referendam direitos fundamentais é o da carroça à frente dos bois: se nada existe na Constituição sobre o casamento de homossexuais e se se está justamente a votar uma lei que o permita, não pode haver direito fundamental se nem sequer existe ainda o direito consagrado em lei. O argumento de que o casamento de homossexuais consta do programa do actual Governo e que, por via disso, já estaria sufragado com a eleição legislativa, esse, é pura demagogia, para não dizer batota. Algum eleitor sabe quais são as 722 medidas do programa do Governo e algum votou sim a todas elas? E, enfim, o argumento de que não deve haver lugar a referendo porque a AR "tem toda a legitimidade para legislar sobre o assunto", esse, é simplesmente pateta. Se isso fosse argumento, então nunca haveria lugar a referendo algum, pois que, por definição, a AR tem competência para legislar sobre qualquer assunto. Mais vale rever a Constituição e extinguir o referendo, uma vez que o poder político parece dar-se tão mal com essa limitação dos seus poderes.

Ao contrário, eu penso, obviamente sem cair na banalização, que o referendo é uma forma de legitimar as decisões políticas mais complicadas na área dos direitos difusos, "questões fracturantes" ou lá como lhes queiram chamar. Agora, é verdade que isso não dispensa o incómodo de ter de convencer a maioria da razão que assiste a uma 'vanguarda' que, em determinado momento, quer alterar o estado de coisas - e nem sempre com razão. Temos dois exemplos opostos e que foram ambos marcantes. Na despenalização do aborto - que era uma causa bem mais pacífica e de justiça mais evidente - a maioria política de esquerda começou por perder o primeiro referendo, por simples arrogância intelectual. A injustiça manteve-se, mas, pelo menos, a lição política foi aprendida, porque, no segundo referendo, a esquerda mostrou mais respeito pela opinião dos eleitores e empenhou-se em convencê-los. Na regionalização, uma impressionante maioria política e institucional - que reunia todos os partidos de esquerda e parte do PSD, todos os autarcas e barões locais de todos os partidos, o Presidente da República, as centrais sindicais, Universidades e diversos poderes instalados - foi exemplarmente sovada por um grupo de cidadãos constituído ad hoc (e do qual tive a honra de fazer parte), depois de ter falhado por completo a tarefa de explicar aos eleitores as vantagens da idílica regionalização que propunham.

Não admira, por isso, que os que, sobretudo no PS e no PSD, já contavam com o ovo no cu da galinha e com uma generosa fábrica de 'tachos' e dinheiros públicos a desbaratar pelas famosas regiões administrativas, não tenham ainda desistido do sonho de impor a coisa sem ter de ir outra vez a votos, correndo o risco de nova e definitiva desautorização por parte dos eleitores: é essa a sua concepção de democracia. Mas há outros que, como José Sócrates, não se conformam também com o resultado do referendo à regionalização, mas, por pudor e por inteligência, entendem que ela agora só pode avançar, sem escândalo geral, através de um referendo que a legitime. E isso é curioso: se o poder político pode impor os referendos que lhe convêm e quando convêm - incluindo a sua repetição, quando o resultado lhe for desfavorável - qual é o argumento para negar igual direito à iniciativa popular?

Apesar de, repito, a situação actual configurar uma injustiça para com os homossexuais, não vejo que a sua reparação seja de tal forma urgente que não possa esperar meses pela realização de um referendo. Vencer e convencer seria a melhor e mais digna maneira de resolver definitivamente este assunto e colocar essa resolução ao abrigo de uma eventual maioria de direita que entenda, mais tarde, desfazer o que agora se fez. De duas, uma: ou se assume que se está a legislar contra a vontade da maioria; ou, então, se se arroga a representação dessa vontade, não se pode ter medo de a confirmar por consulta directa.

Texto publicado na edição do Expresso de 9 de Janeiro de 2010

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Ora Miguel...
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 3:10 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010

Tudo isso é muito lindo mas o Miguel sabe muito bem que ainda hoje estaríamos à espera da emancipação da mulher se esta dependesse de referendos. Assim como ainda hoje estaríamos à espera da abolição da escravatura se tivessem de ser as massas ignaras e preconceituosas a decidir. Assim como devia saber que a pena de morte existiria em Portugal se a maioria dos cidadãos fosse chamado a decidir sobre essa matéria.

Um referendo em Portugal sobre os direitos civis dos homossexuais não seria nunca um referendo sobre o casamento homossexual mas sim um referendo sobre a homossexualidade.

Será que o Miguel é ingénuo ao ponto de acreditar que a maior parte dos portugueses não se limitaria a fazer a cruz do preconceito absoluto, do esterótipo total e da discriminação mais profunda? A maior parte dos portugueses limitar-se-ia a "assinar de cruz" (literalmente) o discurso do sr. padre.

Que referendo seria este, quando uma instituição arcaica, anacrónica e medieval como a Igreja Católica detém um poder e uma influência tais que condiciona e determina o comportamento eleitoral dos cidadãos, enfiando-lhes na cabeça preconceitos absolutamente abjectos e ignorantes sobre a sexualidade humana e sobre o que é certo ou errado?

Além disso, a haver referendo, sobre que matéria se debruçaria?

Sobre o casamento Homossexual?

Sobre a adopção de crianças por casais homossexuais?

Sobre os dois?

Ora, Miguel, francamente!!!!
 
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    Re: Ora Miguel...    Ver comentário
cjours (seguir utilizador), 2 pontos , 17:35 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Ora Paulo...    Ver comentário
aquitoueu (seguir utilizador), 1 ponto , 9:57 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
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Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 15:04 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
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Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 20:18 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Ora Miguel...    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 11:46 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Ora Miguel...    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 14:57 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Ora Miguel...    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:59 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Ora Miguel...    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 1:04 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: Ora Miguel...    Ver comentário
Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 11:47 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
CONFUNDIR O INCONFUNDIVEL
odisseia na terra (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 11:28 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Esta treta dos homossexuais é uma autentica aberração. Não é o facto de existirem mas sim o efeito socialmente perverso q suscita os seus pretensos direitos. Estranha-me q confunda umas toiradas, dar umas passas ou andar por aí nu com algo tão destruturante do ponto de vista civilizacional como dizer a cada um dos meus cinco filhos que a homossexualidade é algo aceitável, recomendável, bom.
Você que tem um filho diga-me lá se nas seus desejos vislumbra a possibilidade que ele seja maricas… é o desejas e se tal acontecer não deixará de ser no âmbito da desgraça ou se quiser uma grande chatice.
Eu ainda acredito que uma sociedade tem que ter regras e princípios. Que nem tudo é relativo e o que nos distingue do passado e do retrocesso é saber distinguir o bem do mal. Acredito que existem realidades q não podem ser alteradas porque caso o sejam, desvirtuam… Democracia sem Liberdade de Informação não é uma democracia.
O Estado deve regular as situações em função da sua dimensão e importância e não em função de modas ou em nome de uma pretensa modernidade. Qualquer grupo de cidadãos q entenda que merece equiparação ou tratamento especial só deverá merecer a atenção do legislador em função da sua dimensão, importância e contributo para o bem comum. Não é por haver muitos cleptomaníacos q vamos agora rever o conceito de furto ou roubo.O q está em causa é algo estéril e daí a pretensão da adopção. Através da adopção obtêm artificialmente a essência da família q é a procriaçao.
 
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    "... saber distinguir o bem do mal."    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 15:09 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re:    Ver comentário
Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 19:59 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    SER CRENTE , SER INTELIGENTE    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 11:25 | Segunda feira, 18 de janeiro de 2010
    SER CRENTE , SER INTELIGENTE 2    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 12:25 | Segunda feira, 18 de janeiro de 2010
    SER CRENTE , SER INTELIGENTE 3    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 12:37 | Segunda feira, 18 de janeiro de 2010
    Re: SER CRENTE , SER INTELIGENTE 3    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 22:52 | Segunda feira, 18 de janeiro de 2010
    LIVRE ARBITRIO    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 10:41 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    Re: LIVRE ARBITRIO    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 3 pontos , 11:48 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    Re: LIVRE ARBITRIO / 88MIN ÚLTIMO REMATE    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 16:15 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    Re: LIVRE ARBITRIO / 88MIN ÚLTIMO REMATE    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:44 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    Re: SER CRENTE , SER INTELIGENTE 3    Ver comentário
antespelocontrario (seguir utilizador), 1 ponto , 9:26 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    ACEITAR A CRUZ, MORRER E NASCER DE NOVO    Ver comentário
AUGUSTO ROSA (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    Re: ACEITAR A CRUZ, MORRER E NASCER DE NOVO    Ver comentário
antespelocontrario (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    Re: extraordinario, pá    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 18:52 | Terça feira, 19 de janeiro de 2010
    NO COMMENT...    Ver comentário
Zaratustra70 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:37 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: NO COMMENT...    Ver comentário
Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 19:55 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
A vida dos outros!!!
lord byron (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 16:33 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Não sou homossexual, não tenho qualquer interesse em discutir o nome que se dá ao acto de juntar duas pessoas do mesmo ou de outro sexo, uma vez que é uma decisão consciente entre adultos e se isso incomoda terceiros…temos pena, mas vão chatear um qualquer Camões disponível para esse peditório!
Sou heterossexual, fumador, não gosto de caça, nem de touradas!
Mas comparar lazeres (tourada e caça) ou prazeres para alguns vícios para outros (fumar), com direitos humanos que não incomodam ninguém…parece-me misturar alhos com bugalhos!
Vamos lá ver se nos entendemos…para mim nem o referendo ao aborto alguma vez fez sentido, mas…e aqui ainda compreendo o mas, existem pessoas que vêm num feto mais que um aglomerado de células.
Agora, querer referendar os direitos de terceiros…sobre a capa de uma qualquer pseudolegitimidade que como todos sabemos não passa de intolerância e preconceito… é vergonhoso!!!
Não gostam de homossexuais?
Não querem que eles se casem?
E exactamente o que é que têm a ver com isso???
Eu penso que eles têm o mesmo direito a serem infelizes que heterossexuais!
Mas numa altura que tanto se fala em mudança de mentalidades. Sugiro que comecemos por algo comunzinho e bastante básico como a coscuvilhice. Uma vez que ter opinião sobre a vida do vizinho ou sobre o casamento dos outros é coscuvilhice e nada mais!!!
 
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    Re: A vida dos outros!!!    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:20 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: A vida dos outros!!!    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 16:08 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: A vida dos outros!!!    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:35 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: A vida dos outros!!!    Ver comentário
ZeBode (seguir utilizador), 1 ponto , 0:29 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
    Re: A vida dos outros!!!    Ver comentário
ZeBode (seguir utilizador), 1 ponto , 0:14 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
    Re: A vida dos outros!!!    Ver comentário
ZeBode (seguir utilizador), 1 ponto , 0:31 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
" à luz da lei " a prosa faz todo o sentido ,
J Saints (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 9:52 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010

mas "socialmente" pouco ou mesmo nenhum .

MST deslumbrou-se com este tema a que ainda insistem chamar " fracturante " e compara o incomparável .

Apesar de cada um ter direito à sua opinião do tema parece que MST ( conhecido por ser dono do seu nariz ) quer "mandar ou brincar com o nariz dos outros "...

PS. o resto é um exercíco simples e democratico de "interpretação " de palavras .

 
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Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 11:15 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
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J Saints (seguir utilizador), 2 pontos , 11:39 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
INJUSTIÇA E DISPARATE É AGORA
Utente (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 19:12 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
O articulista despistou-se. Não havia injustiça alguma na exclusão de casamentos gay, ou tanta quanta na exclusão da poligamia. Agora é que há injustiça e discriminação. O casamento é, e sempre foi, instituto protector (embora não promotor…) da fecundidade. E, por isso mesmo, vedado entre parentes próximos, assim excluindo cobertura a relações incestuosas, origem de malformações. Não tem, pois, qualquer lógica, por contraditória, a inclusão nesse instituto de uma situação estéril por natureza. Nem, consequentemente, o dito risco ocorre entre pessoas do mesmo sexo. Porquê, então, não poderem valer-se do contrato dois irmãos vivendo em conjunto e poderem fazê-lo dois indivíduos não aparentados, homo ou heterossexuais?!
 
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A vontade popular
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:52 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Pelo andar da carruagem vamos ter assunto no minímo para seis meses. Eu sei que vivemos num País onde não se passa nada ou coisa nenhuma. Compreendo e até admiro os jornalistas que pegam numa noticia do tamanho de um grilo e a transformam num elefante. Eu até me considero um democrata, tolerante e com bom senso. Mas isto dos gays começa a provocar-me voltade de pedir o divorcio do assunto. Já compreendi que muita tinta vai correr, mesmo depois da adopção que no meu entender vai acontecer. Não vejo nenhuma justificação para ter de haver um referendo. Eu como já afirmei nunca me deslocaria às mesas de voto. Esse assunto é uma questão pessoal. Que tenho eu haver com que a Maria queira viver com a Ana, ou o Manel com o Zé. Cada um que coma do que gosta desde que não obriguem os outros a comer do mesmo. Se o primeiro referendo do aborto e da regionalização foram um fracasso este seria um desastre. Já estou a imaginar os padres lá para os lados do Norte e não só a escomungarem todos os que votassem a favor. Liberdade também é cada um dar o cu a quem quizer ou não dar o cu a ninguém. Peço sempre comprimidos ao médico quando estou doente, mas há quem goste de sopusitórios. Que tenho eu com isso. Cada um que como do que gosta se tiver possibilidades.
 
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Referendos!
userEX113852 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 23:54 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Miguel Baía

Não compreendo a razão desse interesse pelos referendos! Nunca nenhum dos 3 realizados foi válido, ou seja, o povo não passa cartão aos referendos!

Imagine o MST que, um "bem-intencionado" grupo de 90 000 cidadãos, solicita ao parlamento a realização de um refendo para que, por exemplo, os negros em Portugal passem a viver separados dos brancos. O parlamento deveria aceitar essa consulta ao povo, já que se exige respeito por 90 000 pessoas e por aqueles que tiveram que suar as estopinhas para conseguir tão elevado número de assinaturas?

Um refendo aos casamentos gay é equivalente. Um grupo de 90000 "bem-intencionados" exige que uma minoria continue a ser discriminada.

É claro que o MST, aproveitava oportunidade para defender os seus nefastos vícios: O direito de os fumadores matarem (por morte lente) os que estão por perto e o direito de poderem infligir horrores aos animais quer seja através da caça (matar por prazer!) ou da tourada (o prazer de multidões, obtido através do martírio e morte de um animal nobre o touro).
Miguel Baía
 
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Incomoda sim!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 2:49 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Os fumadores incomodam.

Os caçadores incomodam.

O espectáculo da crueldade exercida pública e cobardemente sobre animais incomoda.

Os pares homosexuais com direito a adoptar, como inevitavelmente acontecerá se o casamento avançar, podem incomodar o desenvolvimento de muitas crianças.

Tirando isto, o referendo por iniciativa popular aparece bem defendido. Que o regime despreza o povo, já se sabia. Compete ao povo pagar-lhe na mesma moeda.
 
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    podem incomodar o desenvolvimento de mts crianças    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 3:17 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: EU TENHO A CERTEZA    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 11:42 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Parvoíces demagógicas    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 14:22 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Só para te dizer ...    Ver comentário
VISCOPE (seguir utilizador), 1 ponto , 18:02 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 18:20 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 3 pontos , 20:57 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 2:38 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 8:07 | Domingo, 17 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 8:10 | Domingo, 17 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
AntiFar2 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:38 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: Só para te dizer ...    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:58 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: és um aldrabão    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 20:26 | Sábado, 16 de janeiro de 2010
    Re: és um aldrabão    Ver comentário
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 6:33 | Domingo, 17 de janeiro de 2010
    Re: alem de aldrabão    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 10:50 | Domingo, 17 de janeiro de 2010
Mas ora ai esta
como é que diz que é (seguir utilizador), 1 ponto , 9:10 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
"O argumento de que não se referendam direitos fundamentais é o da carroça à frente dos bois: se nada existe na Constituição sobre o casamento de homossexuais e se se está justamente a votar uma lei que o permita, não pode haver direito fundamental se nem sequer existe ainda o direito consagrado em lei."

Facto: tal como a Constituiçao esta agora, nao permitir um casamento somente com base na orientaçao sexual do casal é inconstitucional. Nao sera a igualdade perante a lei independentemente da orientaçao sexual um direito fundamental? Alguem que me ilumine, se faz favor.
 
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    Re: Mas ora ai esta    Ver comentário
Zaratustra70 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:32 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
    Re: Mas ora ai esta    Ver comentário
Utente (seguir utilizador), 1 ponto , 1:21 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
    Re: Mas ora ai esta    Ver comentário
como é que diz que é (seguir utilizador), 1 ponto , 9:14 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
Bravo!
aquitoueu (seguir utilizador), 1 ponto , 9:55 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Dou-lhe os meus parabéns, Miguel. Há muito que não lia uma crónica sua tão coerente e tão bem explanada.

5*
 
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A muita palha estraga o sumo
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 11:07 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
MST devia fazer um resumo dos textos:mais curto,mais pragmático,mais linear.A muita palha estraga o sumo-
 
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Simples
rui dinis (seguir utilizador), 1 ponto , 11:17 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
A solução era simples mas não dava jeito ao PS porque o desgasta á esquerda e á direita assim está resolvido qualquer problema com a lei já não têm nada a ver com isso.
 
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Promover o debate e alargar consensos
1963777 (seguir utilizador), 1 ponto , 20:02 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Concordo que é fundamental dar aos casais homossexuais os mesmos direitos dos demais casais. E parece-me que a discussão que está em cima da mesa se prende menos com o questionar de tais direitos e mais com a forma como se irá garantir a sua salvaguarda: o casamento ou a “união civil” defendida pela oposição de direita. Assim sendo, garantir um consenso alargado sobre esta matéria, através de referendo ou da negociação com as principais forças políticas com assento parlamentar, seria do mais elementar bom senso para, como muito bem diz, resolver de vez o assunto, evitando que no futuro uma eventual maioria de direita se possa sentir legitimada a desfazer o que foi feito.

Passamos a vida a ouvir dizer que temos uma sociedade civil amorfa e sem iniciativa. Por isso, é pena que quando essa sociedade civil se mobiliza em torno de uma questão considerada “fracturante”, tal iniciativa não seja devidamente valorizada pelos poderes políticos, porque incomoda ou, como referiu, se opõe à maioria política do momento. Porque iriam estes “iluminados” consultar as “massas ignorantes e preconceituosas” que os elegeram se têm a mudança que desejam à distância de um … decreto? Dá certamente muito menos trabalho do que promover o debate e convencer os outros da bondade dos nossos pontos de vista. O problema, como bem sabemos, é que não basta legislar para mudar mentalidades e acabar com preconceitos.

Conceição Pereira
 
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FALSO PROBLEMA
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 21:01 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Tantos comentários, e todos resvalaram para a conversa sobre as preferencias sexuais e suas consequências, como é o casamento, quando, no meu modesto entender, o MST, trouxe aquí, sim, mas foi o problema de haver ou não legitimidade, com as 90.000 assinaturas, para fazer um referendo (qualquer referendo). Essa é que é a questão, meus senhores. Se não se faz agora um referendo (que eu também não apoio, porque leva á derrota certeira do casamento gay, como levou a regionalização e o aborto, devido à má influência da IC), também não haverá legitimação, para qualquer outro referendo. É uma questão democrática.
 
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    Re: FALSO PROBLEMA    Ver comentário
Annia (seguir utilizador), 2 pontos , 14:01 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
Que democracia?
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 10:57 | Domingo, 17 de janeiro de 2010
"Noventa mil assinaturas recolhidas merecem respeito, e o facto de os signatários se moverem na direcção oposta à da maioria parlamentar e política não pode ser motivo válido para a rejeição liminar de qualquer referendo. A maioria deles, aliás, visa quase sempre um fim oposto ao de uma maioria política de momento: é isso mesmo que os justifica. Como escreveu Helena Matos, no "Público", "podemos gostar ou não do que essas 90.000 assinaturas querem dizer, mas é no aceitar dos resultados desagradáveis que as democracias se distinguem das ditaduras". O referendo é um instrumento de contenção ou alteração da vontade política pela vontade popular, em assuntos específicos. E se a soberania da lei reside no povo, que delega a sua vontade em representantes, nada impede que em certos momentos o povo queira suspender essa delegação de poderes e chamar a si a resolução directa de determinado assunto. Para quem aceitar este princípio, fica até difícil rejeitar à partida qualquer referendo, excepto se o seu objecto for inútil, despiciendo ou contrariar directamente normas constitucionais."

Miguel, concordo.
Infelizmente, tem toda a pertinência interrogarmo-nos sobre a democracia (não) temos.

Às vezes, as ditaduras não são pessoais mas de uma minoria de oportunistas que, por diversas razões (ou engodos) chegou ao poder.
 
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