Extractos de várias conversas de um conhecido meu que fazem parte do espólio do Corpo Nacional de Escutas da Justiça Portuguesa. Apesar da sua importância, estão por avaliar, devido ao seu possível significado explosivo. Por as conversas se desenvolverem com uma elevada figura do Estado que não pode ser escutada sem autorização do próprio Noronha do Nascimento, só podemos revelar a parte do meu amigo. Ei-las:
O Sócrates lá tem que levar com o coiso. É inevitável. O coiso avança e pronto! E o coiso não tem primos, é invulnerável... O pior que deve ter feito foi dar um tiro num... Sim, mas daqueles mais pequenos, aquele rápidos, estás a ver? Ah, está feito com o Costa? Outro...
O Vara levou 25 quilómetros para casa, diz o Ministério Público... Pois, é menos do que tem construído a Mota Engil e a Teixeira Duarte, mas sempre é melhor que nada, não te parece? Claro, 25 quilómetros para ele não é nada, ele é homem para correr duas maratonas e ficar com fôlego para ir à China, ou dar a volta ao mundo. Vê lá que a volta ao mundo são 40 mil quilómetros, ou seja, 40 milhões de metros - e isso, sim, é quilometragem que se veja para um tipo que está no lugar onde ele está. Não me refiro à cadeira, mas ao lugar que ele tem no coração do outro... É fantástico, ele há amigos para a vida.
O Passos Coelho, eh, pá!, o Passos Coelho trabalha para o outro. O padre... Não foi padre? Olha, parece! E tem nome de padre... É ele quem lhe paga? Não sei, mas se calhar já lhe arranjou 200 quilómetros ou mais... A vantagem do Passos Coelho é não ter primos! Tem? Mas no Kung Fu? Ah, não era esse? Era o gordo de Benguela? Também não... OK, mas os primos do Passos não são para aqui chamados.
É certo que os primos do outro também só se conheceram depois de ele ser chefe. Isto da família é lixado. Sorte tem a Manuela Ferreira Leite, que não tem quase família. Ah, tem? Não se sabe... Mas essa, coitada, está arrumada, nem o outro a respeita. Não, não é o pregador da televisão, é aquele do Porto. Não, não é o que parece um pinguim, é o outro. Bem, não interessa.
Já viste que a coisa foi para aquele tacho? Essa mesmo! Não, não tem nada a ver com a América, eu acho que ela não percebe nada daquilo. Poça! Ainda põe os americanos contra nós, com a habilidade que ela tem. O quê? Com o outro? Nada disso! É capaz de ser calúnia... Pois tem, eu vi na fotografia!
O discurso do outro foi forte, foi. Olha, e o que é feito do tipo das escutas? Esse! Pois, nunca mais se viu... Mas era ele que levava o chefe dele a fazer o que fazia ou era o chefe que o manobrava? E achas que eu sei? Sei lá... Ele podia actuar nas costas do outro? Não, sempre me pareceu leal... Deve ser!
Outra coisa, queres ir almoçar ao coiso? Não podes porquê? Tens uma caixa de robalos para receber? Não podes receber robalos, porque isso é suspeito... Ah, não sabias que o outro, o dos quilómetros, tinha recebido uma caixa de robalos e um equipamento de um clube de futebol... Não, não venhas com o teu clubismo habitual, esse gajo dizem que é sério... Eu sei que tem aquele ar e que o bigode é suspeito, mas dizem que nunca se descobriu nada, é como o tipo lá de cima, o outro... Vê lá aos anos que se fala dele... Pois, aí é que está, é que estes gajos nunca provam nada. Depois admiram-se.
E pronto, aqui está o essencial da gravação. Espero que na posse destas provas haja presos. Nem que seja eu!
COMENDADOR MARQUES DE CORREIA
Texto publicado na edição da Única de 16 de Janeiro de 2010