13/02/2012 atualizado às 1:11
Página Inicial » Opinião » João Vieira Pereira » A TAP voa, mas voa baixinho

A TAP voa, mas voa baixinho

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 23 de novembro de 2009

As empresas públicas sofrem de um mal crónico que condiciona toda a sua actividade: são públicas. As Estradas de Portugal receberam uma lista de estradas a construir e concordando ou não com elas (desconfio que discordam da racionalidade de boa parte das estradas projectadas), têm de as construir, pois essa é a vontade do accionista, o Estado.

A TAP tem o mesmo problema. Por muito que a gestão seja profissional, tem de respeitar a vontade de um accionista para quem conceitos como rentabilidade ou valor acrescentado não entram na equação. O que o accionista Estado quer é livrar-se de greves, de contestação social, do barulho político e ter uns favores de vez em quando. Por muito profissional que a gestão seja, acaba sempre por ter de jogar com estas peças do puzzle que limita o espectro de actuação e a força para enfrentar os muitos grupos de pressão. Só assim se compreende que, num ano negro, os pilotos da TAP venham exigir aumentos de 11%, ou que a TAP tenha sido 'forçada' a engolir a deficitária e possivelmente falida Portugália (PGA).

Ao longo dos tempos já conhecemos diferentes versões para o futuro da TAP. Primeiro era a fusão da Swissair, que não aconteceu por falência desta. Depois era a junção das três companhias nacionais, TAP, SATA e PGA numa só. Impossível porque os Açores se recusaram, acabando a TAP por ter de engolir o sapo PGA. Uma fusão com a Ibéria também foi hipótese nunca concretizada. Em tempos, a Varig foi opção, principalmente após a falência da companhia de bandeira brasileira. Agora fala-se de uma aliança com a TAM brasileira e com a TAAG angolana. E enquanto perdemos tempo nestes cenários, outros vão concretizando.

A fusão entre a British Airways e a Ibéria irá criar mais um gigante mundial. A nova empresa irá transportar por ano perto de 60 milhões de passageiros e terá uma facturação superior a 16 mil milhões de euros. A TAP transporta quase 9 milhões de passageiros por ano e factura pouco mais de 2 mil milhões. E por muito que os especialistas digam que esta fusão não irá afectar as operações da TAP (ver página 17), principalmente para a América do Sul, custa a crer que este mercado em grande expansão não se torne rapidamente uma prioridade para espanhóis e ingleses.

Fernando Pinto é um gestor público e carrega com ele o peso de ter um accionista que muda de estratégia ao sabor do vento político. O Governo tem que decidir rapidamente o que quer para a TAP. Aposta na política de nicho, confiando na capacidade da pequena companhia em competir com as grandes potências, ou avança para alianças mais alargadas tentando ganhar dimensão e peso em mercados como África e América do Sul. Agora escolha, mas por favor escolha!

João Vieira Pereira

Texto publicado na edição do Expresso de 21 de Novembro de 2009

 

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
A TAP precisa de um Vasco da Gama
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 13:14 | Segunda feira, 23 de novembro de 2009
Que se saiba a fusão Ibéria BA só trouxe vantagens para os ingleses, que ficaram com o acesso a América Latina coisa que os espanhóis tinham quase em monopólio. Os espanhóis neste união de facto perderam a sua companhia de bandeira. Como a swiss perdeu para os alemães.
Se isso tanto faz, parece que é isso mesmo. Queremos la saber de quem é a companhia se vende bilhetes baratos e oferecer um bom serviço? Patriotismo para que te quero?

A TAp pode ser uma voadora global se praticar bons serviços.

Nas grandes crises quanto maior for a empresa mais sofre com a queda.

Portugal com nove países que falam Português espalhados pelos 5 continentes tem mais hipóteses que a ibéria que só voava para América do sul países muito pobres que viajam muito pouco excepto os seus emigrantes mas como todos sabemos nem os emigrantes já encontram trabalho por praticamente toda a produção mundial se ter deslocado para a china, e como se sabe china pouco precisa de imigrantes.

O menu que V/Ex.ª. aqui nos apresenta não é mais que uma cópia da concorrência que não tem os potencias que a CPLP Global tem. Só a BA e a Airfrance é tão global como a TAP, coisa que a Ibéria e outros exemplo não tem não eram. A Compra da Ibéria pela BA não é mais que completar a globalização com o acesso ao mercado Sul americano coisa que a Tap sempre teve.

Se a TAp voar para Macau e Timor ai esta uma Global player. Vantagens de que apenas os grandes sonham.
...
 
 Regras da comunidade
TAP precisa de um Vasco da Gama
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 13:41 | Segunda feira, 23 de novembro de 2009
Continuação.

...Que a TAP precisa de um novo presidente? Sim é preciso um presidente de um país que globalizou e não de um país que foi globalizado.

Uma visão global só pode vir de um país que foi o primeiro a globalizar como foi o caso de Portugal e Espanha. E mais tarde Holanda, Inglaterra, Bélgica, França e poucos mais. Portanto a TAP precisa de uma gerência com esta cultura, e nunca com pessoas com complexos de países que foram colonializados como foi o caso do Brasil.
 
 Regras da comunidade
    Limes e os argumentos patrióticos    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:13 | Quinta feira, 26 de novembro de 2009
Mas os ordenados
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:17 | Segunda feira, 30 de novembro de 2009
Dos srs administradores esses voam muito alto.
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




Eu, piegas, me confesso
0:00 Sábado, 11 de fevereiro de 2012,
It's the end of the banks as we know it... and i feel fine
0:00 Sábado, 4 de fevereiro de 2012,
João Proença, Carvalho da Silva e a Apple
0:00 Sábado, 28 de janeiro de 2012,
As eólicas são verdes e as notas de 100 também
0:00 Sábado, 14 de janeiro de 2012,
Alexandre, o grande
0:00 Sábado, 7 de janeiro de 2012,
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP