23/02/2012 atualizado às 14:08
Página Inicial » Blogues » Daniel Oliveira: Antes pelo contrário » A subserviência dos jornalistas perante o poder económico

A subserviência dos jornalistas perante o poder económico

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Sexta feira, 6 de janeiro de 2012

Guardo para o Expresso em papel desta semana a minha opinião sobre o caso Jerónimo Martins. A um triplocomendador devemos garantir um estatuto especial. Por agora, queria apenas escrever sobre a reação de alguns jornalistas e comentadores ao caso.

Perante a justificada indignação de muita gente, mais por a figura em causa se ter dedicado, no último ano, a repetidas lições de patriotismo a políticos e cidadãos do que por o caso em si, os relações públicas da Jerónimo Martins tiveram a vida facilitada. Dali vieram apenas os primeiros "esclarecimentos". Ainda o caso não era caso e já abundavam notícias contraditórias, explicações de fiscalistas e artigos de opinião que oscilavam entre as acusações a um Estado que teima em ainda cobrar alguns impostos a grandes empresas e o derradeiro e infantil argumento de que "os outros fazem o mesmo". Sempre que está em causa um grande empresário a cena repete-se: a reação em defesa da sua honra é imediata e empenhada.

Nada de mal. Todos têm direito ao contraditório (e é dele que nasce o esclarecimento público), mesmo quando a defesa da incoerência de comportamentos parece difícil. O que espanta é que este empenhamento pelo pluralismo na defesa do bom nome de quem é criticado não se alargue a todos os sectores da sociedade e seja sempre muito mais militante quando estão em causa pessoas com um enorme poder económico.

Por causa deste caso, estive a rever entrevistas na imprensa e na televisão feitas a Alexandre Soares dos Santos. Como costumo prestar pouca atenção aos conselhos que esta gente dá à Nação - cada um dá atenção a quem quer e, com todo o respeito por merceeiros, não os considero mais habilitados do que qualquer outro cidadão para o debate político -, tinha matéria para rever. Fiquei atónito. Não se pode dizer que tenha lido e ouvido entrevistas. Os jornalistas (quase sempre de economia) pedem conselhos e dizem frases para as quais esperam a aprovação do senhor. É uma amena cavaqueira onde nada de difícil, embaraçoso ou aborrecido é perguntado. Nunca é confrontado com contradições, incoerências ou dificuldades. Nada se pergunta sobre a relação da sua empresa com os produtores nacionais, com os seus trabalhadores ou com o Estado. E havia tantas coisas para perguntar. Não se trata de uma entrevista a um empresário, com interesses próprios, mas a um "velho sábio" que o País deve escutar com todo o respeito.

Trata-se de um padrão e não de um tratamento especial ao dono da Jerónimo Martins. Se ouvirmos as entrevistas a banqueiros ou outros grandes empresários acontece o mesmo. O que me leva a perguntar: de onde vem esta bovina subserviência de tantos jornalistas perante o poder económico, que não tem paralelo com qualquer outro poder, sobretudo com o poder político?

Explica-se de três formas: dependência, concorrência e imitação.

A dependência é a mais simples de explicar e talvez a menos relevante. A comunicação social não depende do poder político. Não é ele que lhes paga as contas. Depende de quem detém os órgãos de comunicação social e de quem neles anuncia. Claro que há notícias más para os empresários. Se não houvesse, dificilmente teríamos alguma pergunta embaraçosa a fazer a este senhor. Mas perante este poder o jornalista pensa duas vezes, vê os dois lados da questão e procura todas as fragilidades da informação que dispõe - coisa que, sendo outros os sujeitos, tantas vezes se esquece de fazer. Isto, claro, se for sério. Se não o for fecha o assunto na gaveta e não pensa mais no assunto.

A concorrência tem mais a ver com o poder político. A ideia de que a comunicação social é um contrapoder é absurda. E a de que é um quarto poder é um equívoco. Os media não são um poder autónomo, são um salão onde se cruzam os vários poderes. E o poder político também. Por isso, é com este, que tem a legitimidade representativa que falta aos jornalistas, que os jornalistas concorrem.

A imitação vive mais do simbólico. Os jornalistas são uma classe muito particular: a proximidade que têm dos poderes - que os namoram e seduzem - dá-lhes a ilusão de poder. A sua fragilidade profissional (cada vez maior, com a crescente proletarização da profissão) torna-os extraordinariamente fracos. A sua osmose com o poder dominante fá-los repetir o discurso hegemónico de cada momento. E esse discurso é definido pelo poder mais forte de cada momento. E esse poder é, hoje, o económico e financeiro. Sendo de classe média, o jornalista de economia tende a pensar como um rico. Não representando ninguém, o jornalista de política tende a pensar como se fosse eleito.

É por tudo isto que devemos ter em atenção três premissas. A primeira: a independência do jornalista não depende de quem é o seu empregador. Nem a empresa privada garante maior autonomia que o Estado nem a coragem de um jornalista depende do seu patrão. Ou tem, ou não tem. A segunda: sendo a comunicação social fundamental para a democracia ela não substitui a democracia. A opinião de um jornalista não é mais descomprometida e livre do que a de qualquer outra pessoa, incluindo os agentes políticos tradicionais. E a opinião publicada (a minha incluída) não é a mesma coisa que a opinião pública. A terceira: os jornalistas não têm como única função fiscalizar o poder político, mas fiscalizar todos os poderes. Incluindo o seu. Quando não o fazem tornam-se inúteis.

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 2    « Anterior  |  Seguinte »
ordenar por:
mais votados ▼
Re: A subserviência dos jornalistas perante o pode
Borrifador (seguir utilizador), 5 pontos (Bem Escrito), 10:49 | Sexta feira, 6 de janeiro
Os jornalistas de economia não são melhores nem piores que os outros jornalistas, mantêm o mesmo nível medíocre que os seus colegas de outras áreas.

A maioria adora receber convites de grandes empresas para realizarem viagens aos locais onde têm investimentos com tudo pago em hotéis de 5 estrelas, e com garantia dada, que a reportagem será disfarçada como se uma noticia fosse, sem qualquer indicação de quem financiou as despesas, ou de quem forneceu a informação.

Jornalistas de economia competentes e independentes conheço muito poucos e cito dois nomes:
José Gomes Ferreira da SIC, que põe sempre o dedo na ferida quer o PM tenha nome português ou de filósofo grego;

Camilo Lourenço que em 2004, na revista EXAME, denunciou a vigariçe do BPN, chamando ao esse banco - Um enorme caso de policia e foi despedido no dia seguinte por Francisco Pinto Balsemão.

(Acho que este comentário vai ser censurado)
 
 Regras da comunidade
    Re: A subserviência dos jornalistas perante o pode    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 11:53 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: A subserviência dos jornalistas perante o pode    Ver comentário
alix07 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:40 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: A subserviência dos jornalistas perante o pode    Ver comentário
Tucano (seguir utilizador), 1 ponto , 21:42 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: A subserviência dos jornalistas perante o pode    Ver comentário
tronco (seguir utilizador), 1 ponto , 12:43 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: A subserviência dos jornalistas perante o pode    Ver comentário
Tucano (seguir utilizador), 1 ponto , 21:41 | Sexta feira, 6 de janeiro
JORNALISTAS OU COLABORADORES ?...
CENSURADO SARL (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 11:16 | Sexta feira, 6 de janeiro
Colaboradores ... à espreita de uma oportunidade para subir na vida ... colaboram com os poderes ... seja económico, político ou desportivo ... bajulam os "chefes" ... fazem fretes ... escondem o que for para esconder ... escrevem e manifestam opiniões por encomenda ... sempre com fins interesseiros ... nem lhes importa a "cor das camisolas" ... estão com "quem estiver a dar" ... "vendem-se e alugam-se" ... pouco lhes importa os meios para atingir os fins ...
Cúmplices sem vergonha ...
Não deviam ser chamados de jornalistas ... porque não o são ...
 
 Regras da comunidade
    TUDO DITO EM POUCAS PALAVRAS    Ver comentário
zitablog (seguir utilizador), 1 ponto , 19:45 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: TUDO DITO EM POUCAS PALAVRAS    Ver comentário
CENSURADO SARL (seguir utilizador), 2 pontos , 0:21 | Sábado, 7 de janeiro
    Re: JORNALISTAS OU COLABORADORES ?...    Ver comentário
Alex2009/10 (seguir utilizador), 1 ponto , 6:57 | Sábado, 7 de janeiro
    Re: JORNALISTAS OU COLABORADORES ?...    Ver comentário
CENSURADO SARL (seguir utilizador), 2 pontos , 12:55 | Sábado, 7 de janeiro
    Re: JORNALISTAS OU COLABORADORES ?...    Ver comentário
Alex2009/10 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:22 | Sábado, 7 de janeiro
Jornalismo e independência
moncarapacho (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 8:32 | Sexta feira, 6 de janeiro
Parece que só agora, com a história do Pingo Doce, o cronista foi alertado para a subserviência e incompetência do jornalismo nacional. Há muito que um observador de média qualidade sabe que o jornalismo nada pelas ruas da amargura.Quantas vezes, se vê um entrevistado a mentir descaradamente, com argumentos retorcidos, e o jornalista não interpela, não pergunta,nada
. Por isso surgiu a expressão "pés de microfone" que me parece bastante feliz para definir a postura de deferência e engraxadora de grande parte dos jornalistas. Com meia dúzia de excepções este é o panorama que temos.
É uma profissão bonita, mas não é para medrosos acomodados.
Ainda hoje, por esse mundo fora, centenas arriscam a vida e a liberdade para transmitirem informação veraz

Por cá, há duas gerações alguns arriscavam a liberdade e o emprego.
Há uma geração ainda se arriscava o emprego.
Presentemente não arriscam nada, o comportamento é submisso, na esperança de melhor tacho.

Assim vão os tempos.........
 
 Regras da comunidade
    Re: Jornalismo e independência    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:11 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Sócrates processou muitos Jornalistas    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:18 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: Jornalismo e independência    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 11:42 | Sexta feira, 6 de janeiro
    DO foi assessor do Bloco de Louçã    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:20 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: Jornalismo e independência    Ver comentário
Vera Santorini (seguir utilizador), 1 ponto , 8:59 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: Jornalismo e independência    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 16:56 | Sexta feira, 6 de janeiro
    CONCORDO PLENAMENTE. E ACRESCENTO...    Ver comentário
zitablog (seguir utilizador), 1 ponto , 19:36 | Sexta feira, 6 de janeiro
Por coincidência:
clash (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 12:20 | Sexta feira, 6 de janeiro
Prova da promiscuidade entre os jornalistas e o poder político e também, por maioria de razão, o poder económico, é o artigo publicado esta semana por Fernando Lima, ex-assessor de Cavaco Silva, numa revista brasileira, no qual afirma que uma notícia não domesticada é uma ameaça. A conclusão a retirar é que grande parte do que nos chega aos olhos e ouvidos é resultado de manipulação ou desinformação. Por outro lado, também revela que os políticos têm muito a esconder.
De lembrar que Fernando Lima foi afastado por Cavaco Silva na sequência do famoso caso das escutas, no qual foram alegadamente plantadas notícias no Público sobre espionagem ao Presidente feita pelo anterior Governo.
 
 Regras da comunidade
    Re: Por coincidência:    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 19:31 | Sexta feira, 6 de janeiro
'A subserviência dos jornalistas...
jpafonso (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 15:04 | Sexta feira, 6 de janeiro
A propósito da última forma, muitos anos atrás tive oportunidade de participar numa entrevista a um professor meu que também era padre. A certa altura, ocorreu-me uma pergunta que me pareceu pertinente: se o nascimento de Cristo é apresentada pelo Cristianismo como a boa nova que vai salvar todos os seres humanos do pecado original, como se justifica a aposta do omnisciente num acontecimento pontual, radial, que nunca poderia atingir todos os humanos ao mesmo tempo, considerando a velocidade com que as novas se propagam? Não fiz a pergunta. Eu gostava bastante deste professor e pareceu-me potencialmente embaraçosa, podendo distrair de outras coisas interessantes que ele tivesse para dizer. Ou talvez eu não tenha estofo para jornalismo, mesmo que apenas amador. Ou talvez... haja uma quarta razão: ás vezes queremos mesmo somente expor o que o outro lado quer dizer, para o que nos esforçamos que ele apareça da melhor forma possível. Um confronto implica quase sempre a introdução de um elemento estranho ao entrevistado, a opinião contrária do entrevistador, quando este não é o entrevistado. Será que isto significa ser subserviente? Em alguns casos, vai parecer que sim,...

Isto leva-me a uma reflexão sobre a natureza das entrevistas. Uma onde o entrevistador é demasiado agressivo, é mais sobre este do que sobre o entrevistado. E no seu limite, podemos ter um jornalista que quer moldar a realidade em vez de auscultá-la. E de repente me lembro de Fernando Lima.
 
 Regras da comunidade
    Re: 'A subserviência dos jornalistas...    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:03 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: 'A subserviência dos jornalistas...    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 19:27 | Sexta feira, 6 de janeiro
Os nabos do Entroncamento é que são bons!
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:02 | Sexta feira, 6 de janeiro
DO não é a pessoa mais indicada para falar da independência jornalistica.
Ele próprio foi assessor do Bloco de Louçã e aparentemente não se libertou ainda de alguns tiques.
O caso Soares dos Santos só apanhou desprevenidos os inocentes,pois toda a gente sabia que o dono do Pingo Doce, com aquelas falinhas mansas de patriota não tinha nada.
Claro que contratou António Barreto para presidir a uma Fundação sua,mas apenas para branquear dinheiro,fuga a impostos e arvorar-se em "pai natal" cá da terrinha.
Não é por acaso que António Barreto, o sociólogo, anda calado que nem um rato.
E dizia o colega de DO,Henrique Raposo, que dava um bom Presidente da República.
Num País pequeno como o nosso o melhor que ainda há são os nabos do Entroncamento!
 
 Regras da comunidade
DO
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:12 | Sexta feira, 6 de janeiro
É uma verdade que jornalismo não é para todos, mas a maior parte do povo já não tem os olhos tapados e vai separando o trigo do joio.
Mas como a política está afetada pela corrupção o resto vai por arrasto.
 
 Regras da comunidade
Sobrevivência dos jornalistas perante o económico
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:55 | Sexta feira, 6 de janeiro
Já aqui referi o assunto por diversas vezes, mas o que se passa com a Comunicação Social é uma vergonha. Ferreira Leite dizia que havia asfixia Democrática no Continente e na Madeira é que havia Democracia. Seria interessante saber a opinião da Senhora sobre estes seis meses do actual governo. Mudam-se os tempos mudam-se as verdades. O caso Jerónimo Martins veio mesmo a calhar e até parece feito de propósito. Em tempos que já lá vão deu-se muita importância ao Freeport, agora à Face Oculta. De vez enquanto se não se inventa dá-se importância a alguns casos que tendo o tamanho de um grilo é transformado rapidamente num elefante. Temos diversos exemplos no governo anterior desde o Freeport, Cova da Beira, Casas da Guarda, Face Oculta, etc. etc.. Casos que não têm nem de perto nem de longe a importância de um BPN. Não compreendo mas entendo a razão de tudo isto. Os jornalistas procedem exatamente como aquele polícia, que tem medo dos bandidos que se encontram armados e diz que não os prende porque também tem família. Tanto uns como outros não deviam escolher essa profissão, mas é preciso sobreviver e quem manda é o patrão e nos tempos que correm, o que não falta são jornalistas desempregados. Ferreira Leite dizia que havia défice democrático no Continente e na Madeira é que havia Democracia. Seria importante saber a opinião da Senhora sobre estes seis meses de governo.

http://www.youtube.com/wa...

http://www.nytimes.com/20...

 
 Regras da comunidade
    Re: Sobrevivência dos jornalistas perante o económ    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:01 | Sexta feira, 6 de janeiro
Vão estagiar aos States!
politici lieg (seguir utilizador), 2 pontos , 10:01 | Sexta feira, 6 de janeiro
Não morro de amores pelos US, todavia tomaramos nós de ter a imprensa que eles têm! Os caso são todos devidamente ventilados na imprensa, mesmo que sejam de Presidentes da República! A imprensa america faz rolar cabeças, aqui nem cócegas faz!
 
 Regras da comunidade
    Re: Vão estagiar aos States!    Ver comentário
J_E_M (seguir utilizador), 1 ponto , 22:32 | Sexta feira, 6 de janeiro
Ao Pinto da Costa, o conselheiro familiar,
bivolta (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 11:10 | Sexta feira, 6 de janeiro
a subserviencia de jornalistas e avençados, de directores e administradores é identica.

Nada de erguntas dificeis.

E há sempre tanto para perguntar, não é verdade gente da SIC/Balsemão?
 
 Regras da comunidade
Pelourinho (quiçá a fogueira) com eles
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:30 | Sexta feira, 6 de janeiro
Pelourinho ( ou mesmo fogueira) com eles

Para a função do jornalismo, é implícita a independência. E ao entrevistar, ou mesmo analisar uma situação, deve antecipadamente obter o máximo de conhecimentos sobre a matéria, evitando os pressupostos da “visão” ideológica de “estimação”.

Caso contrário: não é independente, não é jornalista.

E salvo raras excepções, assistimos ao triunfo dos palpiteiros, bitaiteiros, “moralistas emocionados” e os “na-perspectiva-de (esquerda ou direita)”

Uma particularidade sua (talvez por falta de espelhos), é colocar-se na posição de julgar os “colegas”, sempre com uma superioridade moral, a que não vejo razão para se guindar. Como diria um brasileiro: “você não se enxerga” - em termos culturais e deontológicos

Após meditar sobre as razões do seu mediatismo, ou protagonismo - como melhor se entenda - conclui: é sempre preciso um gajo com visão de esquerda. Perante qualquer fenómeno mediático que justifique discussão, chama-se quem saiba e – essencial nos tempos que correm – quem veja a coisa pela esquerda. Os grupos económicos que dominam a informação, agem como as famílias ricas que convidam o pobre para a Consoada.

Essa situação privilegiada, fá-lo descurar “estudar” os assuntos (o Miguel Sousa Tavares é igual), visto que o que lhe pedem é a sua “visão” (que a distância da realidade torna mais interessante)
 
 Regras da comunidade
    (2) Pelourinho (quiçá a fogueira) com eles    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:32 | Sexta feira, 6 de janeiro
    Re: (2) Pelourinho (quiçá a fogueira) com eles    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:33 | Sexta feira, 6 de janeiro
Acredito que o problema não seja apenas
Rio Grande (seguir utilizador), 2 pontos , 20:05 | Sexta feira, 6 de janeiro
de Portugal, mas do mundo ocidental como um todo. A imprensa, de uma maneira geral, está à serviço do poder e, disfarçadamente, na defesa de direitos e garantias da democracia como uma regalia do povo, quando conveniente à elite que está nos bastidores. E, infelizmente, a verdade é trucidada por pareceres jornalísticos sob encomenda, ou mesmo exarados por profissionais que estendem o chapéu como cordeiros conformados, que não têm voz própria e só pensam de acordo com o dono. É uma triste realidade que, há muito tempo atrás, Honoré de Balzac já vislumbrava como o futuro que chegou até nós ... Rio Grande
 
 Regras da comunidade
"INDEPENDÊNCIAS"
Leiki (seguir utilizador), 1 ponto , 11:07 | Sexta feira, 6 de janeiro
Uma coisa é ser-se independente, outra bem diferente é, sob a capa da "independência", fazer-se oposição.
 
 Regras da comunidade
Sempre o poder...
teixeiranet (seguir utilizador), 1 ponto , 12:28 | Sexta feira, 6 de janeiro
Tal como outros poderes, só são poderosos enquanto não tiverem que se confrontar com um poder superior ao seu. Aí acabou-se.
É o que acabará por acontecer ao poder económico. É só uma questão de tempo.
 
 Regras da comunidade
O caso da TDT é outro exemplo
Cavalheiro7 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:55 | Sexta feira, 6 de janeiro
Outro exemplo. Já repararam no absoluto silêncio da SIC e demais órgãos do grupo Impresa acerca do caso TDT? Não há um debate, uma reportagem de fundo. Apenas umas notícias telegráficas de carácter mais ou menos neutro.
Aquilo que deveria ser um escândalo nacional está a ser abafado por uma estranha conivência com os interesses da Portugal Telecom.

A conivência da SIC com a Portugal Telecom revela-se em outros pormenores. Reparem como as gravações de programas como o Eixo do Mal ou Quadratura do Círculo deixaram, há uns meses, de estar disponíveis no site da SIC. Agora estão no videoclube da Meo...

E as incríveis declarações de Balsemão em Novembro de 2011 segundo o qual «a entrada da TDT actualmente «faz menos sentido, nomeadamente quando se assiste à expansão da televisão paga.»?!!!
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 2    « Anterior  |  Seguinte »
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




Zeca
8:00 Quinta feira, 23 de fevereiro de 2012, 17
Eurocensura
8:00 Quarta feira, 22 de fevereiro de 2012, 64
Desemprego: até onde estamos dispostos a ir?
8:00 Segunda feira, 20 de fevereiro de 2012, 63
Nove meses depois da troika, tudo falha
8:00 Sexta feira, 17 de fevereiro de 2012, 109
A receita de Obama
8:00 Quinta feira, 16 de fevereiro de 2012, 66
Os sentimentos de Maggie
8:00 Quarta feira, 15 de fevereiro de 2012, 42
Europa: a cegueira que mata
8:00 Terça feira, 14 de fevereiro de 2012, 81
Depois das chamas, as lições gregas
8:00 Segunda feira, 13 de fevereiro de 2012, 76
O português é suave, felizmente para os espertos
8:00 Sexta feira, 10 de fevereiro de 2012, 62
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
Grupo ImpresaACAP