13/02/2012 atualizado às 1:11
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A rua e o beco

8:00 Segunda feira, 10 de março de 2008

Setenta mil professores, segundo a Fenprof, estarão hoje nas ruas de Lisboa a manifestar-se. Querem a morte de todas as reformas ensaiadas nos últimos dois anos por Maria de Lurdes Rodrigues e, obviamente, querem também a cabeça de Maria de Lurdes Rodrigues. Desde que há Ministério, desde que há Educação, desde que há democracia, que não me lembro de a Fenprof e os sindicatos da Educação terem deixado de exigir a cabeça do ministro ou ministra em funções. Começou há muitos anos, quando Sottomayor Cardia se lembrou de fazer uma lei de gestão das escolas e Universidades em que (vejam lá a ironia e o escândalo) os conselhos directivos eram maioritariamente compostos por professores e não por funcionários e alunos. Na altura, gritou-se que o fascismo estava de volta e hoje quase que se grita o mesmo, porque a ministra se lembrou de propor a figura de um director para as escolas.

Julgou-se, a certa altura, que o problema poderia estar em os ministros da Educação serem homens, ditando ordens e instruções a um universo essencialmente feminino. Seguindo à letra o discurso feminista oficial de que as mulheres são melhores para a governação porque têm maior capacidade de diálogo, entendimento, etc., e tal, entrou-se na moda dos ministros mulheres, a ver se a coisa acalmava. Não acalmou: o problema não estava aí. E, a menos que se siga a sugestão ditada há dias ironicamente por Maria de Lurdes Rodrigues - experimentar uma loira burra - há que procurar as origens do confronto em outras razões.

Durante muitos anos, e para garantir uma paz podre no sector, todos os governos, incluindo os socialistas, renunciaram a tentar mudar o que quer que fosse. A política de educação estava entregue aos professores e as escolas aos sindicatos. O grosso dos ministros foi do PSD e os sindicatos estavam nas mãos da facção do PSD dirigida por Manuela Teixeira, e a do PCP e companheiros dirigida pelo crónico Paulo Sucena. Como nada de essencial no "statu quo" estava em causa, o confronto centrou-se na ineficácia funcional do Ministério. Anos a fio fomos confrontados com o espectáculo confrangedor de ver os dirigentes sindicais deleitados com as dificuldades e problemas crónicos da colocação de professores e os dramas reais dos professores "não efectivos" que viviam com a casa e a vida às costas, um ano no Algarve outro no Minho. Sem nenhum pudor, tornou-se claro que, quanto pior funcionasse o Ministério e mais problemas viessem para os professores desse mau funcionamento mais felizes andavam os sindicatos. Hoje, são ambos problemas resolvidos e cuja resolução ninguém se lembrou de enaltecer: os professores são colocados a tempo e horas e têm contratos que lhes garantem três anos de permanência no mesmo local.

Essa frente de luta sindical acabou, mas os trinta anos que ela durou deixaram marca. Os sindicatos da Educação tiveram uma contribuição decisiva para sucessivas gerações de alunos prejudicados e para a derrota nacional na frente educativa. Nunca tivemos falta de professores, falta de escolas, falta de dinheiro para a Educação. Gastámos como em nenhum outro sector e, em percentagem do PIB, mais do que a maioria dos países europeus. E tudo isso serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje ou para acumular taxas terceiro-mundistas de abandono escolar. Eu, se fosse professor, estaria, no mínimo, incomodado com os resultados. Porque é preciso muita má fé para sustentar que a culpa foi apenas dos ministros da Educação que tivemos - todos, sem excepção, incompetentes.

Nesta altura do campeonato já toda a gente percebeu que o problema não está em Maria de Lurdes Rodrigues, como também não estava no sacrificado ministro da Saúde Correia de Campos. O problema é mais fundo, mais antigo e mais complicado de enfrentar: Portugal é, de há muito, um país mental e estruturalmente corporativo e qualquer reforma que qualquer governo intente esbarra sempre contra uma feroz resistência da corporação atingida. E para que serve uma corporação? Para proteger os medíocres, não os bons. Acontece com os professores, com os médicos, com os magistrados, com os agentes culturais, com os empresários encostados ao Estado.

Certo que aquele labiríntico organigrama da avaliação dos professores parece, à primeira vista, uma obra-prima de burocracia. Certo que a ministra parece demasiado precipitada e intransigente, adepta de uma atitude de fazer primeiro e avaliar depois. Certo que, como tantas vezes sucede, ela parece ter perdido já a paciência para discutir o pormenor, se não lhe concederem o essencial. Mas, no essencial, ela tem razão e todos nós, que não estaremos hoje a desfilar em Lisboa, já o percebemos. Ela quer mudar as coisas, recusa conformar-se com os resultados de trinta anos a nada fazer; a corporação quer que tudo o que é determinante continue na mesma.

Todos percebemos que a gestão das escolas não pode ser tarefa única dos professores, mas de grande parte da sociedade civil interessada e isto é o que mais atinge uma corporação cuja sobrevivência depende da auto-regulação desresponsabilizadora - vejam como os magistrados ficam logo abespinhados de cada vez que alguém sugere invadir o que chamam a sua sagrada "independência", que é causa primeira da total falência da justiça. Todos percebemos que um professor que falta às aulas ou vê os seus alunos nada aprenderem e não se preocupa com isso não pode e não deve progredir na carreira e ganhar o mesmo que outro que se preocupa com os seus alunos e com as suas aulas. Todos percebemos que um professor que falta a uma aula pode e deve ser substituído por outro que está na escola, sem aula para dar e dentro do seu horário de trabalho - como sucede todos os dias e com a maior naturalidade cá fora, no mundo 'civil', em qualquer empresa ou qualquer local de trabalho. É isto o essencial.

Infelizmente, Maria de Lurdes Rodrigues não tentou ou não conseguiu cativar para o seu lado e para as suas reformas os bons professores, que seriam os maiores interessados e beneficiários delas. Deixou que ficassem isolados e que, pouco a pouco, fossem arrastados pela onda de 'bota-abaixo' da Fenprof. Talvez seja este o destino inevitável de qualquer tentativa que se faça de quebrar o poder paralisante das corporações. Talvez haja sempre uma maioria de acomodados que vejam em qualquer mudança um sinal de perigo para a paz podre em que se habituaram a viver. Estas coisas vêm de longe e estão entranhadas: no tempo de Salazar, o grande sonho do português era arranjar emprego para a vida no Estado - o ordenado era garantido assim como a progressão por antiguidade e a reforma ao fim de 36 anos; não lhe era exigido nem mérito nem resultados e jamais seria despedido, a menos que ousasse contestar o Governo. Com a democracia, se a fé no Estado e no emprego público se mantiveram, a única coisa que mudou é que as corporações do sector público já podem contestar os governos. Mais: fazem-no sempre que acham que os governos pretendem mudar o Estado, de que eles se julgam os guardiões.

E é por isso mesmo que a queda de Maria de Lurdes Rodrigues teria o efeito de um toque a finados por qualquer futura tentativa de reformar o Estado e mudar o país.

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05 março 2008

A abominável avaliação dos professores

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"GAMBLE" DO PODER: BALBÚRDIA 1 EDUCAÇÃO 0
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 10:00 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Pois é, caro Sr. Miguel Sousa Tavares, a Sra. Ministra, como os portugueses têm o diagnóstico correcto: temos os piores alunos da União Europeia, por culpa do desnorte nas politicas de educação, tragédia que é ampliado pela incúria, muito incompetência e falta de perfil profissional de muitos professores e pela verdadeira demissão dos pais – há aqui novamente um triângulo das Bermudas, e uma hecatombe . Somos um país com muitos triângulos!

          Só que é quase sina deste governo diagnosticar uma apendicite, mas quando intervém vai extrair o fígado. Conclusão, o doente fica sem fígado, e entretanto a apendicite, torna-se em peritonite, e o doente corre perigo de vida. É o que se está a passar na educação, na justiça, na saúde, etc., corpos doentes que não morriam da doença, correm, agora, o sério risco de sucumbirem por causa da cura.

          É preciso revolucionar a escola. Mas tudo tem começar pelo princípio: qual a missão da escola, hoje? Formar, educar, tornar competentes os jovens alunos para desempenharem determinados papéis sociais e profissionais na sociedade local, nacional e Regional.

              Como pode a Escola cumprir o seu papel em termos dos espaços, das tecnologias, dos métodos pedagógicos, com que currículos, com que professores – qual o perfil profissional exigível para ser professor (selecção e formação)?

              Com base no levantamento das tarefas dos professores deve definir-se o seu perfil de competências, e é a partir deste que se podem definir grelhas de avaliação do desempenho e da necessidades de desenvolvimento e (auto)formação.

              Uma das tarefas mais singulares e importantes da Escola é promover o sucesso escolar de elevada qualidade, quer na área dos valores, quer na da empregabilidade no espaço local, nacional e regional e, ou da continuação dos estudos no nível universitário, o que, obviamente tem de ser um critério de alta valorização do desempenho profissional, com significativo prémio.

              Mas mesmo que tudo isto estivesse no lugar certo, o que está muito longe de acontecer, nada funcionaria adequadamente por uma razão exterior à escola, ou seja, a própria sociedade democrática está em crise: quais os valores que defendemos, que cidadãos queremos?

            Depois no ambiente doméstico, o Sr. Miguel Sousa Tavares, dá prova de que a Sra. Ministra não reúne as melhores condições, porque não chama a si as melhores competências para fazer o que é ingente.

              A Sra. Ministra age como que guiada por uma crença vinda do seu alter-ego, e impõe as suas verdades, e ai do herege que a conteste, o que lhe nega a capacidade negocial, tão importante para a realização de reformas.

          Em todas as áreas são precisas reformas para chegarmos à modernidade, mas para fazer reformas é preciso saber para onde se vai, porque se vai, e como se vai?

            É preciso demonstrar com evidência que se sabe o que se vai fazer, o porquê de tudo, e que ganhos estão garantidos aos agentes da mudança. Sem a convicção que o pós reformas é melhor que o presente, poucos acompanharão os arautos do amanhã. Arauto que quando se sentem perdidos, podem tornar-se no seu contrário.

          Se o governo não se reunir de adequada competência científica e técnica, não privilegiar a negociação, vamos continuar a ter os piores alunos da Europa, as piores escolas, mas sempre a melhor BALBÚRDIA e o maior prejuízo para os alunos que querem aprender e os seus pais.

andrade da silva

PS: é um mero mito que nas negociações pesadas as mulheres sejam geralmente assertivas/passivas, por oposição à agressividade dos homens.
VERDADE É QUE: O PODER É ASSEXUADO
 
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    Andrade só umas perguntinhas..    Ver comentário
kcorreia (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re:SÃO ENORMES INTERROGAÇÕES SOBRE NAU EM CRISE    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 18:39 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    SÃO ENORMES INTERROGAÇÕES SOBRE NAU EM CRISE    Ver comentário
kcorreia (seguir utilizador), 1 ponto , 22:32 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: SÃO ENORMES INTERROGAÇÕES SOBRE NAU EM CRISE    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 23:27 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: SÃO ENORMES INTERROGAÇÕES SOBRE NAU EM CRISE    Ver comentário
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 23:25 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: AQUI NÃO HÁ BRUXAS.!..    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 3:35 | Terça feira, 11 de março de 2008
    Re: SÃO ENORMES INTERROGAÇÕES SOBRE NAU EM CRISE    Ver comentário
Jotaene59 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:48 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re:    Ver comentário
Salazarista (seguir utilizador), 1 ponto , 13:43 | Segunda feira, 17 de março de 2008
Serviu para alguma coisa, caro Miguel
joaonevesdossantos (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 13:11 | Quinta feira, 13 de março de 2008
Entre tudo o que tece acerca da manif dos profs e o balanço dos últimos 30 anos de má educação em Portugal (com o qual concordo na generalidade), só penso que cometeu uma pequena-grande injustiça.

Foi ao afirmar que "E tudo isso serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje". Ora eu, como 'filho' do sistema de ensino instalado, tal e qual toda uma faixa etária até aos 40 anos, pelo menos, não me considero ignorante nem tão pouco inútil para o que o mercado de trabalho exige em termos de competência, saber, ambição (saudável, entenda-se).

Porque, caro Miguel, para além das falácias a que nos foram habituando os sindicatos e a troupe de professores-militantes, conta o que estas "gerações de ignorantes" quiseram fazer da sua formação. Pela parte que me diz respeito, sempre frequentei a escola pública, não sou nem filho de proletários nem aburguesado, mas tenho valores e uma consciência ética do País, o país-país e o país-no-mundo. Onde é que o ganhei? Na escola primária, na preparatória, na secundária e na universidade.

O problema é que tudo começa em casa... Faria sentido encontrar um modelo de avaliação dos pais? Uma comissão pedagógica que fosse a casa das famílias portuguesas e observasse o tipo de conversa às refeições? Quanto tempo é passado em conversas entre pais e filhos? que conteúdos lhes transmitem? se procuram informação e preparam os temas sobre os quais poderão encontrar dificuldade no seu crescimento?

Não são os pais os "encarregados de educação"? É que nunca se ouviu falar deles em toda esta discussão... A avaliação dos professores não tem como preocupação a qualidade pedagógica mas sim a eficácia da "máquina" do Estado. Ou seja, eliminar os excedentes para reduzir custos. Ponto.
 
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    Re: Serviu para alguma coisa, caro Miguel    Ver comentário
BAROS (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Quarta feira, 19 de março de 2008
Finalmente!
biatriz (seguir utilizador), 1 ponto , 8:39 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Finalmente alguém que entende que é preciso fazer alguma pelo país...
 
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Uma radiografia… simplesmente brilhante!
Rufia (seguir utilizador), 1 ponto , 9:49 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Bravo!
 
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Gostei
PortugueseMan (seguir utilizador), 1 ponto , 10:03 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Um bom artigo e que deve concerteza gerar polémica.

Pode haver muita coisa errada é certo, talvez não esteja a ser feito da melhor maneira, muitas coisas não concordo e não percebo o porquê de certas atitudes, mas de facto o que para mim sobressai dela (a ministra) e do governo em geral, é que realmente estão a tentar fazer algo, algo pelo o país.

E compreendo que alguém que tente mudar algo, vá de encontro a barreiras "naturais", que existem e estão devidamente instaladas.

Há bastantes problemas, há decisões erradas, mas também há as boas e quem anda para a frente sabe que as coisas são assim.

E a mim parece-me que estão a tentar andar para a frente. E isso para mim conta e muito.
 
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Feito histórico
Sra Beca (seguir utilizador), 1 ponto , 11:43 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Mais uma vez volto a pronunciar-me em tom de desabafo.
Concordo com o texto e praticamente com a totalidade do conteúdo dos comentários.

Não sou professora (graças aos ceús!), mas tenho o prazer (?!) de ouvir como que uma espécie de diário do que é a vida dos docentes portugueses, uma vez que todos os dias regresso a casa na mesma carruagem de comboio que cerca de 12 professores. E digo professores, porque embora sejam 11 mulheres, parece-me que o único professor, pelo menos que eu tenha dado conta, é o que mais acerta nas suas conjunturas.
É um grupo para todos os gostos: professoras do ensino primário, básico e secundário; umas mais novas e sem filhos, outras com mais experiência e com filhos que já estão na escola.
Muitas vezes, sou forçada a rir-me com as peripécias que oiço partilharem uns com os outros, mas ultimamente o que tenho constatado é um descontentamento geral.
Embora, não tenha uma noção concreta da realidade, uma vez que já não me encontro em contexto escolar, vejo-me forçada a discordar com muitos dos docentes e a concordar com a perseverança das medidas da Ministra e do Governo socialista.
Não entendo muito bem do que se trata, mas percebo que entraram novas pessoas nas escolas que estão a cima dos docentes e, que de alguma forma, tem dificultado-lhes a vida.
Oiço-os mais preocupados com a sua própria avaliação do que com os alunos, principal meio de trabalho, neste caso.
E então, na minha visão completemente leiga perante questões mais específicas sobre este assunto, contudo uma visão preocupada e atenta, que procura tomar o partido mais acertado, acho que os professores portugueses, como verdadeiros funcionários públicos, temem o fim da chamada "boa vida". Como qualquer grupo social, numeroso e instituído à muito tempo, temem uma 'avaliação' que poderá descortinar irregularidades e maus desempenhos. Temem ter de se preocupar mais com os alunos, do que com eles próprios, salvo as honrosas excepções de indivíduos que nasceram com o perfil de professor, mas como infelizmente sabemos, poucos são os casos.

A minha perspectiva baseia-se em duas linhas reflectivas: uma enquanto aluno, principal beneficiário ou prejudicado, e a outra enquanta cidadão que aposta no futuro e no desenvolvimento.
Assim, não posso concordar que o espaço escola continue a existir como à 30 anos, quando as exigências laborais, económicas e sociais, quer nacionais, quer internacionais, sofreram drásticas transformações.
Até quando continuaremos com docentes completamente afastados da realidade presente?
Até quando os principais interessados serão tratados como parte menor em todo este processo?
Até quando continuarão os portugueses a resistir a mudanças?
Meras perguntas existenciais que não posso deixar de me fazer cada vez que me deparo com situações deste tipo.
Numa perspectiva voltada para o desenvolvimento e para o futuro, apraz-me dizer que é impossível querer-mos ter um país à semelhança dos mais desenvolvidos da União Europeia, quando resistimos a qualquer processo que nos leve (ou tente levar) a esse objectivo.
Todas as mudanças têm o seu preço e toda uma série de consequências, mas uma vez que o processo já está em curso, não cabe aos portugueses facilitarem o desenrolar desse mesmo processo? Tal atitude, não provocaria a maior rapidez na conclusão do mesmo? Não o tornaria mais próximo dos cidadãos, principais interessados?

Deste modo, concordo com as medidas do Governo PS, esperando que as mesmas contribuam o mais possível para que a situação escolar a todos os niveís, desde o primário até ao universitário, se torna mais equitativa e justa, bem como mais fácil para todos os intervenientes. Embora tenha de deixar uma nota, que defendo para todas as àreas de intervenção governativa, o DIÁLOGO entre as partes. Cabe a Ministra criar meios que permitam esclarecer junto dos professores, mas também dos alunos, em que consistem estas transformações e quais as verdadeiras directivas desta avaliação e consequentes relatórios.

Não posso deixar de fazer referência ao feito histórico do passado sábado.
100 mil professores!!!
Para mim, uma grande vitória da democracia e da liberdade de direitos.
Do ponto de vista sociológico, é fantástico, diria mesmo inacreditável!
Em primeiro lugar, a aderência de tantas pessoas.
Em segundo, que uma marcha daquelas tenha sido convocada para um sábado...
Em terceiro, tão descontentes que estavam os professores que era vê-los dançar, comer o "farnel" e cantar...
Entre muitos mais aspectos curiosos que poderiam motivar um verdadeiro estudo de caso.

Resta-me só outros dois aspectos. Primeiro, acho que seria bastante benéfico que os portugueses se começassem a manifestar muito mais com iniciativas deste género, mais que não seja ao sábado. Pelo menos ao fim-de-semana não seremos acusados de atrasar a economia e desenvolvimento do país e também já não corremos o risco de sermos chamados de incivilizados, porque já o somos e ainda não tivemos coragem para pequenas guerras civis!
E por último, porque este governo também não me agrada a 100%, tenho de referir a infeliz frase do Primeiro-Ministro: "...era o que faltava se a acção governativa dependesse agora do nível das manifestações. Quem determina a acção governativa são os portugueses quando escolhem o Governo. É bom que não nos esqueçamos disso."

Cuidado! Com tiradas destas pode muito bem não ser o próximo governo escolhido...
E este é mais um sinal que se os apáticos portugueses se manisfestassem frequentemente, talvez fossem mais levados em conta!

Saudações!

 
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    Re: Feito histórico: 30% RAZÃO, 70% FALTA RAZÃO    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 19:52 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: Feito histórico    Ver comentário
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 12:06 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: Feito histórico    Ver comentário
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:29 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: Feito histórico    Ver comentário
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:40 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: Feito histórico    Ver comentário
Sra Beca (seguir utilizador), 1 ponto , 21:49 | Quarta feira, 12 de março de 2008
    Re: Feito histórico    Ver comentário
Conceição Pinto (seguir utilizador), 1 ponto , 16:48 | Sexta feira, 21 de março de 2008
Lucidez e verdade.
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:05 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Tenho discordado com alguma frequência dos pontos de vista de Miguel Sousa Tavares.
Hoje é com muito gosto que lhe tiro o chapéu.
E, se me permite, vou mais longe. O país, com a "educação" que tem tido nos últimos 50 ou 60 anos -e principalmente nos últimos 30- não pode ter, no presente, uma classe de professores capaz de ministrar um bom ensino em Portugal. O mesmo poderei dizer de políticos, ou de até de outros grupos profissionais. Temos, de facto, gente muito competente, mas isoladamente. Pessoas que se evidenciaram, até internacionalmente, graças às suas excepcionais qualidades individuais e que são os primeiros a denunciarem a falta de qualidade do ensino secundário ou universitário, os quais impedem a formação generalizada de profissionais competentes à altura das exigências do mundo actual.
É por isso que os portugueses não podem esperar vir a ter um bom governo, seja ele qual for e de que partido for. Porque mesmo que um ou outro dos seus membros possa ser um valor excepcional, uma boa governação é sempre um grande trabalho de equipa. Principalmente dentro da "máquina Estado", anquilosada, pesada, degradada, ineficiente. Quando muito, se formos lúcidos e objectivos, poderemos almejar apenas encontrar um governo menos mau, com algumas qualidades e muitos defeitos. Dentro desta ordem de ideias, esta é a razão pela qual me parece que o governo Sócrates, com todos os seus erros e falhanços, ainda é aquele em que mais algumas esperanças, na actualidade, podemos depositar - principalmente no sector educativo.
Admiro-me como ainda não apareceu alguém, nos jornais, rádio, televisão ou até do próprio ministério que estabelecesse uma comparação ou informasse a generalidade das pessoas de como se processa a avaliação periódica de professores nos países europeus mais evoluídos.
Talvez que isso calasse muita boca e muita idiotice que se ouve.
O País precisa de grandes reformas se não quer ficar afogado num pântano de grande miséria e dependência. Principalmente tendo em consideração a torrente avassaladora da globalização, encabeçada por um capitalismo feroz e esmagador, ao qual só é possível fazer frente através de muito bom trabalho e superior inovação. Por tudo isso, a nossa posição é extremamente frágil e preocupante.
Quando se fala em reformas, os portugueses na sua generalidade, pensam logo em melhoria de condições de vida. Não, não é isso que os portugueses devem esperar para já. Hoje, fazer as tais indispensáveis reformas que nos afastem do desastre colectivo, é pensar em novas soluções e situações, muitas delas duras e penosas de suportar. É neste enquadramento que se distinguem os povos com capacidade para vencer a adversidade e os que são por ela derrotados.
Seria muito recomendável e de grande utilidade que as pessoas melhor colocadas para o fazer, como Miguel Sousa Tavares, exercessem um papel de esclarecimento, de crítica e de formação da opinião pública (daquela que ainda vai lendo alguns jornais, pelo menos), no sentido de alertar os portugueses para a pobre situação em que se encontram e o que necessário se torna fazer para dela saírem.
 
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Simplesmente espectacular.
andei-por-aí (seguir utilizador), 1 ponto , 14:29 | Segunda feira, 10 de março de 2008
O comentário de hoje é de umaclareza arrepiante! Concordo a 100%.
 
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100 000 professores na rua ? eu gostava era de...
e-ko (seguir utilizador), 1 ponto , 14:48 | Segunda feira, 10 de março de 2008
... ver os pais dos alunos na rua para propor e exigir as mudanças que se impõem para a formação dos seus filhos... e a julgar pelos comentários aqui deixados, há muita gente descontente e consciente do estado calamitoso a que chegou o ensino neste país.

É uma utopia o que gostaria de ver... e parece que tenho ainda muito que esperar e sonhar com uma democracia que aceite a participação dos cidadãos interessados...
 
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Brilhante!
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:12 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Um dos mais lúcidos e brilhantes comentários do Miguel Sousa Tavares. Parabéns!

M. Barreira - Porto
 
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... um exemplo ... que diz muito...
sandrag (seguir utilizador), 1 ponto , 15:40 | Segunda feira, 10 de março de 2008
... um exemplo que diz muito .....

Sabem de quem é Assessora a esposa do Director de Informação da SIC Notícias?

Pois é....

Deve ser por isso que no sábado apenas entrevistaram a Ministra e focaram apenas a questão da Avaliação.... mas há muito mais do que apenas a questão de "se ser avaliado".....

O cidadão está a ser mais manipulado por estas situações - deturpação da realidade - do que por quaisquer Sindicatos ou novos Che Guevara ... eu até nem tenho partido nem sou sindicalizada mas adoro ouvir o Mário Nogueira e se tiver que votar no PCP para os meus interesses serem satisfeitos.... fá-lo-ei... :)
 
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    Pois é meu caro,    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:59 | Segunda feira, 10 de março de 2008
    Re: ... um exemplo ... que diz muito...    Ver comentário
e-ko (seguir utilizador), 1 ponto , 17:09 | Segunda feira, 10 de março de 2008
ELES EXIGEM RESPEITO
biatriz (seguir utilizador), 1 ponto , 16:43 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Acho lamentável os professores virem na manifestação com cartazes a exigirem respeito, pois eu acho que com esta avaliação irão ser respeitados.

No entanto, não os vejo unidos e a fazerem manisfetações por causa da falta de condições nas escolas...

Isso sim, para mim é pedir respeito.

Tal como a Srª Beca diz, e muito bem, a escola é para os alunos e não para os professores.
Talvez deviamos de ver por esse ponto de vista...
 
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    Re: ELES EXIGEM RESPEITO    Ver comentário
Conceição Pinto (seguir utilizador), 1 ponto , 16:53 | Sexta feira, 21 de março de 2008
    Re: ELES EXIGEM RESPEITO    Ver comentário
biatriz (seguir utilizador), 1 ponto , 13:41 | Segunda feira, 24 de março de 2008
Re: A rua e o beco
e-ko (seguir utilizador), 1 ponto , 17:37 | Segunda feira, 10 de março de 2008
é uma ilusão pensar que lá porque estiveram 100 000 professores na rua que os cidadãos vão aderir incondicionalmente às suas reivendicações...

como muito bem diz uma comentadora, visivelmente professora e a única comentadora convencida de que os professores têm razão, que até votaria no PCP para ver os seus interesses defendidos... mas isso, os didadãos, que quando não são pais de alunos, já foram ou são alunos, já perceberam, como já perceberam que agora só querem manter o braço de ferro, para tentar desacreditar a ministra... só têm sorte porque os cidadãos ainda não aprenderam a organizar-se para defenderem os seus interesses... porque se não estivessem também à espera que o Estado resolvesse tudo... então é que se acabavam os braços de ferro das corporações!

já é tempo de dizer que o rei vai nu... e há muitos reis nesta républica das bananas!

este governo está longe de ser excelente... e há muitas críticas a fazer a muitas das suas políticas... infelizmente a oposição é o que se vê: demagogia e evidente incompetência a dar com um pau! e isso também estão a ver os cidadãos... creiam, os que não acreditam, que são menos cegos do que o que pretendem, e, até sabem que manipuladores não faltam, de todos os quadrantes e mais alguns!

CIDADÃOS TOMEM CONSCIÊNCIA E ORGANIZEM-SE PARA DEBATER E PROPOR MEDIDAS QUE DEFENDAM OS VOSSOS INTERESSES, ISTO É O MAIS ELEMENTAR DUMA DEMOCRACIA... OS PROFESSORES NÃO ESTÃO INTERESSADOS NAS VOSSAS PRESENÇAS NAS ESCOLAS DOS VOSSOS FILHOS, A NÃO SER QUE SEJA PARA DIZER AMEN ÀS SUAS REIVENDICAÇÕES!

Assino: ex-professora, ex-aluna, mãe de ex-aluno, cidadã livre de pensar por si e independente das ideias políticas em curso!
 
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Lucidez
Jotaene59 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:08 | Segunda feira, 10 de março de 2008
Caro MST, deixou de fumar? :)
É que já há muito não via escrito seu com tamanha lucidez.
Subscrevo!
 
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Areia no sapato
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 18:36 | Segunda feira, 10 de março de 2008

O texto de MST está datado. Terá sido escrito antes da manifestação...
Hoje diria o mesmo?

O texto é fiel ao pensamento do seu autor expresso noutras ocasiões.

MST parece não conhecer a Escola de hoje. Conhecer por dentro. Experimnetá-la. Dar lá aulas um ano ou dois. Ter a vida de professor.

Seria capaz,concerteza. Faria experiências inesquecíveis. Estou certo que alguma coisa mudaria no seu discurso.

Para mim, é claro que ele tem uma antipatia difusa, resultante de recordações do passado, anedotas do presente, números colhidos aqui e ali, raciocínios teóricos etc.etc.
 
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