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A receita para os 'electrocépticos'

Alexandre Coutinho
16:43 Sábado, 6 de março de 2010

Os automóveis eléctricos chegaram ao mercado e, desta vez, para ficarem. O Salão Automóvel de Genebra, que abriu as suas portas ao público na passada quinta-feira, apresenta 38 modelos de veículos movidos a electricidade, argumentos de peso para convencer uma última franja de 'electrocépticos' que teimam em não ver a luz diante dos seus olhos.

Economia de consumo face ao aumento de preço dos combustíveis fósseis, redução drástica de emissões de CO2 para a atmosfera e uma boa dose de consciência ambiental e responsabilidade social, estão a mudar a mentalidade dos principais construtores de automóveis. Em Genebra, não há nenhum que não tenham uma solução de motorização ambientalmente correcta: combustíveis alternativos (biodiesel e etanol), gás natural, híbridos (com e sem Plug-in), 100% eléctricos ou com células de combustível a hidrogénio (fuel cell).

Mas para chamar à razão os chamados 'electrocépticos' nada melhor do que desmontar, um a um, os mitos ainda associados ao automóvel eléctrico:

- Autonomia, potência e velocidade reduzidas? Embora os primeiros veículos eléctricos disponíveis no mercado só disponham de autonomia para percorrer entre 100 e 150 quilómetros, a verdade é que a mesma só depende de quanto está disposto a pagar por mais baterias de iões de lítio de última geração e do peso que o veículo possa suportar. Quanto à velocidade, a maioria destes automóveis está limitado electronicamente a 120 ou 130 km/h, para não aumentar o consumo de energia e não "stressar" o sistema. Na prática, é possível conceber veículos desportivos como o Tesla Roadster (84 mil euros), cuja velocidade máxima é de 310 km/h (limitada a 210 km/h nos modelos de série), com uma autonomia de 450 quilómetros e um binário superior a 400 Nm com a carga plena nas baterias (que pesam quase 500 dos 1200 kgs de peso total do carro). No capítulo da potência, a vantagem dos automóveis eléctricos está na disponibilidade imediata da totalidade do binário logo no arranque. Igualmente presente em Genebra, o protótipo do NLV Quant, uma berlina de quatro lugares com portas do tipo 'asas de gaivota', é capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 2,8 segundos, de obter um binário de 1.500 Nm e de alcançar uma velocidade máxima de 377 km/h!

- Poluem mais dos que os automóveis convencionais? Embora não possamos ignorar as emissões de CO2 associadas à produção de energia eléctrica utilizada nestes veículos, estes não têm qualquer emissão directa de gases nocivos ou outro tipo de partículas, pois não existe nenhum processo de combustão a bordo. São, logicamente, veículos 'zero emissões', especialmente, se forem alimentados por electricidade produzida a partir de fontes renováveis. O relatório recentemente apresentado pelas associações ambientalistas Amigos da Terra, Greenpeace e Quercus, que alertava para o risco de os carros eléctricos aumentarem as emissões de CO2, critica os "supercréditos" que os construtores vão receber por cada automóvel eléctrico vendido. De acordo com a legislação europeia, podem fabricar 3,5 automóveis com motor a combustão sem que as emissões destes veículos sejam contabilizadas no seu cálculo de emissões médias.

- Preço da energia, dificuldade nos carregamentos e reciclagem das baterias? É sabido que para a electricidade ser uma solução mais económica para os transportes, tem de ser originária de fontes renováveis. Em Portugal, o mix energético conta já com 43% de electricidade 'limpa' e vários estudos demonstram que o custo por KWh disponibilizado pela rede pública ronda os 11 cêntimos. Nos automóveis eléctricos traduz-se num custo de 2,2 a 3,3 cêntimos por km, contra 6 cêntimos para o gasóleo (1 euro por litro) e 7,8 cêntimos para a gasolina (1,3 euros por litro). Por enquanto, os carregamentos são efectuados em garagens ou habitações privadas (a EDP apenas dispõe de seis estações de carregamento públicas em Lisboa), mas o Plano Integrado de Mobilidade Eléctrica prevê a instalação de 1300 pontos de carregamento 'normal' (4 a 6 horas) e 50 de carregamento rápido (10 minutos) em todo o país, até ao final do primeiro semestre de 2011. Por último e ao contrário da grande maioria das baterias de chumbo e de níquel, o lítio é inteiramente reciclável.

- Veículos caros e só com incentivos? Uma mudança de paradigma nem sempre acontece de uma forma natural e o esforço do Governo (com incentivos que podem ir até aos 6.300 euros, em caso de abate de um veículo em fim de vida) e dos construtores nesta nova tecnologia vai no sentido de criar uma mobilidade sustentável a longo prazo. No Japão, o Mitsubishi i-Miev está a ser comercializado por cerca de 25 mil euros, valor pelo qual deverá chegar a Portugal, ainda este ano, em conjunto com o Nissan Leaf e os seus 'primos' Peugeot i-On e Citroën C-Zero. Em 2011, será a vez dos Renault Kangoo Be Bop ZE e Fluence ZE (por um valor equivalente ao das versões a diesel, sem contar com as baterias, que serão alugadas em leasing).

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O Futuro é sem dúvida eléctrico!
ConJunTuraL (seguir utilizador), 1 ponto , 18:26 | Sábado, 6 de março de 2010
Há no entanto um meio caminho que as principais marcas estão a explorar e que vale a pena referir: os veículos híbridos! Há exemplos de verdadeiros veículos eléctricos que transportam in-board autênticos geradores só para produzir electricidade se necessário e assim aumentar a autonomia e a paz de espírito dos condutores! As emissões de CO2 são em geral baixíssimas! Eis alguns exemplos: http://ecocidade.tumblr.c...
 
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Jornalismo enviezado
Velha Guarda (seguir utilizador), 1 ponto , 18:33 | Sábado, 6 de março de 2010
O Sr Coutinho envieza os factos, porquanto:
1 - A energia eléctrica não custa 11 ç/kWh, mas sim 15, em média, e isto sem inclusão do défice tarifário e com um IVA especial de 5%. Isto dá 3 a 4.5 ç/km, e não 2.2 a 3.3. Por outro lado, a gasolina custará 7.8 ç/km mas 60% desse preço são impostos, pelo que descontando-os ficamos por 3.1 ç/km, e menos ainda no gasóleo. Ora não é credível que se o automóvel eléctrico se generalizar o Estado aceite perder as receitas obtidas nos combustíveis.
2 - O Sr. Coutinho esqueceu-se do principal problema dos automóveis eléctricos: o alto preço e o curto tempo de vida das baterias - 2 anos, o mesmo que duram as dos telemóveis e portáteis, que usam a mesma tecnologia de iões de lítio.
Nenhum organismo internacional credível, do IPCC da ONU à UE, espera a generalização desses automóveis antes de 10 a 20 anos. Só o nosso 1º-Ministro e os jornalistas que lhe fazem eco é que sonham acordados.
 
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