Muito recentemente, um Relatório da O.C.D.E. conduzido em 23 países, incluindo Portugal, reafirma um conjunto de evidências, relativamente à eficácia dos professores prejudicada pela falta de incentivos e pelo comportamento dos alunos.
Na apresentação do relatório afirmava o Secretário - Geral da O.C.D.E. que "a qualidade de um sistema educativo não pode superar a qualidade dos seus professores e do respectivo trabalho.", enquanto o Comissário Europeu responsável pelo pelouro da educação declarava que "é necessário determinação e empenho por parte dos responsáveis políticos no apoio aos nossos professores, apoio esse não só para melhorar a sua formação mas também para melhoria das suas condições de trabalho."
O Relatório considera que os responsáveis pela educação poderiam fazer mais para apoiar os professores e melhorar o desempenho dos estudantes, se os decisores políticos olhassem menos para o controlo dos recursos e dos conteúdos educativos e mais para os resultados da aprendizagem.
Outras importantes conclusões são referidas, nomeadamente a falta de equipamento que prejudica a eficácia da aprendizagem.
Ou ainda o facto de um em cada quatro professores perder 30% do tempo de aprendizagem em consequência do comportamento dos alunos ou em tarefas administrativas.
Ou também o facto da maioria dos professores trabalhar em escolas que não oferecem qualquer recompensa ou reconhecimento pelos seus esforços.
As questões relativas ao comportamento dos alunos e às suas implicações no processo de aprendizagem são hoje cada vez mais complexas quer quanto à sua avaliação, quer quanto à sua solução.
Mas o actual Governo empenhou-se ao longo de quatro anos, na produção de condições para dificultar as soluções, sobretudo quando optou pela instabilidade nas Escolas Públicas Portuguesas.
Fomentou o facilitismo em áreas matriciais da aprendizagem, nomeadamente a Língua Portuguesa e a Matemática.
Desvalorizou a importância presencial das crianças e dos jovens no espaço da sala de aula, com o Estatuto do Aluno
Recusou-se a entender que a formação hoje decorre, sobretudo, de respostas pluridisciplinares.
Não foi capaz de perceber que a escola a tempo inteiro não é sinónimo de processo de rotulagem e "stockage" de seres humanos. Não foi capaz de perceber que o alargamento da dimensão das escolas e dos agrupamentos é inversamente proporcional ao sucesso educativo.
Em síntese, descredibilizou o espaço público da formação e empenhou-se em propagandear uma Escola desinteressante e desmotivante, onde fez proliferar a arrogância, o autoritarismo e não poucas vezes a incompetência contra os mais importantes parceiros, os professores, actores e veículos do saber e do conhecimento, fragilizando com isso a sua função social.
Portanto só o fim destas políticas educativas e destas políticas comportamentais do actual Governo poderá permitir recuperar as condições para retomar o sentido primeiro da Escola.
Obviamente que as implicações sócio - culturais e sócio - económicas inerentes às famílias, às crianças e aos jovens constituem determinantes que não podem ser desvalorizadas mas que não serão, nunca, resolvidas exclusivamente no espaço escolar.
Também nestas áreas só outras políticas económicas e sociais serão capazes de transformações qualitativas que permitam às famílias entender o direito e o dever de educar também para uma melhor escola.