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A propósito de uma crónica de Henrique Raposo

Francisco Peres (Mestrado Integrado em Engenharia Civil, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa)
12:00 Quarta feira, 20 de janeiro de 2010

Num artigo publicado a 12 de Janeiro, na edição do Expresso on-line, Henrique Raposo escreveu que o declínio do sistema de ensino é da responsabilidade de sucessivos Ministérios da Educação, "que destruiu literalmente o ensino público, através de teorias pós-moderninhas". Apesar de o Ministério da Educação ter tido um papel, e importante, na degradação da qualidade de ensino, este não foi de todo o principal, e pode mesmo considerar-se que o erro do Ministério foi derivado de um primeiro erro por parte dos professores.

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O problema começou, inevitavelmente, nos professores. Que existem e sempre existiram bons professores, isso é certo; que muitos ensinam e transmitem os seus conhecimentos eficazmente aos alunos, obtendo estes bons resultados, isso também. Contudo, uma porção significativa desta classe, ao se encontrar numa posição confortável em termos de direitos e deveres, onde a progressão de carreira é facilmente atingível, deixou denegrir brutalmente a qualidade do seu trabalho, consciente de que, na prática, pouco podia ser feito acerca da sua posição - e estavam certos. Daqui adveio uma inevitável torrente de estatísticas negativas nos exames nacionais, e foi então que o Ministério cometeu o seu erro.

No momento em que o Ministério mais precisava de tomar conta do sistema de ensino pelo qual é responsável, acabou por deixá-lo nas mãos da classe que originou o problema. Ao baixar absurdamente os níveis de dificuldade dos exames nacionais, com vista a melhorar as estatísticas, o Ministério declarou que o problema do ensino nacional estaria totalmente concentrado num único exame final, e não nas escolas ou nos seus professores, aceitando que estes mantivessem a baixa qualidade de ensino. Ao contrário do que afirma o Henrique Raposo, o Ministério da Educação não é responsável pelo declínio da qualidade de ensino, mas é-o por permitir que assim continue.

Uma possível solução para este problema é a avaliação de desempenho, na medida em que premeia os realmente bons professores, em relação aos restantes. Contudo, o acordo obtido entre o actual Ministério de Isabel Alçada e os sindicatos apresenta uma versão dessa avaliação, tão necessária, que pura e simplesmente não terá um impacto significativo no ensino nas escolas, por duas razões interligadas: todos os professores que obtiverem a nota de Bom poderão chegar ao topo da carreira; e 83% dos professores obtêm essa mesma nota - uma avaliação irreal. Maria de Lurdes Rodrigues, por outro lado, tentou durante o seu mandato implementar um modelo de avaliação que - salvo, possivelmente, o constantemente relatado excesso de burocracia - seria verdadeiro, real e eficaz no tremendo processo de reformular e reorganizar o ensino nacional.

Uma secção socialmente indispensável não pode ser governada pelos seus núcleos internos, visto que esta será uma governação em seu próprio benefício - a medicina ao encargo dos médicos levou à falta de profissionais, provocada pela negação da abertura de vagas nas faculdades de medicina; a indústria farmacêutica nas mãos dos farmacêuticos continua a impedir a baixa de preços de inúmeros medicamentos, devido a várias leis que protegem os seus interesses.

Em suma, assim como os anteriores, também a governação da educação pelos professores deu azo à situação em que se encontra hoje o ensino nacional. Com este modelo de avaliação, o actual ministério voltou a aceitar esta situação e a perdoar aos responsáveis.

Palavras-chave  Blogues, Ciência
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A educação ,a régua e o esquadro.
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Quarta feira, 20 de janeiro de 2010
O mestrado articulista encontrou,no último parágrefo a solução para a educação em Portugal:professores para a rua e a escola vai ao Centro de Emprego lá do sítio fazer novos contratos.Começa tudo do zero e agora é que vai ser.
 
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Discordo de quase tudo o que escreveu
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 15:40 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Em primeiro lugar os assuntos são mais complexos do que um comentador pela rama (que lê cabeçalhos como método de obter informação) pode compreender.

Sou professor.
A maior parte dos professores que conheço são esforçados e cumpridores. Talvez não sejam génios, nem sacerdotes, mas não me parece correcto que comentadores medíocres exijam genialidade aos professores.

Sempre recusei candidatar-me a um orgão de gestão, apesar de sucessivamente pressionado por colegas dentro da escola que entendem que teria capacidade para tal.

A razão que sempre aleguei foi que não podendo punir/ a meia dúzia de professores ranhosos que há na escola, não poderia conviver bem com pedir dedicação a todos sem poder agir em relação a quem cumpre apenas os mínimos, e ainda como bónus é conflituoso, mesquinho e peguinhento.
Só que a Miluxa criou uma situação em que dois terços dos professores não ascenderiam na carreira. E quando do concurso de professores titulares, nenhum da dita meia dúzia citada atrás ficou barrada. Em dois departamentos da minha escola os titulares, coordenadores e avaliadores são desse grupo. Posso dizer que se a legislação da miluxa ficasse, muitos dos que temos mantido viva a escola, íamos passar a cumprir apenas o "normal" para sermos bons, ou seja, não faltar, muito show-off, e muita atitude "à profissionalão", ou seja, perante as falhas de resposta/avarias e afins, em vez de tentar resolver por outra forma, escrever grande dizeres para as actas sobre a ...
 
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