13/02/2012 atualizado às 9:56
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A personagem à procura do actor

"O teatro colou-se-me", dizia Morais e Castro. Ele que foi advogado e dirigente do Partido Comunista Português, deixou aos palcos e à TV um impressionante legado de profissionalismo. Acima do resto.

José Alves Mendes
19:20 Sábado, 22 de agosto de 2009
Com uma carreira sólida de mais de meio século, Morais e Castro sempre foi o actor normal
Com uma carreira sólida de mais de meio século, Morais e Castro sempre foi o actor normal
Luiz Carvalho

É costumeiro estabelecer como regra que existem apenas duas formas de 'explicar' o actor português: ou é capaz de se desdobrar em personagens diferentes sempre tratadas de maneiras distintas, ou representa sempre da mesma maneira, à espera que um dia uma personagem o 'encontre' e caiba por inteiro nos seus maneirismos e tiques.

De Morais e Castro bem se pode dizer que viveu, ao mesmo tempo, a alegria de procurar a personagem que lhe assentasse como uma luva e o embaraço de nunca a ter encontrado.

O cinema parece ter feito questão de passar, bem ou mal, sem ele. A televisão já dele fez caso e repetidas vezes. Do teatro feito para o pequeno ecrã (o que foi escrito ou rescrito a pensar na TV ou filmado de maneira a que nela coubesse...) às telenovelas às quais ele deu os favores do seu estilo único praticamente desde o início da aventura do género à moda lusitana, o 'jeito' peculiar de Morais e Castro passeou-se como uma garantia, uma apólice de seguro: a perfeição não estava em fazer tudo bem, mas antes em não fazer nada errado.

Com uma carreira sólida de mais de meio século, Morais e Castro sempre foi o 'actor normal', o representante daquele talento a quem o génio nunca assiste e que, por outro lado, assegura que as pontas soltas nunca arruínam o ramalhete.

Não foi o homem de quem se falava, mas era o actor com quem se contava, o que para um artista que teve por ambição maior fazer bem as coisas é epitáfio que chega e por pouco sobra.

É também mais um caso em que a ausência de arquivos filmados acaba por resumir o primeiro quarto de século do seu labor às memórias daqueles que com ele trabalharam e que ainda nos dão a alegria e graça de por cá estarem, de Carmen Dolores e Ruy de Carvalho a Irene Cruz, Rui Mendes ou João Lourenço.

O profissionalismo imaculado e a cidadania activa são as referências reincidentes. É o que de mais acertado de Morais e Castro se pode dizer.

O grosso do público, o que deu de caras com ele com o advento das cores televisivas, há-de sempre lembrar-se dos seus esgares de saudável indignação como professor do menino Tonecas, o mais divertido dos calões, maroto de primeira apanha.

Quem quiser apontar o dedo acusador ao defunto actor, pode sempre insistir nesse dia de arromba em que Morais e Castro leu a mensagem de um enfermo Álvaro Cunhal ao congresso que prometia a renovação no 'seu' Partido Comunista.

A 'declamação' devolveu o partido à escuridão sectária durante mais anos do que o bom senso estaria disposto a suportar. Para os detractores do actor, 'aquele' foi o seu melhor papel.

Fica, contas feitas, a ideia de um homem comum e de um actor a condizer, a quem faltou a personagem que se lhe colasse como o teatro fez com ele desde miúdo e que, mesmo sem um golpe de asa capaz de deslumbrar, foi capaz de dar conta do melhor recado: ser um profissional, tocado pela impecabilidade.

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Morais e Castro - A revelação!
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:05 | Domingo, 23 de agosto de 2009
Conhecendo Morais e Castro como o conhecia apenas das "Lições do Menino Tonecas", sou seu admirador! No entanto, depois de ter visto ontem a excelente reportagem da RTP-1, fiquei embasbacado,, sobretudo com a versatilidade do actor. Apresentaram peças de teatro gravadas, desde 1961, filmes e séries de diferentes épocas e fiquei rendido ao grande actor que, afinal, era muito mais do que pensava. Um senhor do Teatro, um verdadeiro Rei do palco, para além de ter o dom de trabalhar com o mesmo elevado nível perante as câmaras do Cinema e da Televisão. Como pessoa, deixou uma marca de grande afabilidade. Para mim, foi uma autêntica revelação e só lamento não ter tido oportunidade de conhecer melhor o seu trabalho.
 
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HOMENAGEM
mescarvalho (seguir utilizador), 1 ponto , 0:48 | Domingo, 23 de agosto de 2009
Apenas posso deixar a minha sentida homenagem de profundo respeito ao homem e ao actor, que (nos) fica na memória.
 
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Era um actor multifacetado, tanto gostava de
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 16:02 | Domingo, 23 de agosto de 2009
fazer drama como comédia e acima de tudo fazia humor com pedagogia. Não era só para fazer rir, acomo alguns actores conhecidos. E era um homem solidário com H grande...
 
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Um vulto maior da nossa cultura
socrates_lisboa (seguir utilizador), 1 ponto , 16:15 | Domingo, 23 de agosto de 2009
Não é de admirar o desconhecimento generalizado sobre a carreira de Morais e Castro (um dos expoentes máximos do nosso chamado “teatro sério”).
Nem causa estranheza o facto de ele ser mais conhecido por aquilo que – afinal – é um dos seus papéis menores : As lições de Tonecas.
Nos últimos anos, com ou sem intencionalidade, alguns políticos de pacotilha e “opinion makers” seus associados, tudo têm feito para ignorar e denegrir todas as figuras que – de um modo ou outro – tenham estado relacionadas com a luta contra o fascismo.
A sociedade liberal e capitalista não suporta que existam pessoas que não se regem pelos valores mercantilistas que eles defendem.
Contudo, as pessoas da minha geração, que tiveram o privilégio de assistir ao lançamento do Teatro Aberto e ver Morais e Castro em peças como «O Círculo de Giz Caucasiano», de Bertolt Brecht, não o esquecerão nunca !
A cultura pimba substituiu o prazer da busca da dialéctica pelo fast food das novelas e pelos big-brother. Mas como dizia Manuel Alegre “ há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”
 
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    Re: Um vulto maior da nossa cultura    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 16:57 | Domingo, 23 de agosto de 2009
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