12/02/2012 atualizado às 13:32
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A pátria dele é uma língua qualquer

O português é um pormenor para a adesão da Guiné Equatorial à CPLP. O que conta é o petróleo, e "negócio é negócio", como dizem os brasileiros. Esconder a ausência de direitos humanos também não será difícil.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 29 de julho de 2010

Teodoro Obiang Nguema é um homem determinado. Matou o tio para chegar ao poder e resistiu à última tentativa de golpe de Estado feita por mercenários no continente africano, em 2004. Sabe como ganhar dinheiro e a revista "Forbes" conta-o como o oitavo governante mais rico do mundo. E agora está a ter explicações de português.

Determinado como é, mais ano menos ano, falará português fluentemente, e não vai faltar dinheiro nem explicadores para convencer os poucos membros do clã Nguema/Mongomo, que domina a Guiné Equatorial desde a independência de Espanha, a falarem português. Esta semana Teodoro Obiang decretou que o português passava a ser a terceira língua oficial deste minúsculo país do golfo da Guiné. Como já tinha feito com o francês. Se for preciso adotar o Esperanto, Obiang não hesitará. Quando se quer limpar a imagem internacional, a língua é um pormenor.

Mais difícil será conseguir que os 633 mil habitantes do seu país falem português. Sobretudo os 60% da população que vivem com menos de um dólar por dia, num dos países mais desiguais do mundo. Desde que descobriu petróleo e gás, que a Guiné Equatorial passou a estar na rota dos diplomatas. 'Lula', que anteontem chorou emocionado na televisão, não verteu uma lágrima quando aterrou em Malabo e deu o apoio incondicional à adesão da Guiné Equatorial à CPLP. Celso Amorim, o MNE de Lula, resumiu bem a questão: "Negócio é negócio".

'Lula' que gosta de dizer que cada país deve resolver os seus problemas (com exceção das Honduras, claro) não se preocupou com a fome, a pobreza, a corrupção ou a tortura quando aterrou em Malabo, capital da Guiné Equatorial. O Brasil olha para a Guiné de uma forma simples: tem hidrocarbonetos, minas, estradas e estádios para fazer (o próximo campeonato africano de futebol é por lá) e uma posição geoestratégica fabulosa que permite a Brasília sonhar com o domínio do Atlântico Sul.

E a língua portuguesa? É um detalhe. Enche-se a Guiné Equatorial de professores de português e Obiang trata do resto: convence o filho a vender a mansão de 35 milhões de dólares que comprou ao lado de Britney Spears em Malibu e a doar parte dos 110 milhões de dólares que desviou para o Riggs Bank em Washington. Depois, abdica da pena de morte, melhora ligeiramente a saúde do povo e doa lucros do petróleo às ONG. Habituem-se. Obiang vai ser visita habitual em Portugal.

Texto publicado na edição do Expresso de 24 de julho de 2010

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Há sempre um se !!
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 4:29 | Quinta feira, 29 de julho de 2010
Acredito que todos nós partilhamos dos seus cuidados e pruridos, face a um ditador sanguinário.

Mas se os brasileiros dizem "negócio é negócio", já Churchill dizia: não há países amigos ou inimigos, mas sim uns que são interessantes e outros sem interesse algum !

Não me dei ao trabalho de verificar as regras que permitem a entrada na Commonwealth, mas duvido que Moçambique e o Ruanda as cumprissem aquando da adesão.
E aliás, nesta Comunidade encontramos países e governos que não primam quer pela democracia quer pelo respeito dos Direitos Humanos", sem que a Rainha ganhe mais uma ruga na testa, como são o Uganda e a Nigéria.

O se, é se a adesão da Guiné Equatorial não permitiria uma maior influência visando minorar o défice de democracia, de direitos e garantias, assistência médico-educacional, politicas mais harmonizadas, etc.

Não sei se não é hipocrisia o tratamento dado à Guiné Equatorial por via do seu ditador-mor, quando acolhemos e asilámos o sanguinário Nino Vieira, que matou portugueses e, dos tios dele não sei se se safou algum.

Fica-nos bem, mas é sempre para mal dos nossos pecados, já que os nossos "concorrentes" ocidentais não se inibem de educar os filhos, tratar das amantes e, guardar a recato o dinheiro, o ouro e os diamantes dos Mobutus, dos Bokassas, dos Khadafis e dos Teodoros, que lhes permitirá um dia viverem confortavelmente exilados.
 
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    Re: Há sempre um se !!    Ver comentário
NSant (seguir utilizador), 1 ponto , 13:56 | Quinta feira, 29 de julho de 2010
Coincidências
Heinkel (seguir utilizador), 1 ponto , 17:30 | Quinta feira, 29 de julho de 2010
Caro Ricardo Costa:
Quando descreveu a excelente personalidade e governação de Teodoro Obiang Nguema, não sei bem porquê, pareceu-me estar a decrever uma versão em espanhol de Eduardo dos Santos!
Já agora, não sei se está lembrado que um ilustre ministro da República Portuguesa, em pleno Reino de Castela, resolveu justificar "o seu iberismo confesso, pelo facto de nós e os espanhóis, termos uma lígua comum"???
Cumprs.
 
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    Re: Coincidências    Ver comentário
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 18:59 | Quinta feira, 29 de julho de 2010
    Re: Coincidências    Ver comentário
Heinkel (seguir utilizador), 1 ponto , 19:13 | Quinta feira, 29 de julho de 2010
    Não estou muito convencido disso...    Ver comentário
ólhameste... (seguir utilizador), 1 ponto , 10:06 | Sexta feira, 30 de julho de 2010
    Re: Não estou muito convencido disso...    Ver comentário
Heinkel (seguir utilizador), 1 ponto , 15:44 | Sábado, 31 de julho de 2010
A Lingua Portuguesa,era a Pátria ( do Pessoa...).
Johnny Guitar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:53 | Terça feira, 3 de agosto de 2010
Com os próximos "Acordos Ortográficos",eu "axo" ( do verbo "achar",falado a norte/nordeste de Coimbra),que qualquer país poderá integrar a Comunidade Lusíada,e considerando que toda a Legislação escrita,nomeadamente o texto da Constituição Portuguesa,passe a ser redigida em "texto-SMS"...também não valerá a pena ter preocupação pelo que dizem as Constituições dos outros parceiros da CPLP,penso eu de que...!
 
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