Não sabe tocar violino, contrabaixo, saxofone, trompete, tuba ou qualquer outro instrumento mas sonha integrar uma orquestra? Não perca a esperança. Tudo o que precisa é de um iPhone, uma aplicação que transformará o seu terminal da Apple num instrumento musical que produz um som semelhante ao de uma flauta, algum treino e, quem sabe, um dia poderá ser convidado para tocar com a Mobile Phone Orchestra (MoPhO) da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
A orquestra do telemóvel é uma ideia de Ge Wang, professor de música no Centro de Investigação Computacional em Música e Acústica da universidade americana, que havia já fundado a Stanford Laptop Orquestra, um projecto onde computadores portáteis substituem os instrumentos na produção musical. Desta vez, a ideia passa por construir todo um repertório de orquestra usando o telemóvel (como o iPhone) como principal instrumento musical.
Mais do que produzir uma sinfonia de toques de telemóvel, o objectivo é aproveitar as potencialidades tecnológicas dos ecrãs com multi-touch screen (um sistema de ecrã táctil com um algoritmo capaz de interpretar mais que um toque em simultâneo), para, recorrendo a aplicações cada vez mais criativas, gerar instrumentos musicais realmente portáteis.
Uma das aplicações desenvolvidas por Wang já disponível para download no iTunes é a Ocarina, um software musical que transforma o iPhone neste instrumento de sopro milenar feito em porcelana, terracota ou pedra, e semelhante a uma flauta. Depois de instalar a aplicação (o programa musical mais procurado pelos utilizadores do iPhone), basta soprar para o microfone do telemóvel e carregar nas teclas exibidas no ecrã para produzir as diferentes notas musicais. O programa permite ainda ouvir melodias tocadas por outros utilizadores nas mais diversas partes do planeta.
A iniciativa, explica Wang, faz parte de um "renascimento móvel" ou até mesmo de uma "nova revolução móvel". "Os telemóveis estão a tornar-se tão poderosos que não podemos mais ignorá-los como plataformas de criatividade. Tornam a música democrática porque toda a gente tem um", explica o investigador, nascido em Pequim há 31 anos, no "site" da universidade.