Economia e Inovação
A oportunidade que todas as PMEs anseiam
Tendo em conta o turbilhão em que se encontram as economias globais, o momento que vivemos parece apresentar-se como um dos mais arriscados para empreender. No entanto, note-se que algumas das empresas mais bem sucedidas de sempre nasceram em depressões económicas.
A robótica, tal como outros sectores do conhecimento, estão hoje a ser ensinados e investigados em Portugal a um nível de excelência que é em tudo comparável aos países mais desenvolvidos. Falta agora espalhar muita dessa excelência para as empresas e fazer o caminho do crescimento e da internacionalização.
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Nuno Almeida
20:02 Sábado, 7 de Nov de 2009
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Tendo em conta o turbilhão em que se encontram as economias globais, o momento que vivemos parece apresentar-se como um dos mais arriscados para empreender. No entanto, note-se que algumas das empresas mais bem sucedidas de sempre nasceram em depressões económicas. Hewlett-Packard gigante dos sistemas computacionais, Adobe Systems referência em software de edição e distribuição de informação electrónica ou a Procter and Gamble hoje detentora de marcas como a Gillete, Duracel ou Pringles, todas começaram nos momentos incertos característicos das crises económicas. Porque não começar um negócio agora? Há mais espaço do que nunca; com as grandes empresas demasiado preocupadas em sobreviver à crise, os empreendedores que encontrem nichos interessantes terão mais espaço para crescer. E a bem da verdade, longe vão os tempos das faltas de apoios para empreendedores. As razões para não dar esse passo são as habituais, e mais do que muitas: medo de falhar e dos efeitos da falha, desconhecimento de como gerir um negócio, falta de ideias, falta do capital para o arranque. Claro que uma pessoa que não sinta o impulso dentro de si para começar, não o deve fazer. Mas se há esse impulso, então, este é mesmo o momento para começar. Como o António Murta descreveu nas recentes jornadas TEDxEDGES, o país precisa urgentemente de uma vaga de empreendedores que criem empresas fortemente exportadoras, e provocou com a possibilidade de exportarmos entre dois e três biliões de euros no mercado de tecnologias daqui a dez anos. Junto-me a ele ao perguntar: porque não? Para muitos empreendedores nacionais isto implica uma mudança na forma como vêm o mundo.
A maior revolução cultural precisa de ser, o mais rapidamente possível, a de passar a pensar global: a criação de riqueza baseada em tecnologia só faz sentido numa economia global; ter o mercado Português como mercado alvo é insustentável. Pensar global tem duas vantagens: a mais óbvia: o mercado é maior; a menos óbvia: é com exposição aos mercados onde se compete pela criação de brands globais que se cria e se mantém excelência. Pensar global, é uma mistura de várias componentes (que a maior parte das empresas nacionais faz parcialmente mal):
- Vender e estabelecer parcerias estratégicas noutras geografias: passar dias em aeroportos e noites em hóteis algures em todos os cantos do mundo é duro; mas é um meio para atingir um fim; não se consegue fazer internacionalização sem viajar, é preciso e muito;- Atrair e reter talento internacional: se os melhores do mundo nos virem como um bom lugar para trabalhar, também o veremos nós; acima de tudo, a falta de atracção de talento internacional mostra ao talento nacional que o caminho é emigrar para melhores sítios para trabalhar lá fora;- Abrir capital a sócios internacionais que tragam mais valias: uma das caracteríticas do empreendedor que mais condiciona o crescimento das empresas é a ganância; quando há uma vontade de alcançar algo maior, abrir capital é, quando o novo sócio traz vantagens no que toca à presença internacional e à capacidade de crescer, o melhor caminho possível;- Ser-se ambicioso e contagiar coopetidores com essa ambição: fazer com que os nossos competidores passem a colaborar connosco a bem de um objectivo ambicioso partilhado por todos.
A robótica, tal como outros sectores do conhecimento, estão hoje a ser ensinados e investigados em Portugal a um nível de excelência que é em tudo comparável aos países mais desenvolvidos. O documento preparado pela Sociedade Portuguesa da Robótica (Robótica no Mapa
, apresentado
nas Jornadas de Inovação na FIL em Junho passado) isso mostra. Falta agora espalhar muita dessa excelência para as empresas e fazer o caminho do crescimento e da internacionalização.
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