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A opção de Teresa

Fernando Madrinha (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010

Com tantos candidatos a heróis da liberdade de imprensa e mártires do socratismo, as audições com que o Parlamento decidiu presentear-nos são, como se viu logo no primeiro dia, um espectáculo garantido. Esperar que dali saiam ideias, propostas ou meras conclusões com algo de construtivo e útil para melhorar o "exercício da liberdade de expressão em Portugal", isso já é pedir de mais. E teria a Comissão de Ética esse objectivo?

Quem ouviu as audições do primeiro dia deve ter ficado com as maiores dúvidas. Nem os deputados das oposições revelaram o menor interesse em discutir as questões sérias que os 'casos' em apreço suscitam, nem os da maioria se mostraram preparados para tentar deslindar as novelas em torno de situações concretas que estão a ser analisadas.

Em qualquer caso, é fácil antecipar o resultado das audições em curso. Sócrates vai sair ainda mais chamuscado das fogueiras que ele próprio se encarregou de atear, pagando pelo que disse e fez, pelo que terá tentado fazer e por todas as malfeitorias que, em função da sua própria conveniência, outros entendam atribuir-lhe. Mas o jornalismo não se sairá melhor porque ficarão mais expostas muitas das suas fragilidades. Sobretudo se os jornalistas convidados não resistirem à tentação de se porem em bicos de pés, com atitudes e comportamentos que minam a sua própria credibilidade e a de toda a profissão - a vaidade, a arrogância, o sentimento de inimputabilidade, a tentação de confundir a carteira profissional com uma carta de alforria e a liberdade de expressão com uma espécie de direito divino de que se consideram investidos.

Como disse Mário Crespo à Comissão, "as pessoas gostam muito de se sentir importantes". Falava a propósito das fragilidades dos jornalistas em situação precária e dos riscos de serem aliciados pelo poder político, ou qualquer outro. O problema é este: pelo mesmo motivo - gostar de se sentir importante - tanto se pode ser tentado a venerar um qualquer poder como cair-se na tentação de se venerar a si próprio.

Com excepção dos patrões dos media, que poderão, eventualmente, trazer algo de novo ao debate, é pouco provável que os protagonistas dos 'casos' conhecidos tenham mais a dizer do que já disseram ou escreveram até à exaustão. E quanto aos convocados sem razão que se vislumbre, a não ser o propósito de compor o ramalhete, inclino-me a pensar, tal como Teresa de Sousa ao pedir escusa da audição, "que a escolha dos nomes obedece a uma mera lógica partidária". "Depor nestas circunstâncias", escreveu ela, "seria permitir a utilização do meu nome numa batalha política, da qual creio que os jornalistas não devem ser parte". Julgo que tem muita razão.

A vingança soarista


Há uma semana, o Expresso noticiava que Fernando Nobre, o fundador da AMI, estava a ser desafiado por sectores soaristas para se candidatar à Presidência da República. Ontem, Fernando Nobre anunciou a sua candidatura, apresentando-a como uma decisão pessoal "em nome da cidadania". De facto, ninguém é obrigado a concorrer para Presidente, por mais fortes e convincentes que sejam os apelos. E o exercício da cidadania é um direito - ou um dever, em certas circunstâncias -, de qualquer cidadão. Bastam, pois, as razões de Fernando Nobre para legitimar a sua iniciativa.

Contudo, a surpresa desta candidatura não pode ser maior, vinda de um homem tão inteiramente dedicado a causas humanitárias e que em momento algum deu sinais de interesse ou ambição política. É certo que participou em comissões de honra das mais variadas candidaturas. Mas até o facto de o fazer num espectro tão largo que vai do Bloco de Esquerda ao PSD - apoiou Mário Soares em 2006, o BE nas europeias e, em simultâneo, António Capucho (PSD) em Cascais e António Costa (PS) em Lisboa, nas últimas autárquicas - concorria para despistar qualquer interesse pessoal. Ou, então, fê-lo já por intenção e táctica presidencial... abrangente.

Num país carecido de renovação da sua classe política e de quem, vindo de fora dos aparelhos partidários, traga causas e valores para o debate, a voz de Fernando Nobre na campanha será com certeza um ganho. E os apoios ou incentivos de terceiros não a diminuem. Mas não iludamos o que já se tornou evidente: Nobre é a espada soarista apontada a Manuel Alegre. E uma prova de que o ex-Presidente - ou, pelo menos, os seus próximos -, prefere a vitória do arqui-rival Cavaco Silva à do seu antigo camarada. As voltas que o mundo dá!...

Parabéns para dois


Só nesta semana, dois portugueses subiram a altos e disputadíssimos cargos na cena internacional. Vítor Constâncio tornou-se vice-presidente do Banco Central Europeu, João Vale de Almeida foi nomeado embaixador da UE em Washington. Como é da praxe, haverá sempre, entre nós, quem lhes diminua a mérito. De Constâncio dirão que falhou enquanto supervisor do sistema bancário, como se algum outro supervisor tivesse acertado na crise que vivemos. De Vale de Almeida dirão qualquer coisa relacionada com guerras de poder entre a Comissão e o Conselho de Ministros, como se ele não tivesse uma brilhante e consistente carreira para justificar o cargo.

Haverá também quem escarneça deste antiquado sentimento de orgulho pelo êxito de compatriotas nossos em palcos de concorrência feroz. Por mim, só tenho pena de não poder felicitar, um a um, todos os portugueses que brilham por esse mundo fora, nos mais variados palcos, níveis e instâncias.

Fernando Madrinha

Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Fevereiro de 2010

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Caro Fernando Madrinha
Brilhantina (seguir utilizador), 2 pontos , 23:01 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Li a sua crónica e vi-me obrigado a escrever estas palavras pela simples razão de não querer ser injusto caso o não fizesse.
E digo isto porque se contestei e rebati há algum tempo algo que aqui escreveu e que discordei, sinto-me agora no dever, por consciência de justiça, felicitá-lo pela boa crónica que nos pesenteou e que concordo plenamente.
 
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A opção de Teresa
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:56 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Podemos comparar o que está a acontecer em Portugal, ao período de terror que se viveu em França no tempo de Robispierre, em que acabaram na guilhotina alguns dos melhores franceses. De uma maneira ou de outra está a ser feito por toda a Comunicação, numa intimidação desde o governo passando pela Justiça, mas também por setores das Empresas e sociedade. Se esta batalha for ganha dali em diante nenhuma Empresa nem nenhum administrador ousará negar crédito, ou mesmo publicidade. Ficarão assim licenciados com armas para matarem quem quer que seja, sem que daí advenha nenhuma consequência ou punição. Aliás teremos uma vez mais a PIDE ou seja um Estado dentro de outro. Falar em falta de liberdade se não é a maior anedota do ano á a maior do século. Fernando Nobre penso que se devia ter enganado na porta, porque Portugal não é o Vaticano nem uma Monarquia. No entanto acaba de provocar uma gargalhada a Cavaco e um gemido triste a Alegre. Acaba de ser o melhor amigo do primeiro e o pior inimigo do segundo. Casos como a tragédia da Madeira, ou a nomeação seja ela de Durão Barroso, de Constâncio ou de Crisiano Ronaldo deviam fazer esquecer divergências politicas, porque antes da existência dos partidos já havia Portugal, que para nascer e se consolidar como é hoje muitos antepassados perderam a vida. Um povo que não respeita o seu passado e presente não merece ter um País.
 
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Arre, que já é demais.
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:27 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Mas estão todos combinados em nomear VC como o melhor português de sempre?

Eu e a maioria dos portugueses - tenho a certeza- temos orgulho pelo êxito de compatriotas em palcos de concorrência "feroz".

Concorrência com outros, em igualdade de circunstâncias, onde as "capacidades" são o elemento principal.

Reconhecer essas capacidades é o mínimo. Mas não"embandeirar", como se costuma fazer no futebol, quando o jogador inapto toda uma época, marca o golo decisivo na última prova e passa a herói.

Ninguém exigiu que VC "adivinhasse" a crise internacional, porque não foi esse o problema.

O problema foi doméstico e se só aconteceu em 3 Bancos, não foi pela clarividência de VC, mas pelo comportamento dos Banqueiros.

BPP, BCP e BPN, todos diferentes e todos iguais. Para todos houve a desculpa: Não se portaram com lealdade. Ora bolas, é para isso que existe uma estrutura "pesadíssima" chamada BP. Para confiar nas respostas e desprezar os "sinais", é o mesmo que o polícia perguntar ao ladrão se está a roubar e esperar que ele responda com "lealdade".

Portanto, conseguiram altos cargos, óptimo. Parabéns. Mas só isso.

E deixem-se de "loas" bizarras, para não dizer, ridículas.

   
 
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nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Madre Teresa
velez roxo (seguir utilizador), 1 ponto , 17:46 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Sempre fui um admirador de Madre Teresa e, se bem me lembro, foi ela quem disse "O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em acção, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa."
Ao ler o Madrinhico texto com o titulo a "opção de Teresa" pensei que ia ler algo sobre o FMI (recordam-se dessa Teresa?).Afinal era sobre a posição de Teresa de Sousa (que também pessoalmente apoio) relativamente à presença na Comissão de Ética.Na verdade "o dever é uma coisa muito pessoal" (TSousa).Mas tambem de FNobre...Em segundo "decorre da necessidade de se entrar em acção (Mario Soares e os seus face a Alegre e a FNobre), e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.(VConstancio e JVAlmeida face aos novos desafios e importancia da sua presença em lugares que nos permitam dizer:não há milagres sem a força da fé).
Bom triangulo de temas caro FMadrinha
FVRoxo
 
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Madrinhas, Afilhados & Compinchas
Jonatas (seguir utilizador), 1 ponto , 19:31 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Sempre o mesmo, este Madrinha. Ao menos é um Socratretas coerente. Que ninguém lhe aponte menos consistência. Pois não concordo nada com a D. Teresa de Sousa e acho que muito se tem apurado com as audições.

Quem está interessado em boicotar o trabalho desta Comissão e menosprezar os seus resultados, todos sabemos quem é: Madrinhas, Afilhados e Compinchas.
 
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As miudezas dos auto proclamados libertadores...
Byte Magic (seguir utilizador), 1 ponto , 15:39 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
São sempre muito menos épicas do que se lê nas suas crónicas.

A Comissão não produz resultados? Só pode ser anedota!

A prova que produz, e muitos, é a reacção de quem sente escapar por entre os dedos os argumentos que invocava e agora a quer vêr acabada.
Negação da realidade revisitada ou, mais uma vez ... tapar o sol com a peneira :))

Como seria de esperar, estão a deitar-se na cama que fizeram.
 
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