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A maldita aritmética de Copenhaga

A matemática ajuda a resumir a conclusão da Cimeira do Clima: 5+3+5+ (n-13). Neste n-13 residual dos participantes em Copenhaga destaque para a Aliança dos Pequenos Estados Insulares e o muito activo Tuvalu.

Jorge Nascimento Rodrigues
9:35 Domingo, 20 de dezembro de 2009

Finalmente, a Cimeira dos negociadores e assistentes sem sono terminou. Com o documento possível, disse o secretário-geral das Nações Unidas.

A decisão final da Cimeira fala de "tomar nota" do acordo escrito alcançado pelos Cinco (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul) e o secretário executivo da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), que organiza estas reuniões, limitou-se a referir a existência de uma "carta de intenções" que faltará traduzir em "algo real, mensurável e verificável".

Essa tradução ficou adiada para reuniões de negociação em Bona, na Alemanha da chancelerina Merkel, entre 31 de Maio e 11 de Junho e a revisão do tema far-se-á, de novo, na próxima conferência anual que, em finais de 2010, será na cidade do México.

A soma dos actores

No fecho da cortina, e já com os delegados em sono solto ou apagando as mágoas ou festejando o triunfo do possível na noite de Copenhaga, fica-nos uma aritmética simples escrita na parede: 5 + 3 + 5 + (n-13).

Sem grande introdução à matemática geopolítica, aqui fica a tradução:

5=os cinco grandes da célebre mesa do "acordo" (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul);

3=os três grandes politicamente eclipsados (Europa, Rússia e Japão);

5=o eixo bolivariano-castrista (Venezuela com a voz marcante de uma Claudia Salerno Caldera muito activa, Cuba, Bolívia e Nicarágua, apoiados pelo muito recomendável Sudão) dos "marginais" deixados a falar sozinhos pelas grandes potências emergentes, o que significa que já nem para compagnons de route servem nomeadamente das estratégias chinesa e brasileira;

N-13=as outras partes da cimeira, o residual geopolítico, com destaque para a projecção alcançada pelos pequenos países insulares, as vítimas da linha da frente dos 0,8 ºC de aquecimento global já verificado, com destaque para a Alliance of Small Island States (22 países, onde se incluem os arquipélagos africanos de língua oficial portuguesa e Timor-Leste) e para o activismo de Tuvalu, pequeno estado com 10 mil habitantes ao longo de 24 km.

Palavras-chave  Blogues, Economia
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