Finalmente, a Cimeira dos negociadores e assistentes sem sono terminou. Com o documento possível, disse o secretário-geral das Nações Unidas.
A decisão final da Cimeira
fala de "tomar nota" do acordo escrito alcançado pelos Cinco (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul) e o secretário executivo da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), que organiza estas reuniões, limitou-se a referir a existência de uma "carta de intenções" que faltará traduzir em "algo real, mensurável e verificável".
Essa tradução ficou adiada para reuniões de negociação em Bona, na Alemanha da chancelerina Merkel, entre 31 de Maio e 11 de Junho e a revisão do tema far-se-á, de novo, na próxima conferência anual que, em finais de 2010, será na cidade do México.
A soma dos actores
No fecho da cortina, e já com os delegados em sono solto ou apagando as mágoas ou festejando o triunfo do possível na noite de Copenhaga, fica-nos uma aritmética simples escrita na parede: 5 + 3 + 5 + (n-13).
Sem grande introdução à matemática geopolítica, aqui fica a tradução:
5=os cinco grandes da célebre mesa do "acordo" (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul);
3=os três grandes politicamente eclipsados (Europa, Rússia e Japão);
5=o eixo bolivariano-castrista (Venezuela com a voz marcante de uma Claudia Salerno Caldera muito activa, Cuba, Bolívia e Nicarágua, apoiados pelo muito recomendável Sudão) dos "marginais" deixados a falar sozinhos pelas grandes potências emergentes, o que significa que já nem para compagnons de route servem nomeadamente das estratégias chinesa e brasileira;
N-13=as outras partes da cimeira, o residual geopolítico, com destaque para a projecção alcançada pelos pequenos países insulares, as vítimas da linha da frente dos 0,8 ºC de aquecimento global já verificado, com destaque para a Alliance of Small Island States
(22 países, onde se incluem os arquipélagos africanos de língua oficial portuguesa e Timor-Leste) e para o activismo de Tuvalu, pequeno estado com 10 mil habitantes ao longo de 24 km.