| A lusa e o escocês |
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Estrada daFalagueira,
100-b
Amadora
Tel. 214 947 091
(Fecha sábados ao almoço e domingos)
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Vamos à procura de uma
Estrada da Falagueira, que obviamente antecederá a propriamente dita
Falagueira (que se uniu à
Porcalhota e ao Alto da Venteira, em 1907, para formarem a Amadora). Indo pela 2ª Circular, vira-se na altura própria para a
Amadora. Há-de passar-se por baixo da ponte do comboio e à ilharga dos Bombeiros, após o que aparece uma bifurcação e se corta à esquerda, seguindo a indicação São Brás. Percorre-se então a longa avenida e toma-se atenção às perpendiculares do lado direito e respectivas placas. Na primeira, já se fala em Falagueira, mas não é esta. A segunda, Travessa da Quinta da Bolacha, também não. Na seguinte é que é: volta-se à direita (se continuássemos em frente iríamos dar ao Casal de São Brás), para onde as tabuletas mencionam Pavilhão Mãe d'Água/Brandoa/Estrada da Falagueira. Numa casinha baixa e antiga (construída em 1914), aí está, devidamente assinalado, o
restaurante O Bem Amado.
Ao fim de duas décadas dedicadas ao pescado - 18 anos cá como importador de bacalhau, dois anos na Escócia como proprietário de uma fábrica de processamento de peixe -, Victor Alcobia (agora quase a despedir-se do clube dos quinquagenários) resolveu mudar de vida e seguir a inclinação. Descobriu este local (residência anterior duma tasca), fez obras e, em união com sua mulher Alda, que também largou ocupações diferentes, inaugurou este restaurante em 11 de Setembro de 1996. A salinha da entrada com balcão e mesas para 10 utentes, a outra com capacidade para 21 manducantes, paredes em parte revestidas de madeira e o resto de garrafas de vinho e um conjunto de gravuras, emblemas e mapas referentes à Escócia e ao seu álcool divinal. Amesendação conveniente, aconchegadinha, música em fundo.
A lista de comidas não se detém muito nas Entradas, embora cheguem para cumprir a função. A secção de peixes é farta e diversificada, entre 16 a 18 propostas, renováveis, por onde passam bacalhau (cozido, frito, assado, em cataplana, pataniscas, línguas, caras), polvo, lulas, chocos, peixe-galo, linguado, tamboril, garoupa, pregado, massinhas, açordas, cataplanas. O sector das Carnes com cerca de 14 registos, igualmente substituíveis e alargando-se muito para além dos bifes e correlativos. Cozinha lusa, sem tirar nem pôr.
Para intróito, pequenos pastéis de bacalhau, rissóis e croquetes (€0,65) agradáveis, interessante presunto serrano espanhol (€6) e uma admissível linguiça frita, vantajosamente substituída por morcela (€3) na segunda jornada. Na companhia de arroz branco e batata frita, as "lulas recheadas com camarão" (€11) deram boa conta de si no continente e no conteúdo. As "línguas de bacalhau panadas com açorda de alho" (€11,50) só não estiveram globalmente perfeitas porque a quantidade de polme do panado foi excessiva. Arroz apetitoso, húmido sem malandrice, e conduto a contento no "peixe-galo frito com arroz de tomate" (€10). Correctas e afirmativas as "ervilhas com entrecosto e ovo escalfado" (€8), também com presunto. Não estiveram nada por aí além os "maranhos com salada e batata frita" (€8) porque secos e com arroz recheante de fraca qualidade. Irrepreensível, o melhor que pode atingir em fritura, o "coelho frito com guarnição" (€8), os costumeiros arroz e batata frita a assessorar. Não fosse um pouco de vinagre a mais e o "arroz de cabidela" (€8) só mereceria louvores.
Meia dúzia de doces cumprem a missão com afabilidade. O vinho é aqui encarado a sério. Encontrou-se uma carta desfalcada pelos excessos natalícios e de passagem de ano, mesmo assim ainda se puderam contar 150 tintos, 25 brancos, seis verdes, oito espumantes e um champanhe. Serviço familiar e gentil.
Não pode deixar de sublinhar-se o culto fervoroso que na casa se presta ao whisky escocês, fruto da vivência e da paixão de Victor. Existem aqui 170 variedades de scotch whisky, das quais 140 são de malt whisky, o supra-sumo da destilaria mundial. Contentei-me com um Auchentoshan (das Lowlands) e um Mortlach (de Speyside), inesquecíveis.
Projecto de vida do casal Alda e Victor Alcobia, que conta apenas com a colaboração da cozinheira Manuela Duro, este O Bem Amado merece evidentemente ser visitado e estimado.