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A lição de Berlusconi

Em Portugal, como na Itália, nos crimes de colarinho banco, sem cadáver nem flagrante delito, qualquer advogado competente consegue prolongar o processo e às vezes nem isso é necessário.

J.L. Saldanha Sanches* (www.expresso.pt)
0:01 Sábado, 5 de dezembro de 2009

A justiça italiana, tal como a portuguesa, funciona mal. Giulio Andreotti afinal não era um cúmplice da máfia nem mandou matar jornalistas e acabou por ser absolvido. Berlusconi tem feito tudo o que pode para que ela funcione ainda pior.

Entre nós o pacto PSD/PS também fez o que pôde. Berlusconi, quando alguns magistrados conseguem remover os obstáculos que a lei lhes coloca no caminho, declara que é um mártir e que os magistrados que o perseguem são comunistas.

Nesta pequena Itália vai sucedendo o mesmo: os heróicos paladinos da liberdade insurgem-se contra o Estado policial que surge no horizonte. Os magistrados têm motivações políticas. As escutas telefónicas são a forma moderna da tortura e por isso devem ser ainda mais limitadas.

Num certo sentido são uma tortura: para quem a actividade empresarial tem como componente essencial os subornos e as comissões, o perigo, mesmo remoto, de ser escutado constitui um problema sério. Sem telemóvel é tudo desesperadamente lento e a economia paralela tem as suas exigências.

Para mais as cifras de que se falou na operação 'Face Oculta' parecem mostrar que do lado da corrupção a oferta é cada vez maior e as comissões estão mais magras.

Logo, acabar com a possibilidade de escutas nesta zona, mesmo judicialmente mandatadas, constitui uma questão central para este largo sector da economia portuguesa. Percebe-se por isso os clamores de alguns colunistas empenhados na defesa preventiva dos seus clientes para impedir processos e acusações.

As disfunções do modelo actual do Ministério Público e as mudanças destinadas a tornar o Código do Processo Penal um empecilho ainda maior à investigação tornam a detecção improvável, mas não impossível. A probabilidade de uma qualquer acusação acabar com uma condenação em tempo útil é muito remota, mas ser arguido envolve sempre algum incómodo.

Em Portugal como na Itália, nos crimes de colarinho banco, sem cadáver nem flagrante delito, qualquer advogado competente consegue prolongar o processo e às vezes nem isso é necessário: o processo encalha em qualquer parte.

Na Itália, Berlusconi, mesmo depois do seu revês no Tribunal Constitucional, encontrou a fórmula mágica para impedir a acusação dos crimes de colarinho branco: a lei do processo rápido, que diminui os prazos de prescrição e torna virtualmente impossível que estes processos acabem.

Cá, devem estar a pensar no mesmo.

Se a justiça continua a perseguir quem não deve, então um prazo curto de prescrição constitui a fórmula mágica: o nosso processo penal já garante que um caso como o de Madoff (já com condenação definitiva e a cumprir pena) seja impossível.

Justiça rápida em crimes económicos, no nosso ordenamento jurídico, é uma graça de mau gosto. Tal como na Itália.

Prazos de prescrição mais rápidos, na próxima reforma do Código do Processo Penal, podem ser a solução definitiva seguindo a lição de Berlusconi.

Seria inteiramente inconsequente que copiassem o discurso, sem copiarem as soluções.

Adenda: a situação no Continente atingiu pontos tais que Jardim mostra o seu nojo e o seu desinteresse. Desde que continue a receber a sua mesada.

*Fiscalista

Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Outubro de 2009

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Ena pá! Arranjou coragem? Não. É como sempre...
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 1:53 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
O senhor bate, mas nunca é primeiro. Espera sempre pela turba ululante que o arrasta na cruzada do bem.

Há anos que os dinheiro públicos são vistos em condomínios de luxo e carros de alta cilindrada. Num País pobre, com uma economia de subsistência, os ricos legítimos, contam-se pelos dedos. Por exclusão de partes pergunta-se: Como aparecerem os outros?

Mas o Sr. que acede diariamente a informação privilegiada, devendo estar a par de factos que os cidadãos nem sonham, tinha outros combates: Os pequenos delinquentes fiscais.

Os grandes não fugiam ao fisco nem aldrabavam a facturação para fugir ao IVA. Os pequenos sim. Declaram menos salário, atrasam pagamentos da SS, retendo por vezes o dinheiro dos próprios trabalhadores, Não respeitando as normas de segurança e higiene.

A ASAE correspondeu aos seus apelos, o Fisco e a SS actuaram conforme os seus desejos.

E os delinquentes, que declaravam sempre prejuízo - na sua óptica- com o objectivo de enriquecimento ilícito, fecharam.

Bastou acabarem as "facilidades" do Estado, e umas "acçõezitas" da ASAE e fecharam 17.000 empresas. Na sua óptica não tinham razão de existir, eram um furúnculo no tecido empresarial português.

Agora é que o Governo decidiu algumas facilidades. É tarde, o doente morreu.

Agora que todos têm os olhos postos na corrupção, eis que surge. É tarde. Agora todos batem.

Estar na vanguarda requer coragem.
 
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Ena pá!.........continuação
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:04 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
Continuo o meu comentário, porque recentemente desloquei-me a Friburg na Alemanha e recordei-me da suas "preocupações".

Na feira que se instala diariamente, na maior praça da cidade,
os pequenos agricultores (negócio familiar), vendem todos os hortícolas possíveis e imaginários.

Mas pergunta você: O que é que tenho a ver com os agricultores?

Resposta: Não vi uma única caixa registadora nem ninguém a exigir factura.

Já o imagino a esfregar as mão de contentamento, eis uma zona da Europa cheias de delinquentes fiscais que espera a minha denúncia.

São homens e mulheres, a maioria velhos com mais de 70 anos, que não vivem da SS.

Mas, pensa você, quem garante que declaram os nabos e os grelos? Se calhar não declaram e por isso ganham o suficiente para a família. E não são miseráveis nem infelizes. E o Estado poupa em fiscais.

Huummm, e as receitas do estado e a equidade tributária?

Pois é, talvez não se derrape tanto nas obras públicas, talvez a "vigilância" das pessoas como você, incida sobre quem pode roubar milhões.

Talvez não aconteça o que todos nós vemos, mas não temos provas.

O ver para crer, em Portugal não é permitido. Se não se pode provar, não se pode ver.

Estamos numa democracia, com liberdade de pensamento. A liberdade de palavra nem todos a têm. E à persecutória acção das finanças, só privilegiados escapam.

Somos um povo infeliz.

Sei que do alto da sua tribuna continuará a luta

bem haja
 
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Desta vez tem toda a Razão!
vasil (seguir utilizador), 1 ponto , 12:27 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
Mas antes, devo dizer que ocomentador CM84 tem também toda a Razão!

E o que diz CM84 é talvez mais importante que as suas tardias iluminações

Aquilo que diz neste artigo toda a gente tem visto! Mas há uma parte da população que anseia por lugares ao sol, que só pertence a iluminados, junto dos mesmos políticos, que esperam a sua oportunidade... E esses vãomantendo o 'estado da nação', aliás como a maioria dos colunistas, não os comentadores? (alguns).

Com a economia portuguesa destruída, comosabemos que fizeram já... Resta-nos importar tudo!
O Estado vai pagar os salários aos trabalhadores, parece que de todas as empresas (mesmo as privadas), paga também a mão de obra disponível (que cresce), etc..

Enquanto isso, pagamos à EDP, PT, etc., quantias bem acima do que deviamos pagar, para essas empresas investirem, não em Portugal que o povo não tem dinheiro, não há mercado interno, mas nos USA, França, etc.,...

Entretanto os bancos vão à falência, em em vez de serem os accionistas a pagar o dinheiro aos clientes (como em qualquer país capitalista), o Estado entra com o dinheiro, e os accionistas ficam com ele para continuar o seu regabofe...

Outra coisa, quando se lembrar, proponha um dia util com auto-estradas grátis, e vá ver, vai ver como elas se enchem... Afinal todos pagamos as portagens, nos produtos que consuminos, porque tempo é dinheiro! E se o transporte se faz por veredas...

   
 
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terra de cabr...
corta bushos (seguir utilizador), 1 ponto , 13:29 | Domingo, 6 de dezembro de 2009
pedófilos, gatunos, iletrados e benfiquistas eis portugal!
 
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Minas e Armadilhas a 50 Metros
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 11:10 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
Não posso deixar de dar razão ao comentador CM84.

Há muito que não lia nada de jeito escrito por este articulista.

De forma que fiquei surpeendido com este artigo - exacto e contundente.

Convinha que os líderes da oposição que ainda não se tenham deixado corromper (ser oposição no parlamento nada garante) o lessem e não se deixassem cair nas armadilhas do encurtamento dos prazos para prescrição e de tornarem as escutas ainda mais difíceis.

Toda a casta de corruptos políticos e jornalistas corruptos(também os há ) tem desenvolvido uma campanha orquestrada contra a existência de escutas. É a nova frente da corrupção.
 
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