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A justificação da riqueza

A lei sobre o enriquecimento ilícito não vai resolver a corrupção em Portugal. Mas há que saber escolher entre o valor que a lei protege e o que eventualmente põe em causa.

(www.expresso.pt)
0:01 Quarta feira, 16 de dezembro de 2009

O Parlamento aprovou, finalmente, a lei sobre o enriquecimento ilícito. Apesar da oposição incompreensível do PS, o projecto passou e pode ser brevemente vertido em lei.

Os argumentos aduzidos contra esta proposta baseavam-se numa eventual inversão do ónus da prova, uma vez que seria o visado a ter de provar que os seus rendimentos e bens têm origem lícita. Porém, como se viu durante o debate, vários outros juristas de mérito entendem que, havendo primordialmente uma acusação (que se baseia no indício de que os rendimentos declarados não justificam a posse de determinados bens), cabe ao acusado, como em todos os outros casos, carrear elementos que contrariem a prova da acusação, não configurando, assim, qualquer inversão.

Outro argumento utilizado contra esta lei é o de que já existem leis suficientes. É verdade que sim, mas são contraditórias, não são cumpridas e são difíceis de provar. Se a nossa sociedade considera a corrupção um mal grave na nossa vida colectiva, tem de munir-se de leis simples, compreensíveis e iguais para todos de forma a combatê-la.

Ora, sem perder de vista que qualquer lei pode limitar direitos (por exemplo, ao transformar-se em crime público a violência doméstica, também se afecta a privacidade) há que, em cada momento, saber escolher entre o valor que a lei protege e o que, eventualmente, desprotege. No caso do enriquecimento ilícito parece-nos que a escolha é óbvia.

Obama, o desejado

O Presidente dos EUA recebeu o Nobel da paz com um discurso em que defendeu a "guerra justa" e não se sabe como foram acolhidas estas palavras por aqueles que se bateram por lhe dar um prémio tão inesperado como surpreendente.

Não que Barack Obama não tenha a dimensão política, pessoal e intelectual para o poder receber. Não, que não seja sincera a sua aspiração a um mundo pacífico e dialogante; o que tornou o prémio Nobel incompreensível foi o facto de alguém o ter ganho não pelo que já fizera, mas pelo que se propõe fazer. Aliás, Obama tem sido especialista na gestão de expectativas - veja-se como não se ouviram as costumeiras críticas no momento em que ele, rendendo-se à realpolitik, enviou mais 30 mil homens para o Afeganistão (o mesmo que o seu antecessor poderia bem fazer, embora com menos jeito, menos diálogo e menos inteligência).

Obama é, pois, um desejo colectivo. Esperemos que ele o saiba transformar em realidade. O pior seria um homem tão poderoso não corresponder às expectativas do mundo.

Texto publicado na edição do Expresso de 12 de Dezembro de 2009

 

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A justificação da riqueza
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:27 | Quarta feira, 16 de dezembro de 2009
Desta vez o PS fez-me mesmo zangar e eu que tenho andado aqui a defendê-lo com unhas e dentes, porque estou convencido que é o melhor para Portugal. Sei dos seus argumentos para assim proceder, mas uma coisa é certa, não lhe fica bem. Se há Leis a mais que só confundem, porque não acabar com elas e começar tudo de novo. A Justiça está num caus como todos sabemos e passam o tempo a desculpar-se uns aos outros. Os politicos dizem que a culpa é dos Tribunais e os Juizes passam o tempo a dizer que é dos politicos. No jogo do empurra quem se lixa é o Zé. Já o sugeri para se arranjar uma comissão com gente capaz e durante um ano estudar e rasgar todas as Leis que são lixo e simplificar tudo de uma vez. Os outros Países da maneira como julgam não podem ser assim. Veja-se o caso Maddof. Em seis meses tudo estava resolvido. Compare-se agora com o BPN. Como aparte nessa comissão não podia haver advogados, caso contrário voltavam a embrulhar tudo. Somos um povo que gosta de complicar até na língua. Continuamos a escrever casa com um S em vez dum Z. Não se percebe porque não continuamos a escrever Farmácia com PH. Vejo o prémio a Obama mais como um insentivo.
 
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George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 12:08 | Quarta feira, 16 de dezembro de 2009
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Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 19:23 | Quarta feira, 16 de dezembro de 2009
Melhor Justiça em Portugal!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:18 | Quarta feira, 16 de dezembro de 2009
Todas as medidas que permitam aos portugueses usufruir de uma Justiça mais equitativa, mais célere e mais responsável são de salutar e de congratular!!!

Considero que a lei sobre o enriquecimento ilícito poderá enquadrar-se nessa tipologia mas para que isso se concretize é necessário que seja aplicada!!!!!

Quantas leis foram criadas desde a implantação do estado democrático que estão "arquivadas numa prateleira" não apresentando nenhuma aplicabilidade prática?

Espero que esta não seja mais uma para juntar à longa lista!!!!!

É preciso sermos práticos, sérios, responsáveis e corajosos para ambicionarmos uma sociedade mais equitativa e mais justa!!!!
 
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A justificação da riqueza
APNS (seguir utilizador), 1 ponto , 20:03 | Quarta feira, 16 de dezembro de 2009
Não posso estar mais de acordo com este artigo!
O que está em jogo é muito mais do que um direito individual(que é muito importante) mas o nível de corrupção nacional, e a correspondente sensação de impunidade dos prevaricadores, ameaça tornar-se sistémica em Portugal.
E isso tem que ser travado.
O crime não pode compensar!!!
 
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direitos e direitos
jmosimoes (seguir utilizador), 1 ponto , 19:15 | Segunda feira, 21 de dezembro de 2009
já agora lembro que ao ser provado que determinado individuo enriqueceu fraudulentamente, o Estado pode ficar com 60% do valor apurado, ou seja ainda continua a compensar, assim não vamos lá.
Quanto a direitos, todos temos direitos e deveres, se um dever é quebrado, pq se tem de tratar quem o quebrou com papas e tapetes vermelhos, o excesso de garantias dados aos arguidos tem levado ao caos que se vê, e pior á impunidade
 
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