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A janela

É a buzzword do momento: a janela. Mais concretamente, a janela temporal em que o Parlamento pode ser dissolvido. E assim estamos, parados, a olhar para uma janela que se abre em finais de Março. Um absurdo.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 24 de dezembro de 2009

É certo que a Restauração da pátria foi confirmada quando se atirou um senhor pela janela. Mas nada justifica a nossa recente obsessão pela 'janela'. O país vive suspenso de uma janela. Explico: a janela temporal, que a Constituição abre em finais de Março de 2010 e volta a fechar em Setembro. É nesta 'janela' que a Assembleia da República, recém-empossada, pode ser dissolvida. E, claro, novas eleições marcadas.

Há quem suspire pela janela. Há quem tema pela sua aproximação inexorável. Há quem chore por ainda estar à distância de três meses. Há por aí quem jure que o Presidente vai atirar o Governo pela janela; há quem garanta que é o Governo que se atira a si mesmo; a oposição tem ares de quem atira qualquer governo pela janela; e o Governo já pôs o ar de vítima, prestes a atirar-se ou a ser atirado, tanto faz.

Esta obsessão coloca-nos perante dois problemas. O primeiro é simples de descrever: nenhum país pode viver em suspenso de uma ameaça de dissolução, muito menos no estado em que Portugal está. A falência das contas públicas e o impasse económico, entre muitas outras coisas, não o permite.

O segundo problema diz respeito a todos nós, mas começa e acaba por dizer respeito a Cavaco Silva. O Presidente da República é o último interessado em que o Parlamento caia. A dissolução da Assembleia da República, e a consequente ida às urnas, seria um potencial desastre para Cavaco Silva, seja ou não recandidato presidencial.

Se Cavaco se recandidatar às presidenciais de Janeiro de 2011, como eu acho que vai fazer (e faz bem), uma campanha legislativa seria uma tragédia incontrolável. Todos vimos o que se passou neste Verão...

No caso de Cavaco não se candidatar o cenário não muda muito. Não é fácil, a nenhum Presidente, dissolver o Parlamento. Eanes dissolveu em 1979 e abriu caminho à maioria absoluta da AD, voltou a dissolver em 1983, abrindo a porta a Cavaco. Soares dissolveu em 1985, porque não queria um governo PS-PRD (e apoio do PCP), e estendeu o tapete à maioria absoluta de Cavaco. Sampaio dissolveu em 2003, abrindo a porta a Durão, e voltou a dissolver quando se fartou de Santana e trocou-o pela maioria absoluta de Sócrates.

Se Cavaco dissolver em Março abre caminho a uma maioria de quem? Como se vê pela nossa história, um Presidente só abre a janela para entrar uma coisa nova ou com mais força. Cavaco pode atirar o Governo pela janela mas só quando tiver a certeza de que entra outro novo e com maioria. Caso contrário, é ele que sai a seguir. Pela janela.

Ricardo Costa

Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009

 

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A janela
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:29 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Há quem tenha a opinião que ficamos pior,precisamante no momento em que atiramos o senhor pela janela. Por vezes o povo segue caminhos que nem sempre são os que mais lhe interessam. Em 1640 um grupo de fidalgos sedento de poder arrastou o povo para uma aventura que todos sabemos hoje em dia como terminou. Foram muitos os que ficaram pelo caminho tendo pago com a vida. Hoje ninguém poderá afirmar em cinciência se não estariamos melhor, mas o que não podemos duvidar é que o nível de vida hoje do nosso opositor na época é superior. Também agora há os culpados e ninguém deve sacudir a água do capote, olhando para o lado como a tentar desculpar-se e a culpar o vizinho. A grande luta de toda a Oposição foi precisamente acabar com a maioria absoluta, pois parecia haver aí o grande mal a evitar. Até se compreende,estranho foi a maior parte da Comunicação Social ter gritado; acudam, acudam, temos de matar o mestre. Disse-o por diversas vezes que caso nenhum partido conseguisse uma maioria absoluta o País ficaria ingovernavel. Afirmei-o que um Rei fraco faz fraca a forte gente. Que as reformas, apesar de impopulares mas necessárias seriam uma miragem. Que o País estava a caminhar alegremente para o precípicio e os partidos a empurrar e a Comunicação e o Presidente a ajudar. Só me resta acrescentar que águas passadas não movem azenha e é necessário esperar que chova e outras cheguem. Resta-me acrescentar que estou de conciência tranquila.
 
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Agradecimentos
cjours (seguir utilizador), 2 pontos , 16:51 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
E muito podemos agradecer-lhe a si, pelo caos em que nos encontramos!! Juntamente com os comunas do PC / BE e a outra que não consigo mencionar o nome nem olhar paara as ventas; mais as corporações dos médicos e da Justiça; juntamente com os setôres; jornalistas irresponsáveis são os culpados pelo momento em que nos encontramos!
Não se fartaram de carpir contra a maioria absoluta?
Não disseram que o país acabava se não se acabasse antes com a maioria absoluta??
Então agora não tirem o cavalinho da chuva e façam aquilo que gostam de exigir aos politicos!!! PEÇAM DESCULPA PELA MERDA QUE FIZERAM!!!!!!!!!
 
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Oh homem de Deus
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:21 | Quinta feira, 24 de dezembro de 2009
Tem de ser na varanda para correr com eles porque pela janela vai ser uma vida inteira.
 
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Espero que não
Outubro1560 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:36 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
Espero sinceramente que Cavaco rejeite tal possibilidade e mantenha o argumento que o Governo tem de Governar tal como está: Em minoria.

Oposição: Cuidado com os excessos. Cuidado com as birras do governo assentes nesses excessos. Cuidado com os detalhismos irrelevantes, mas atenção aos golpes para contornar decisões anteriormente aprovadas por maioria.
Rigor, pragmatismo e inteligência.

É importante que este Governo se revele exactamente onde deve revelar-se – na prática – cumprindo no mínimo metade do mandato.

Não há cá dissoluções nem desistências a tempo de confundir o povo com o que poderia ter sido e não é por culpa dos outros, a tempo de enevoar a realidade. O povo terá de reconhecer (ou não) em Sócrates a principal qualidade de um verdadeiro líder: A capacidade de se adaptar inteligentemente à mudança de conjuntura política, impondo-se naturalmente em situação de minoria. Um grande líder jamais desperdiçaria tal oportunidade de consolidar a sua carreira política.

Não é preciso inventar. Quem não presta cai por si. É apenas uma questão de inteligência e paciência para que o óbvio se encarregue desmontar retóricas demagógicas. Não percam uma oportunidade destas.

E sobretudo não critiquem tanto o silêncio do PR pois ele é muito mais relevante do que pensam. Um bom pai deixa que a lição aconteça, não se limita a dá-las.

Feliz 2010.
 
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Ai janela!
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 17:42 | Segunda feira, 28 de dezembro de 2009
"Quando a miséria entra pela porta, a vergonha sai pela janela.", diz o sábio Povo desta ditosa Pátria, que de tão mal governada já há muito viu entrar-lhe porta dentro os peritos do conto do vigário que nos deixaram neste mísero estado. Por isso se algo vier a sair pela janela, não é o governo, nem as oposições, o que sairá é toda a vergonha dificilmente contida dos portugueses de bem, que ludibriados levaram ao poder gente desqualificada, capaz de se apoderar de todos os valores disponíveis, sem querer saber daqueles que os elegeram. Se a vergonha de quem se viu espoliado de direitos e obrigado a pagar a factura dos que se encheram à sua custa, sair pela anunciada janela, pode ser que os tempos áureos dos políticos "manhosos", do governo ou das oposições, tenham um fim trágico. Tanto mais trágico, quanto for maior a vergonha a escapar pela fenda aberta, porque será a única forma dos portugueses deixarem de tratar de forma reverencial os seus exploradores. Isto porque há quem diga que para "ladrão, ladrão e meio" e o combate aos desavergonhados só pode ser ganho por quem esteja liberto da vergonha que os condiciona. Todavia, o ideal seria que pela janela aberta, entre Março e Setembro, saíssem toda a classe política do país e que aterrasse longe sem possibilidade de retorno, ficaríamos, repentinamente, muito ricos e sem empecilhos para viver à nossa custa. E com uma enorme vantagem não era preciso perder a vergonha para lutar contra eles com as mesmas armas.
 
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A raiva
ruiasc (seguir utilizador), 1 ponto , 15:46 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
O jornalista parece nutrir uma raiva de morte para com o seu PM, lançando-se em insinuações (acusações) vagas que só tiveram paralelo no jornal de 6ª apresentado pelo projeto a jornalista Manuela Guedes;

Está em oposto a sua maneira de criticar com o dificil acto de governar;

Mas visto que vai clarificando a sua posição politica, gostaria de lhe questionar o que é que fez o executivo de Cavaco Silva em matéria de fiscalização dos fundos vindos da CEE (UE), que eu me lembre nada!

Eu afirmo que esse facto não faz de Cavaco cúmplice dos actos criminosos que se sucederam na época, mas o mesmo se aplica para José Socrates...e isto não se passa na cabeça de muita gente, compreende?!

Apesar de não 'ir à bola' com Cavaco, concordei com a sua posição no estatuto dos Açores, mas logo a seguir na Madeira começou um rol de asneiras que ainda não terminaram, por isso não terá por certo o meu voto!

Um bom ano de 2010
 
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A Página
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 22:33 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
Eu chamar-lhe-ia mais "A Página" e não A Janela.
O país está à espera do virar desta Página.
Foi bom, ou mau, conforme as sensibilidades. Agora é apenas um vazio. Uma perca de tempo. Um país suspenso à espera de nada.
Vire-se a página.

 
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Errada a sua conclusão
sara09 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:58 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
..."Um Presidente só abre a janela para entrar uma coisa nova ou com mais força..."

Cavaco, a oposição, todos...podem fazer a vida negra ao governo... e no limite a dissolução do Parlamento. NOVAS ELEIÇÕES...

Esqueceu algo importante é que o povo é quem vota, quem escolhe, quem decide. E o povo está de "olho" nos políticos.
Imagine que o PS voltava a ganhar [com ou sem maioria].

ESQUECEU-SE de ver esse cenário na sua janela temporal...

 
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A falência das contas públicas e o impasse económi
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 20:39 | Quarta feira, 30 de dezembro de 2009
Com o respeito que o articulista merece, parece que poderia explorar-se o tema para aquilatar dos possíveis interessados na dita janela.

Para quê ?
R/ não para se suicidadrem ao se atirarem por ela mas ...
para daí colherem o fruto que desejam - o absoluto.

O povo está a ser pressionado e ... vai ter que escolher ...
DEPOIS DA JANELA.

O povo é sereno.

"
  Há por aí quem jure que o Presidente vai atirar o Governo pela janela; há quem garanta que é o Governo que se atira a si mesmo
"
» A QUEM INTERESSA A JANELA ?

"
O Presidente da República é o último interessado em que o Parlamento caia. A dissolução da Assembleia da República, e a consequente ida às urnas, seria um potencial desastre para Cavaco Silva, seja ou não recandidato presidencial.
"
ENTÃO, A QUEM INTERESSA A JANELA ?

"
nenhum país pode viver em suspenso de uma ameaça de dissolução, muito menos no estado em que Portugal está. A falência das contas públicas e o impasse económico, entre muitas outras coisas, não o permite.
"

» A falência das contas públicas e o impasse económico ... advêm de uma má governação no que à despesa diz respeito e,
.... advem da CRISE cujos efeitos (desemprego e outros) se refletem na receita.

 
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