O "medo do desconhecido"é o princípio da "Demonização do Outro". É disso que falo no Expresso de ontem. O medo da diferença desaparece quando se educa para a riqueza de uma coexistência pluralista. O artigo de Hugo Franco refere a precocidade do fenómeno. Esse outro é hoje, mais do que sempre, o muçulmano - os miúdos já não conhecem o árabe, mas entendem muito depressa o estigma do muçulmano. É o inimigo a abater.
Preocupa-me cada vez mais a Europa xenófoba e racista que resiste na ignorância sobre o outro. Portugal padece do mesmo mal. Não estou a exagerar; os comentários ao meu blogue reflectem o que afirmo.
A propósito destas questões, falei aos meus filhos sobre o holocausto, e contei a história d'"O menino do pijama às riscas"- o livro que passou a filme. Lembrei que tudo aconteceu há muito pouco tempo. Quando terminei, a minha filha, de 12 anos, achou a história triste demais; imprópria para a hora e a idade do irmão que tem 6; que podia trazer sonhos maus. Talvez tivesse razão. Era final de tarde. Mas depois, poderia esquecer, ou não dizer as coisas no tempo certo; ou pior ainda, achar que as guerras por causa das religiões em idade precoce, são "coisas de miúdos"...Tive de responder a muitas e pertinentes questões do meu filho. Sobre a crueldade dos humanos, e sobre se havia castigo para os maus. Se há paraíso e inferno... Confesso que fiquei cansada. Mesmo assim, achei que o exemplo poderia ajudar a recordar o que não devemos deixar acontecer de novo.
O Islão que tento ensinar é do tipo humanista e humanitário. Os livros de educação religiosa das nossas Madrassas, produzidos no Instituto de estudos Ismailis, em Londres, falam dessa unidade e coexistência cosmopolita.
Gostaria que os meus filhos crescessem numa secularidade que não estigmatiza quem tem fé, ou quem não tem. Faço os possiveis para os educar ao mais alto nivel, com os melhores instrumentos de aprendizagem, com a condição de um dia, no seu tempo e capacidades, poderem colocar-se ao serviço dos que mais precisam, com sabedoria, generosidade e humildade.
Numa Europa cada vez mais xenófoba e racista, urge colocar questões importantes. O que significa uma boa educação? Que ética e moral queremos passar sobre o Outro? Que princípios da cultura judaico-cristã, que formam a base da Constituição Europeia, servirão para os portugueses educarem os seus filhos? Que sociedade será a das próximas gerações? A quem cabe a responsabilidade de educar para o bem, e para o mal? É preciso pensar... é preciso ensinar o pluralismo
PS: Para os que dizem que não há igrejas no mundo muçulmano, ou a prática da fé cristã, vejam p.f. estas imagens
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*A Salaam significa paz