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A ironia de Sócrates e as contas do BPI

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 14 de janeiro de 2010

Ironia, diz José Sócrates. Ironia porque um banco decidiu fazer um estudo que prova que andámos no passado recente a gastar o que tínhamos, o que não tínhamos e o que nunca vamos ter (ver página 4). Já devemos o equivalente ao valor da riqueza produzida por ano em Portugal. Se nada for feito, dentro de 30 anos vamos estar a dever três vezes esse valor. O primeiro-ministro diz ironia, porque ao ter sido a banca a criar a crise internacional não tem autoridade moral para realizar tal estudo. Meu caro primeiro-ministro, a sua atitude já foi muito além de esconder a cabeça na areia e revela o seu profundo desconhecimento do estudo, da economia e da dimensão da tragédia que é a situação das finanças públicas.

As contas do BPI são complicadas, o resultado também. As conclusões do estudo sobre a sustentabilidade das contas públicas confirmam o que todos receavam: estamos endividados até ao pescoço.

Num cenário mais dramático, se nada for feito na contenção de despesa e/ou arrecadação de receita, em 2040 a nossa dívida pública vai ser de 300,3% do PIB. E mesmo no cenário mais benévolo chegávamos a 2040 com uma dívida pública de 115,5% (agora é de 100%). Estamos a falar de dívida pública consolidada, ou seja, o BPI juntou à dívida pública os compromissos assumidos pelas empresas do Estado, pelas concessões de serviço público, pelos municípios e pela Madeira e Açores. Até aqui não detecto ironia alguma.

O BPI e os seus colaboradores que fizeram o estudo não podem ser minimamente acusados da actual crise. No máximo, podem ser acusados de terem tido a audácia de revelar como, com um milhão aqui, um milhão ali, transformámos a economia portuguesa numa máquina de fabricar dívida.

Só para pagar concessões e dívidas das empresas do Estado vamos precisar de €1,7 mil milhões no próximo ano. Qualquer coisa como 6% da receita fiscal cobrada em 2009 ou o mesmo que toda a receita cobrada com o imposto de selo. E este é o valor mais baixo. Em 2013, este valor é €3 mil milhões, e em 2015 é de €3,4 mil milhões. Nada mau.

Aqui não há ironia, há, sim, a inevitabilidade de termos de pagar o que devemos. Andaram anos, este Governo e os anteriores, a fazer 'obra' projectando para o futuro o pagamento das mesmas. Andaram anos, este Governo e os anteriores, a enviar para empresas públicas o custo de tudo e mais alguma coisa que já não cabia no orçamento.

Isto tudo até podia ter funcionado, só que para isso a economia portuguesa tinha de crescer a um ritmo superior a 2,5%. Só que ironia das ironias, estamos muito longe disso.

Texto publicado na edição do Expresso de 09 de Janeiro de 2010

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A irinia de Sócrates e as contas do BPI
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:35 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Quer se queira quer não Portugal tem muitas possibilidades para resolver o problema. Começa logo por ter a possibilidade de pedir a Nossa Senhor de Fátima que nos salve desta aflição. Mesmo que para tal seja necessario fazer algumas procissões e rezar umas Avé-Marias. Também podemos ír a pé ou de joelhos. Se isto não resultar temos sempre o plano B que seria vender a Madeira e o Jardim. Desta maneira não vale a pena muita preocupação, porque ou acontece o milagre ou arranjamos uma solução. Em último caso podemos ír até ao ponto de vender isto aos nossos hermanos e conseguirem assim o que não foram capaz em Aljubarrota. Até lá até é capaz de ser a única maneira de fazer as tais reformas, que apesar de impopulares são necessarias. Há males que vêm por bem como se costuma dizer. Não deixa de ser curioso, que é precisamente a raposa que comeu as galinhas, que agora está preocupada com as mesmas.
 
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Procuremos falar claro, João
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 20:26 | Quarta feira, 20 de janeiro de 2010
Meu caro João, eu sou das pessoas que mais aposta nos jovens, primeiro porque lhes reconheço competências que nós, os mais "velhos", lhes facultàmos, depois porque a lei da vida não permite outra opção: já fizémos o nosso caminho e o tempo não volta para trás!
O João deve ter a idade dos meus filhos.
Eles também são muito competentes, nas respectivas áreas de trabalho!
Mas não se esqueça que nenhum ser humano nasce vestido, de roupas e de intelecto!
Vai-se vestindo ao longo da vida!
E, aquilo que em determinado momento nos parece ser um dado absolutamento inquestionável e único, mais tarde, às vezes até demasiado cedo, vem a confirmar-se que, afinal, não era tão inquestionável assim!
Eu também já tive muitas certezas que o tempo enterrou!
Já tive muitas ilusões que não se materializaram no prazer que seria expectável eu ter sentido!
E, consigo, meu caro João, o mesmo virá a passar-se!
Diga-me: desde que se formou e que veio para o mercado da escrevinhação, a quantas mudanças já assistiu, algumas que desmentiram muitas das convicções que tinha, fundadas nos "conhecimentos" que lhe transmitiram nessas "madrassas" que são as faculdades de economia?
Quantos dogmas não se deu conta, já, que sucumbiram, apenas porque o Mundo "pula e avança"?
João, quando alguém subscreve o empréstimo para adquirir uma casa, a resgatar ao fim de trinta anos, acha que está a pensar que vai sucumbir ao fim de dez?
Quarenta anos, ... são muito tempo!
Seja feliz!
Goze a vida, ..hoje!
Cp
 
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lá para 2090
AntiFar2 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:04 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
Será que também eu poderia frequentar as aulas do Prof. Medina Carreira?
Uma nota: só faltou dizer que lá para 2090 não estará cá nenhum de nós para fazer as contas!
 
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Se a banca
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:22 | Quinta feira, 14 de janeiro de 2010
É a principal culpada por esta crise então tambem Sócrates é o supra sumo do cãos em Portugal
 
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Você só traduz a desgraça a dos pobres bancos.
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 0:13 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
É português.

É mórbido.

É um dos muitos profetas da desgraça.

Será um dos que já comprou o caixão e o tem guardado no sótão, à espera que a morte chegue?

Adiantou o dinheiro à funerária para não dar encargos e já tem também a campa comprada, ou em alternativa, face às intempéries que se prevêem, sinalizado a sua entrada com pompa e circunstancia no crematório ?

Será que tem o desejo inculcado na sua mente de colocar solene epitáfio, junto às cinzas com o escrito:

SOU COM MUITA HONRA, UM DOS FAMOSOS VELHOS DO RESTELO.

Então Paz à sua alma.

Porque com este tipo de pessoal, já está mais morto do que vivo e assim Portugal não vai a lado nenhum.

Só pensam em desgraças e tudo que seja feito em prol do desenvolvimento, tem de ser destruído à nascença.

A ambição, nas faz parte do léxico desta gente, são uma
tristeza, sem remédio.

Voce não passa de um falhado, sem capacidade de liderança, é incapaz de mobilizar alguém com a sua retórica do BOTA ABAIXO.

PS.- A minha herança do tal passado foi: Sem liberdade de expressão ou seja censura permanente;muita miséria descalço, sempre a mesma peça de roupa,uma sardinha para três, pão racionado e muita fome; 1 quarto
alugado viviam 5 pessoas; impossibilidade financeira de
admissão ao liceu; sem Segur. Social, s/Sub. Des., 48 h/semana, ou trabalho de sol a sol; proibido sair do país;
impossibibilidade de reunir pessoas; sem eleições; falar de
politica dava prisão, etc, etc, etc,

 
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    Re: Você só traduz a desgraça a dos pobres bancos.    Ver comentário
João Vieira Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 16:57 | Quarta feira, 20 de janeiro de 2010
    Re: Você só traduz a desgraça a dos pobres bancos.    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 18:57 | Quarta feira, 20 de janeiro de 2010
    Re: Você só traduz a desgraça a dos pobres bancos.    Ver comentário
João Vieira Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 19:37 | Quarta feira, 20 de janeiro de 2010
    Re: Você só traduz a desgraça a dos pobres bancos.    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 1:08 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
    Re: Você só traduz a desgraça a dos pobres bancos.    Ver comentário
João Vieira Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 10:03 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
O Optimismo Tipo Sócrates
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 14:16 | Sexta feira, 15 de janeiro de 2010
Uma pessoa tem um revolver carregado com 6 balas, tudo em bom estado de funcionamento.

Aponta a pistola à cabeça e dispara.

O optimismo tipo Sócrates diz que a pessoa fica com vida e que pensar o contrário é derrotismo.

O tal derrotismo de que os portugueses não precisam.

Do que os portugueses precisam é de terem um Sócrates para lhes carregar o revolver e apontar a pistola aos miolos enquanto lhes pede optimismo quanto aos resultados do disparo.
 
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