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A impunidade dos banqueiros

8:00 Segunda feira, 22 de dezembro de 2008

A impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio da justiça e em especial do Ministério Público e da polícia estão a gerar um clima de desconfiança e de revolta, escreve Mário Soares.

Tem carradas de razão. Mas vale a pena perguntar porquê.

Recordando apenas factos recentes, ainda há pouco estava a Assembleia da República a aprovar um Código do Processo Penal destinado a tornar mais difícil prender seja quem for. Mais uma norma sobre antiabuso de responsabilidade civil do Estado e seu agentes (incluindo os magistrados que parecia ser especialmente destinada a intimidar os juízes). Notícias do bloqueio, eficientemente completado com estas duas medidas.

Foi assim conseguida a difícil tarefa de deixar a justiça ainda pior do que já estava (o que não era fácil): mesmo antes do aumento do crime violento e das derrocadas financeiras provocadas pela crise que revelam crimes.

Mais importante que o funcionamento da justiça teria sido o funcionamento dos mecanismos que impedem a fraude. Só uma pequena parte dos 50 mil milhões de dólares roubados por Madoff com o seu esquema Ponzi (em português, D. Branca) vai ser restituída na acção penal que corre contra, apesar de essa restituição ser a condição primeira para conseguir alguma atenuação de penas dos responsáveis menores.

Christopher Cox, presidente da SEC (que não pertence à linha Constâncio), já admitiu as suas culpas e promete uma investigação sobre o motivo pelo qual o órgão de polícia financeira não atendeu às informações específicas e dignas de crédito sobre crimes financeiros nos fundos geridos por Madoff, cujo funcionamento só parou quando foram atingidos pela crise. Tudo irá ser investigado incluindo relações pouco claras entre ex-inspectores da SEC e os fundos a funcionar segundo o esquema Ponzi. Normalmente estas falhas clamorosas podem ser explicadas.

Quando a prevenção falha, resta a acção penal: o lugar dos Madoff é na cadeia e isso é uma condição mínima para que haja um mínimo de confiança no mercado de capitais. É muito mais importante prevenir que remediar e por isso é que temos comissões reguladoras da bolsa, auditores e regulação do mercado financeiro. A acção penal tem como função aumentar a aversão ao risco dos gestores do sistema reduzindo o número dos que estão disponíveis para estas perigosas aventuras.

Mas desde que haja um perigo efectivo é essencial que o sistema penal (desde as normas aplicáveis até ao sistema preparado para as aplicar) esteja concebido para tornar possíveis e prováveis condenações como estas.

Em Portugal, não estão e a política legislativa deste Governo tem sido orientada no sentido de tornar ainda mais improvável que estas condenações possam ser obtidas.

A impunidade dos banqueiros que suscita a indignação tardia de Mário Soares tem por isso causas e responsáveis.

É uma escolha política: podemos criar um sistema penal que ao mesmo que consagra as garantias de defesa que permite perseguir com eficácia qualquer tipo de crime (a evolução do Direito Penal norte-americano do séc. XVIII aos nossos dias é o melhor exemplo disso) ou um sistema, típico dos países que chegaram tarde à democracia, onde o discurso garantístico paralisa a acção penal.

Fiscalista

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otario2009 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:23 | Sábado, 11 de julho de 2009
O Sr. Mario tem razão, mas, não temos todos, a verdade é que o cidadão comun não tem nenhum interesse nas vigarices que vão acontecendo e por isso a sua opinião não muda, já a opinião das figuras publicas ( classe politica ) muda de acordo com os seus interesses, o exemplo claro disto mesmo está nas conclusões do inquerito á actuação do BDP e do seu presidente. Se a cor politica do dito Sr. fosse laranja as conclusões seriam completamente diferentes. também por exemplo se o Sr. fosse politicamente proximo do CDS o Sr. Nuno Melo nunca teria sido tão profissional a detectar as falhas que apresentou na comissão.
Ainda agora a Sra. Ferreira Leite se mostrou indignada por haver pessoas próximas do PSD a serem indiciadas por crimes economicos tão proximo das eleições, claro está uma cabala para prejudicar o PSD.
A verdade meus caros conterraneos é que para os politicos, as coisas funcionam da seguinte maneira, se o filho do vizinho roubou, é um criminoso, se foi o próprio filho é bom rapaz anda é com más companhias.
A falta de seriédade, de ética e de responsabilidade impede a classe politica de atacar os males de que padece a nossa sociedade,
 
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